Colombia legaliza aborto em até 24ª semana de gravidez, mas presidente do Brasil é contra

Em decisão histórica, Colômbia torna-se o quinto país da América Latina a descriminalizar o aborto

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Atualizado em 25.02.22

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Em 23.02.22 às 14:06

Nesta segunda-feira (21), o Tribunal Constitucional da Colômbia descriminalizou o aborto. Até o momento, assim como no Brasil, o interrompimento da gravidez era apenas possível em caso de gravidez de risco, caso de estupro e se o feto apresentasse alguma deformidade.

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O aborto será criminalizado apenas caso a mulher ou pessoa com capacidade gestacional ultrapassar a 24ª semana de gestação e ainda assim realizar o aborto. “A Colômbia fica na vanguarda dos direitos reprodutivos, tanto em nível regional quanto globalmente”, afirmou à AFP a advogada Catalina Martínez, do movimento Causa Justa.

Em Bogotá, diversos manifestantes tanto contra quanto a favor se reuniram em frente ao Tribunal Constitucional. País em sua maioria de católicos, faz história na tomada de decisão de legalização do aborto. Já no Brasil, a repercussão do assunto na rede social Twitter, levantou uma hashtag #AbortoNão, com uma quantidade significativa da direita opondo-se à decisão tomada.

Discussão no Brasil sobre o aborto ainda é conservadora

No Brasil, o aborto é ainda considerado um crime contra à vida segundo o Código Penal. A únicas exceções são para casos de estupro, risco de morte para a gestante ou caso do feto ter o diagnóstico de anencefalia, doença que gera uma anomalia do encéfalo. É importante abrir a discussão para que mudanças aconteçam. O direito reprodutivo das mulheres é uma questão de saúde pública.

Enquanto isso, em seu Twitter, o Presidente Jair Bolsonoro diz: “No Brasil, a esquerda festeja e aplaude a liberação do aborto até o 6º mês de gestação. Lamentavelmente aprovado na Colômbia. Trata-se da vida de um bebê que já tem tato, olfato, paladar e que ouve a voz de sua mamãe. Qual o limite dessa desumanização de um ser inocente?”.

A resposta dessa pergunta pode ser respondida com dados. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 1 milhão de abortos inseguros são feitos no Brasil. Esse é o limite que se deve buscar para que mulheres não sejam vítimas da intervenção do estado em seus corpos. Nesse sentido, cabe ao Estado deixar o direito reprodutivo das mulheres em suas próprias mãos.