4 anos do assassinato de Marielle Franco: perguntas sem respostas e pouca transparência

Investigadores ainda não sabem quem foi o mandante do crime, mas apostam em novas tecnologias para solucionar o caso

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Em 14.03.22 às 8:08

Marielle Franco

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Em 14.03.22 às 8:08

Marielle Franco foi uma parlamentar brasileira, assassinada friamente com quatro tiros na cabeça enquanto estava em um carro no Rio de Janeiro. Há 4 anos sua voz foi silenciada. A vereadora era uma mulher que lutava pelo direito das minorias e defendia uma sociedade menos desigual e mais justa.

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Mulher negra e moradora do Complexo da Maré, subúrbio do Rio, era formada pela PUC-RJ em Ciências Sociais e mestre em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). No dia do ocorrido, 14 de Março de 2018, estavam no carro, Marielle Franco, o motorista Anderson Gomes e a ex-assessora Fernanda Chaves que sobreviveu ao acidente, porém foi exilada pela Anistia Internacional. O impacto dessa violência gerou insegurança em permanecer dentro de seu próprio país.

Mesmo após 4 anos do assassinato, ainda não há resposta para uma questão básica: “Por qual motivo mandaram matar Marielle Franco?”. Tamanha violência não deve ficar sem resposta.

A importância de Marielle Franco

Reprodução / Agência Brasil

Sua militância começou logo após perder uma amiga, vítima de bala perdida, mais um dos efeitos colaterais da violência encontrada nesse país. Sua carreira política começou com um cargo comissionado ao lado do deputado federal Marcelo Freixo. Depois de um tempo acompanhando o trabalho dele, Marielle resolveu caminhar sozinha e se candidatou para vereadora do Rio de Janeiro. Sua campanha pautada na militância surtiu efeito, ela foi a segunda mulher mais votada no ano.

Durante os 15 meses em que foi vereadora, ela propôs alguns projetos de leis voltados para as famílias carentes do Rio, como o projeto Espaço Coruja, que visa dar auxílio a mães e famílias que trabalham ou estudam no período noturno e precisam deixar as crianças nesse espaço.

Além desse projeto, a Lei Das Casas de Parto, estabelece uma rede de casa de partos, inspirada na Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo, que visa auxiliar e mitigar a morte de mulheres em trabalho de parto. Porém, segundo O Veja, essa lei votada em plenário e promulgada pelo prefeito Crivella, não é cumprida por falta de verba destinada pelo Poder Executivo municipal.

“Assédio não é passageiro” (PL 417/2017) é outro projeto de lei criado por Marielle com o intuito de diminuir o assédio e violência sexual contra mulheres. Os meios de enfrentamento desse projeto de lei é promoção de campanhas educativas e divulgação das políticas públicas voltadas para o atendimento às vítimas.

Andamento das investigações do assassinato

Até o momento, as investigações não conseguiram identificar a motivação do atentado. Durante o processo, foram presos o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio de Queiroz, os quais aguardam júri popular. Ronnie nega sua participação no crime e acusa o chamado “Escritório do Crime”, grupo era organizado pelo ex-policial do BOPE e chefe miliciano Adriano da Nóbrega, assassinado em uma tentativa de fuga da polícia. Ambos respondem por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, numa emboscada e sem dar chance de defesa às vítimas.

Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil em entrevista para a BBC, critica a falta de transparência sobre os obstáculos para a solução do crime: “Autoridades dizem que é um caso complexo, mas por quê? […] Tem muita gente preocupada com essa aparente ineficiência”, diz ela.

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Na última quarta-feira (9), a família da vereadora, juntamente com Anielle Franco, presidente do Instituto Marielle Franco, estiveram na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para acompanhar as investigações sobre o assassinato.

A família lamenta a falta de respostas e se indigna com as trocas de delegado durante todos esses anos. No momento, o caso já está na mão do quinto delegado. “A cada troca, sentimos uma angústia e um aperto no coração. Não só a troca dos delegados, mas a troca das promotoras. É muito difícil ver tantas trocas e pouca coisa sendo feita. Claro, dois suspeitos foram presos. Mas é um crime muito ousado, muito audacioso para a gente seguir sem saber onde foi e como foi”, avaliou Anielle em entrevista ao G1.

Nas vésperas desse quarto aniversário de assassinato da vereadora, de acordo com o Estadão, o Ministério Público (MP) decidiu reexaminar celulares e volta a ouvir testemunhas. Bruno Gangoni, coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-RJ), explicou que será utlizada uma tecnologia de recuperação de mensagens e que a hipótese de crime político ainda não pode ser confirmada.

Além disso, o MP também passou a dar atenção a novas informações dispostas pelo Google e dados do Facebook, a fim de saber pessoas que consultaram a agenda de Marielle em sua página oficial na rede social.