BBB 22: Travesti ou trans? Lina tem de ser didática com Scooby

Em conversa com Pedro Scooby, a artista explicou o que é travesti e trans e revelou episódios de transfobia e desrespeito

Publicado por
Atualizado em 08.03.22

LINN DA QUEBRADA

Por
Em 03.03.22 às 14:21

Linna Pereira dos Santos, mais conhecida como Linn da Quebrada, é a primeira travesti a participar do Big Brother Brasil. Seu sucesso na música levou a cantora a ser uma das celebridades a entrar na casa mais vigiada do Brasil.

Publicidade

Engana-se quem imaginou que a passagem da artista pelo BBB 22 não seria marcada por transfobia. Diversos momentos teve seu pronome utilizado incorretamente e, mais recentemente, precisou ser didática para explicar a diferença entre travesti e trans.

Lina explica a diferença entre travesti e trans

Na tarde de quarta-feira (2), em uma conversa com Pedro Scooby, Lina explicou sobre a sua vivência enquanto travesti. A artista explicou que a “transgeneridade é um grande guarda-chuva, que fala sobre as identidades trans”. Ela também já havia explicado para sister Naiara Azevedo em outro momento.

Lina comentou, ainda, sobre os questionamentos da identidade serem resumidas a genital do sujeito. “Não é se eu tenho um pinto ou se tenho uma buceta que vai definir se eu sou homem ou se sou mulher”. Veja a conversa:

Também expôs algumas situações de preconceito e violência vividas por pessoas próximas, como o fato de “ter de avisar” que é travesti ao ficar com alguém: “[…] eu acho que é paia esse lugar de ter que avisar porque assim… Não teve interesse por mim, já que ficou comigo? Eu não tenho que te avisar”. Ou seja, se há o interesse, ele deveria bastar por si só.

E continuou relatando uma situação de transfobia com uma amiga: “ela ficou com um cara numa festa, num samba, num pagode, alguma coisa assim, e daí depois houve uma pressão por parte dos outros amigos, e ele voltou, pegou uma garrafa e quebrou na cabeça dela. E ninguém do bar se mobilizou, porque daí parece que ela era errada porque ela tinha que ter avisado ele que ela era uma pessoa trans. Ridículo, ridículo”.

Diante desse comentário, é visível o quanto o Brasil não trata travestis como pessoas e as marginaliza. Não é à toa que segue no topo da lista de países que mais mata pessoas trans no mundo, registrando 140 assassinatos em 2021, segundo a Agência Brasil. Desse número, 135 vítimas eram travestis e mulheres transexuais e cinco vitimaram homens trans e pessoas transmasculinas.

Publicidade

A cantora finaliza a conversa explicando que não pode falar por todas as mulheres trans e travestis, mas, em seu ponto de vista, a travesti se constrói e surgem numa determinada época, em um determinado contexto político, como uma categoria que vem marginalizada das ruas, sendo uma classe e pertencentes a um grupo e contexto social.

É importante também compreender que a violência contra travestis não acontece apenas por agressão física. Se negar a chamar a pessoa pelo seu nome social, por exemplo, também é uma forma de violência.

Uso do pronome “ela” é respeito

No BBB 22, a cantora foi vítima de transfobia vinda de participantes algumas vezes. Um exemplo é o brother Lucas, que chamou Linn pelo pronome masculino em uma festa, mesmo tendo o pronome feminino “ela” literalmente tatuado na testa. Isso feriu grandemente a cantora. Lucas até pediu desculpas à Lina que respondeu dizendo: “não dá mais para ficar errando nessa altura do campeonato”.

Durante uma prova do líder, a participante Eslovênia errou novamente o pronome. Na frase, a sister chamou a cantora de “amigo” ao invés de chamá-la “amiga”. Nas redes sociais, as pessoas chamaram atenção novamente para o fato da cantora ter tatuado na testa a palavra “ela” e mesmo assim continuarem insistindo no erro de pronome.

E fora da casa, esse assunto reverberou. No podcast Tarja Preta FM, os apresentadores Robert Kifer, Arthur Petry, Bianca e Kaio D’Elaqua comentaram: “Acho que tem que parar de chamar [de] travesti e começa a chamar de troço, que aí ninguém vai reclamar”. A fala transfóbica deixou os fãs e a internet revoltados. Veja abaixo o trecho da fala: