87% dos brasileiros são a favor do aborto, mas só em caso de estupro

Pesquisa aponta que 64% da população conhece uma vítima de estupro e que 16% das entrevistadas sofreram violência sexual

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Em 04.04.22 às 16:47

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Em 04.04.22 às 16:47

Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva revela que 87% dos entrevistados defende o direito da vítima de estupro decidir se quer ou não dar continuidade à gravidez, o que é garantido por lei no Brasil.

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Além disso, o estudo aponta que 64% da população conhece uma mulher ou menina vítima de estupro e que 16% das mulheres entrevistadas já foram estupradas, o que representa 14 milhões de mulheres vítimas violência sexual. Em 84% dos casos relatados, o estuprador é alguém próximo e do círculo social da vítima, sendo em 65% o estupro ocorreu dentro de casa.

A vergonha e medo da exposição e de não serem creditadas se mostrou um dos maiores empecilhos na hora das mulheres procurarem ajuda. 67% das vítimas entrevistadas disseram que iriam primeiro à polícia e 26% mencionaram que buscariam ajuda médica primeiro. No entanto, das mulheres que declararam já terem sido vítimas de estupro, 81% não buscaram nenhum serviço de apoio.

Ainda na pesquisa, foi revelado que 64% das pessoas sabem que a vítima de estupro pode interromper a gravidez de forma legal e segura, mas somente 46% sabem que não precisa de boletim de ocorrência.

77% dos entrevistados reconhecem que as principais vítimas da criminalização do aborto no Brasil são mulheres pobres, que não podem pagar por um aborto realizado com acompanhamento médico.

Embora o conceito de estupro seja compreendido na ampla maioria, há uma parcela da população que não considera algumas situações como estupro. 31% das pessoas, por exemplo, não consideram como estupro o parceiro obrigar a mulher a fazer sexo sem preservativo. Veja mais dados completos a seguir:

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A pesquisa foi realizada contou com a participação de 2 mil pessoas com 16 anos ou mais, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Seus dados revelam a necessidade de discutir o assunto para haver uma ampla mobilização na divulgação de informações, visando educação sexual, consentimento como condição para a prática sexual e aniquilamento da violência sexual.