“A expectativa é que seja divertido e emocionante”, diz Lucinha Nobre sobre a volta do Carnaval

Após as dificuldades causadas pela pandemia, porta-bandeira da Portela fala de desfile na Sapucaí e de sua trajetória no samba

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Atualizado em 27.04.22

Reprodução / Riotur

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Em 20.04.22 às 12:38

Em abril de 2022, as Escolas de Samba finalmente voltam a desfilar no Sambódromo. Pela primeira vez, o Carnaval acontecerá depois da Páscoa. Após o cancelamento em 2021 e do adiamento esse ano ocasionados pela pandemia do coronavírus, finalmente o povo do samba volta à Marquês de Sapucaí.

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Em entrevista exclusiva ao Dicas de Mulher, Lucinha Nobre, uma das maiores porta-bandeiras da história do Carnaval, fala sobre a emoção da volta à avenida e as dificuldades causadas pela pandemia.

Ela é a porta-bandeira da Portela, cinco vezes premiada com o Estandarte de Ouro e com mais de três décadas de carreira, há anos defende o pavilhão da azul e branco de Madureira com graça, sendo uma das referências no quesito. Confira!

Dicas de Mulher – Qual é a expectativa de voltar à Sapucaí depois de um ano sem Carnaval?

Lucinha Nobre – É um ano diferente, celebração pelo mundo estar finalmente devagarzinho voltando ao seu curso normal. A expectativa é que seja divertido e emocionante. Estou muito feliz e orgulhosa por ter conseguido chegar até aqui!

Houve algo diferente na preparação?

Foi uma preparação completamente atípica, minha ensaiadora se mudou para Portugal e nós decidimos trabalhar à distância, por chamadas de vídeos e gravações. Meu mestre-sala, com o adiamento do Carnaval, teve que voltar para SP para continuar o curso de medicina que está fazendo. Então, eu me desloquei pra lá e ensaiamos de lá durante a semana, voltando para o rio para os eventos de fim de semana. Ou seja, uma loucura!

Mesmo sendo uma das maiores representantes do quesito e sendo muito premiada, ainda acontece o frio na barriga e nervosismo antes de entrar na Sapucaí?

Sempre! No dia que não tiver mais frio na barriga e emoção, eu vou fazer outra coisa! Depois de tanto tempo sem dançar para o grande público, estou superansiosa!

Como você começou no Carnaval, como chegou a ser porta-bandeira?

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Comecei no Carnaval desde criança, virei porta-bandeira criança, desde pequena já gostava de Carnaval, porque minha mãe frequentava. Com oito anos de idade fiz um um um teste e virei porta-bandeira da Alegria da Passarela, que hoje em dia é conhecida como Aprendizes do Salgueiro, escola onde o meu irmão foi compositor e foi a escola mirim onde eu comecei. De lá, já emendei com a Mocidade, onde eu já desfilava na ala das crianças antes. Em oitenta e quatro, oitenta e cinco foram os meus primeiros anos, na ala das crianças da Mocidade e como porta-bandeira mirim da Aprendizes do Salgueiro. E aí em 85 eu desfilei como porta bandeira mirim já na Estácio de Sá e em 86 eu comecei como porta-bandeira mirim da Mocidade e de lá pra cá nunca mais parei então a minha.

Você começou cedo a conviver com samba, sua família tem ligações com o ritmo, você pode citar algumas influências positivas que esse ambiente trouxe à sua vida?

A minha educação foi toda pautada no samba, sempre trabalhei com samba desde criança, desfilei mesmo no ano em que estava grávida, por exemplo, não desfilei como porta-bandeira, mas estive envolvida no Carnaval. A história da minha vida toda passa pelo samba, os meus trabalhos de meio de ano têm sempre relação com o samba, são viagens, eventos normalmente relacionados ao mundo do Carnaval. Então não consigo nem te falar sobre a minha vida sem essa influência, não tenho outro jeito de viver que não seja através do samba, enfim, é a minha realidade.

Para o público geral, o desfile de escola de samba acontece durante 2 dias na Sapucaí, mas para quem é da comunidade e faz o Carnaval, é trabalho e vivência, e a ausência da festa implica que não houve renda. Como foi esse período para os trabalhadores do Carnaval?

O período de pandemia foi muito difícil, mas a gente viu muitas Escolas se organizarem com projetos que ajudaram nas comunidades as pessoas que viviam exclusivamente de samba. Teve o Bailado Solidário, teve o Ritmo Solidário, que foram projetos criados por pessoas do Carnaval. E teve a Águia Solidária, por exemplo, na própria Portela e a Mangueira também se organizou de forma a ajudar a sua comunidade. Foram projetos criados por sambistas, que também estavam em situação difícil, para ajudar gente que estava em situação pior ainda. Tenho muito orgulho de dizer que eu participei de alguns projetos, tanto do Águia Solidária quanto do Bailado Solidário, com os quais eu tive ligação mais presente. Fico muito feliz que o samba tem isso, quando a gente está nessa situação delicada, toda vez que a gente precisa, a gente se une, se ajuda e está sempre se respeitando.

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Os enredos que desfilarão na Marquês de Sapucaí serão diversos, em sua maioria contando a intelectualidade e cultura das pessoas negras: A Beija-Flor, o Salgueiro e a Tuiuti celebram em seus enredos as histórias, resistência e ícones negros. Mangueira e Vila Isabel celebram grandes personalidades de sua história, com Cartola, Jamelão e Delegado na Verde e Rosa e Martinho da Vila na azul e branco.

Haverá também homenagens aos orixás, a Grande Rio levará Exu à avenida e a Mocidade, Oxóssi, seu patrono. A Portela celebrará o Baobá e a Tijuca, o guaraná. Haverá ainda homenagens ao Carnavalesco Arlindo Rodrigues, feita pela Imperatriz Leopoldinense e ao comediante Paulo Gustavo, que faleceu devido ao coronavírus. E a atual campeã Viradouro ecoa a alegria do Carnaval pós gripe espanhola em 1919. Conheça as mulheres no Carnaval que farão a folia esse ano.

Assuntos: Carnaval, Entrevistas