A importância de ter uma Barbie trans para a representatividade LGBTQIA+

A atriz e ativista Laverne Cox é a primeira mulher trans a ganhar uma versão da boneca Barbie

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Atualizado em 06.07.22

Barbie

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Em 09.06.22 às 9:30

A Barbie é a boneca mais famosa de todos os tempos e faz parte da infância de crianças em todo mundo. Lançada em março de 1959, inicialmente, a boneca magra, loira, de olhos azuis e com estilo de patricinha, foi construída para ser um símbolo global, ícone de beleza e de conexão com o mundo fashion.

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O principal objetivo da Mattel, fabricante da boneca, era que as crianças se identificassem com o brinquedo, porém faltava diversidade e representatividade. Então, em 1980, foi criada a primeira Barbie negra, assinada pela designer Kitty Black Perkins.

Mas só em 2016 com a linha Fashionistas, a empresa multimilionária gerou uma reflexão sobre os padrões de beleza e a diversidade, criando bonecas com diferentes tipos de corpos, cores de olhos e penteados. Além de também incluir nessa linha, bonecas PCD, sem cabelo e com vitiligo.

Contudo, a Mattel compreendeu a relevância em ter uma boneca LGTBQIA+, uma vez que a comunidade luta constantemente por visibilidade e respeito, e a representatividade é fundamental para combater a LGBTfobia. Assim, a atriz Laverne Cox foi a grande inspiração para criar a primeira Barbie trans da história.

A importância de Laverne Cox para o movimento LGBTQIA+

Nascida em Alabama, nos Estados Unidos, a atriz Laverne Cox é ícone trans e ativista dos direitos LGBTQIA+. A artista fez história em 2014, sendo a primeira mulher transexual indicada ao Emmy Awards. A indicação ocorreu pela sua atuação na série Orange Is The New Black, da Netflix.

Além disso, ela foi a primeira pessoa trans a ser capa da revista Time e a ter uma estátua no museu Madame Tussauds. Em entrevistas, a atriz sempre comenta sobre a sua trajetória e orgulha-se por ser uma sobrevivente do preconceito, não só por ser negra, mas por ser uma mulher trans.

Sua história de coragem inspira pessoas, e ter uma boneca tão famosa que a represente é extremamente importante para inserir cada vez mais os LGBTQIA+ na sociedade e reforçar a ideia de que essas pessoas podem ser o que querem e estar onde desejarem.

Laverne sempre traz mensagens de apoio e incentivo em suas redes sociais: “Quero que os jovens LGBTQI+ que estão sendo vítimas de violência ou de bullying saibam que são valiosos, bonitos e especiais”, escreveu em seu Instagram.

Sobre o lançamento da boneca, a atriz se mostrou orgulhosa em ser a primeira mulher trans a inspirar a Barbie e está ansiosa para que os fãs tenham um item de uma pessoa trans em sua coleção.

A Barbie trans está à venda no Brasil?

Apesar da importante homenagem à atriz Laverne Cox, o lançamento da Barbie trans gerou controvérsias no Brasil. O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) abriu um requerimento solicitando uma audiência pública para discutir o lançamento da boneca. Segundo ele, “há implicações psicossociais em crianças” e que isso iria “confundir as crianças sobre a natureza dos gêneros masculino-feminino”.

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Em conversa com o Dicas de Mulher, Eliane Maio, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Diversidade Sexual e Gênero (NUDISEX), informou não haver nenhum estudo científico que comprove a alegação do deputado.

Para ela, “Abordar questões de gênero e sexualidade, principalmente nas escolas, possibilita que as crianças e adolescentes possam compreender as diversas formas de identidade de gênero e orientação que existem”. O que proporciona “conhecimentos visando o respeito, ética e justiça no tratamento a quaisquer pessoas”, explica.

Sendo assim, a professora acredita que “ter brinquedos sobre as várias formas de identidade de gênero proporcionam que as crianças possam aprender e apreender mais sobre o que é ensinado a elas”.

Maria Gabriela Brandino, advogada e Conselheira Municipal de Cultura, informa que “a Mattel demonstra compreender a importância dessa lindíssima homenagem à atriz Laverne Cox. De modo que, a primeira Barbie a representar uma mulher engajada com a luta coletiva, com a desconstrução de paradigmas e sobrevive diariamente dentro de uma estatística duplamente cruel, é permitir que nossas crianças (re)conheçam narrativas violentamente silenciadas”.