“Achava que estava velha”, conta Grazziela Borba sobre ser mãe aos 40 anos

Com o tempo, a advogada percebeu o quanto era comum as mulheres terem filhos mais tarde e de modo seguro

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Em 04.05.22 às 14:05

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Em 04.05.22 às 14:05

Apesar da pressão social que as mulheres enfrentam para serem mães jovens, muitas optam pela maternidade só mais tarde na vida. Priorizar a carreira e vivê-la com mais intensidade durante os primeiros anos se tornou algo comum entre as mulheres. Mas chega um momento na vida que essa mulher pode pensar: “Quero ser mãe, será que é possível?”

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Embora possa ser mais complicado, não é impossível. O Dicas de Mulher conversou com Grazziela Borba, mãe aos 40 anos, que conta como foi sua experiência. Advogada há 23 anos, ama estudar sobre a doutrina espírita, religião que é praticante. Além disso, tem interesse por aromaterapia e depois de 20 anos encara uma nova faculdade para se aperfeiçoar. Conheça sua história!

Dicas de Mulher – Você foi mãe aos 40 anos, mas em algum momento sentia que havia uma cobrança para engravidar mais cedo?

Grazziela Borba – Foi um grande susto quando eu me deparei vendo que eu seria mãe aos 40. Na verdade não foi uma decisão, acho que por isso fico um pouco fora da curva. Eu já tinha a Beatriz na época, com 15 para 16 anos, fruto do meu primeiro casamento. Meu esposo também já tinha duas filhas e nós achávamos que estava ótimo e que não precisava mais ninguém. Já tínhamos nossas filhas, cachorro, gato. Então, a Laura não foi planejada, ela simplesmente aconteceu e, hoje, não imaginamos nossa vida sem ela.

Para você, é desafiador ser mãe aos 40 em uma sociedade que prega a maternidade na faixa dos 20 até 30 anos?

Acabei não sofrendo porque eu tive minha primeira filha com 25 anos, então eu fui mãe cedo também. No entanto, ser mãe aos 40 foi inesperado, tomei um susto justamente porque muitas pessoas falam que é preciso ser mãe mais nova. Pensei: “Meu deus! 40 anos, eu sou velha, como é que eu vou ser mãe?”. Eu achava que já tinha idade pra ser avó. Quando a Beatriz nasceu, a minha mãe estava na casa dos quarenta anos. O que me deixou mais tranquila foi na primeira consulta com obstetra que falou que era comum e já tinha feito partos de mulheres com mais de 46 anos. Percebi que está deixando de ser um tabu, porque a mulher está em busca da sua carreira profissional, dos estudos e deixa a maternidade para um momento mais tardio. Hoje, quando eu levo a Laura para escola, vejo muitas mães em torno dos 38-40 anos, e são os primeiros filhos delas, ou seja, você vê realmente as mães deixando a maternidade para mais tarde.

Você tinha medo ou receio de como seria a gravidez?

O meu medo, na verdade, era por ter engravidado 15 anos depois da primeira gravidez. Os médicos falam que o intervalo de mais de cinco anos entre uma gestação e outra é chamada de primigesta, é como se eu estivesse sendo mãe pela primeira vez para o meu organismo. Assim, no início, tinha receio por conta da idade, medo disso influenciar, porém o médico me deixou muito tranquila e, com o decorrer da gravidez, fui vendo que era uma gravidez saudável.

Durante o pré-natal, você teve que ter algum cuidado especial ou foi uma gravidez tranquila?

Eu tive um pré-natal supertranquilo, assim como foi toda minha gravidez. E do mesmo modo foi a minha primeira gravidez. Eu engravidei aos 39 anos e fui mãe aos 40 e foi tão tranquilo quanto da primeira vez, aos 24 anos. Nisso, meu organismo foi fantástico.

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Você trabalhou durante a gravidez? Caso afirmativo, como foi conciliá-la com trabalho, casa e demais ocupações?

Assim como na primeira gestação, eu trabalhei durante a gravidez inteira, até praticamente a véspera do nascimento. Então, trabalhei com muita saúde, no entanto, na reta final da gravidez, fiquei um pouco mais cansada e diminui o ritmo. Mesmo assim, cuidei da casa, da minha família, não deixei de fazer absolutamente nada. Parei uma semana antes para ter uma semana de folga para a Laura nascer, só que ela decidiu vir antes. Nasceu em uma terça-feira, no dia 15 de setembro de 2015.

Após o nascimento da sua filha, como foi voltar à rotina de trabalho? Você teve algum amparo nesse período de transição?

Para o retorno, eu tive apoio do meu esposo, da minha filha mais velha, que foi uma segunda mãe para a Laura. Assim que eu voltei a trabalhar, eu a coloquei no berçário, pois não havia ninguém da família, avó ou tia, para cuidar dela. Eu tive receio de colocar alguém para cuidar, então preferi desde cedo mantê-la em uma escola capacitada, com bons profissionais para cuidar de bebês.

Como você encara essa liberdade de escolha sobre a maternidade que as mulheres têm hoje?

Acho fantástica essa liberdade que a mulher tem hoje em dia, de querer ser mãe ou não. Tenho muitas amigas que decidiram não ter filhos e estão bem com isso. E as que querem têm o direito de planejar quando acharem que é a hora, não ter de se submeter ao que a sociedade espera delas. Tem que ser uma decisão da mulher. É uma responsabilidade para o resto da vida, é algo muito sério, mas também muito gratificante. Eu faria tudo novamente, quantas vezes fossem necessárias.

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Seja por questões de saúde ou priorizar a carreira, é cada vez mais comum as mulheres deixarem a maternidade para depois. Felizmente, a tecnologia hoje permite diversos procedimentos que possibilitam a gravidez tardia, como congelamento de ovos, inseminação artificial e fertilização in vitro. Conheça essa opções!