A gordofobia médica negligencia a vida de pessoas gordas diariamente

Gordofobia médica é um ato violento em nome do corpo padrão e coloca em risco a vida de mulheres

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Em 22.03.22 às 17:35

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Em 22.03.22 às 17:35

A gordofobia médica é um tipo de violência sem tanta visibilidade, mas que afeta diariamente as pessoas gordas. É um estigma social que não escolhe raça, gênero ou idade. É caracterizada pelo preconceito ou aversão às pessoas fora do padrão de magreza tão exigido pela sociedade.

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Além do constrangimento, a gordofobia médica pode causar danos psicológicos e físicos, não só afetando a saúde mental da pessoa, mas levando muitas vezes à negligência por parte do corpo médico.

Efeitos colaterais da gordofobia médica

Recentemente, veio a público uma história que choca, a cuiabana Edileny Mayre de Oliveira de 46 anos, procurou atendimento médico, pois se queixava de dores nos seios. Na espera por um acolhimento, a mulher foi vítima de gordofobia e foi mandada embora sem um diagnóstico.

Ainda sentindo dores, Edileny procurou por mais de uma opinião médica, já que sabia que havia algo errado e mais uma vez foi-lhe recomendado que emagrecesse. Ao G1, ela disse: “Fui para casa e com o passar dos tempos, os meus seios cresceram muito e começaram a doer. Até perdi o movimento do braço direito”.

Após tanto sofrimento, ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama e teve que retirar os dois seios. O estágio já estava avançado devido à gordofobia médica que havia sofrido nas tentativas de buscar ajuda.

Mais casos de gordofobia explícita

Sempre envolvido em polêmicas, o apresentador Danilo Gentili utiliza suas redes sociais para fazer piadas que muitas vezes ofendem diversos grupos de minorias. Dessa vez, o alvo foi Thais Carla, influenciadora gorda que entrou na justiça acusando o apresentador de gordofobia. A Justiça da Bahia obrigou Danilo Gentili a apagar suas publicações gordofóbicas.

O ato desprezível não só levou o humorista a apagar as postagens, mas também deverá indenizar a influenciadora que exige R$ 30 mil. A decisão judicial mostra que perseguições virtuais e discursos discriminatórios não devem ser confundidos com humor.

De acordo com Pesquisa Nacional de Saúde, feita em 2019, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 96 milhões de pessoas são gordas, muito embora os termos utilizados para se referir a pessoas gordas sejam pejorativos, como “pessoas acima do peso” ou “obesidade”, que é considerada uma doença. É um número expressivo de pessoas que precisam lutar diariamente para não sofrer violência.