Sociedade

Mulheres do ano: conheça os maiores destaques em 2022

Dicas de Mulher

Elas enfrentam desafios, driblam preconceitos e ajudam outras mulheres a serem protagonistas em diversas áreas

Atualizado em 11.10.23
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As conquistas femininas estão em diversos campos de atuação, especialmente, em áreas majoritariamente masculinas. Em 2022, as mulheres do ano ocuparam cargos de liderança, escreveram seus nomes na história como as primeiras a atuarem em determinados segmentos, criaram projetos sociais e incentivaram o protagonismo.

Um exemplo de protagonismo e empoderamento feminino é o crescente número de empreendedoras na área de tecnologia. Ainda, segundo dados do Banco Nacional de Empregos (BNE) de 2021, mais de 12,7 mil mulheres se candidataram para vagas nessa área, enquanto, em 2020, foram 10.375.

Diante desses números, o Dicas de Mulher apresenta as 10 mulheres do ano que inspiram e encorajam o público feminino a trilhar novos caminhos, derrubar estereótipos e atravessar a linha do preconceito em áreas predominantemente masculina. Além disso, muitas lutam para combater o racismo em ambientes corporativos e para inserir mulheres negras no mercado de trabalho. Confira!

10 mulheres que se destacaram em diferentes áreas

Seja na política, moda, esporte, ativismo, tecnologia, escrita ou comunicação, mulheres inspiradoras estiveram à frente em suas áreas de atuação, demonstrando que podem ocupar o lugar que elas quiserem. Conheça essas incríveis mulheres e saiba como fizeram a diferença em 2022:

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Erika Hilton

Foto: Dilvulgação /Assessoria

Erika Hilton, sem dúvidas, foi um dos grandes destaques em 2022. Ela carimbou seu nome na história ao ser eleita a primeira mulher trans deputada federal, em São Paulo. A parlamentar foi uma das dez candidatas mais votadas do estado, recebendo mais de 250 mil votos.

Antes disso, ela já havia deixado sua marca quando ocupou, em 2020, a cadeira de veradora, na Câmara Municipal de São Paulo, como a mais votada do país. Assim, quebrou padrões, atravessou a linha do preconceito, mostrou que as mulheres na política fazem a diferença e, principalmente, ocupou lugares negados para as pessoas transsexuais.

Além de abrir portas e oportunidades para as pessoas negras e comunidade LGBTQIA +, Erika tem como pauta primordial o enfrentamento da fome e da violência contra a mulher, que atingem diretamente os grupos marginalizados. Em entrevista, ela disse:

“Quando penso em meu projeto político, penso que falo de LGBTs, negritude, mulheres, a partir de uma vertente estereotipada. Minha atuação na Câmara Municipal de São Paulo tratou dessas pautas, mas não se falando do óbvio, do que era esperado. Tratamos de questões como trabalho psicológico, escravidão, imigração, combate à fome, aumento da população em situação de rua, violência contra mulheres”.

Erika Hilton

Renata Silveira

Renata Silveira é jornalista do Grupo Globo. Em sua carreira, coleciona feitos históricos para o jornalismo esportivo feminino. Ela é formada em Educação Física e pós-graduada em Jornalismo Esportivo. Renata foi pioneira no Brasil ao narrar um jogo de futebol feminino, em uma partida da Supercopa, e ao comandar a transmissão de um jogo masculino, ambos os jogos em TV aberta.

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A jornalista foi além, consagrou-se como a primeira mulher a narrar um jogo da Copa na TV aberta brasileira. Ela narrou o jogo entre Dinamarca e Tunísia, em 22/11/2022, na Copa do Mundo do Catar. Apesar dos feitos históricos, a profissional enfrenta diversos desafios em ser uma narradora feminina em um segmento dominado por homens. O principal deles é ter que provar o tempo todo que entende de futebol e que está apta a fazer esse trabalho tão bem quanto eles. Sobre isso ela compartilhou:

“Eu acho que a gente meio que vai educando, normalizando e acostumando as pessoas com a narração feminina e agora quando vem na Globo parece que eu preciso voltar e fazer tudo de novo. Olha gente, eu tô aqui, eu consigo fazer isso, eu posso fazer também. Me dá uma chance, me escuta aí. É um trabalho árduo, a gente tem que se provar o tempo todo, não temos tempo para errar”.

Renata Silveira

Alice Pataxó

Mulher indígena, comunicadora, ativista e influenciadora digital, igualdade de gênero nas aldeias, a vulnerabilidade fora do território, questões sociais, ambientais e básicas, como o acesso à água potável.

Em 2012, Alice teve importante participação na 26ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 26), em Glasgow, na Escócia. Ela viajou ao país motivada pela necessidade de se unir à juventude do mundo para falar sobre essas questões e criar soluções. Além disso, a ativista indígena foi indicada pela paquistanesa Malala Yousafzai para compor a lista das 100 mulheres mais influentes do mundo feita pela BBC. Em suas redes sociais, Alice disse:

“Foi prazer imenso receber essa homenagem, não só pelo trabalho que desenvolvemos na luta por um mundo sustentável no amanhã, mas por ter como reconhecida a importância da participação dos nossos Povos Indígenas para alcançar esse objetivo”.

Alice Pataxó

Lidiane Jones

Foto: Divulgação/Salesforce

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O mundo da tecnologia ainda é dominado por homens, sobretudo em cargos de liderança, entretanto, esse cenário está mudando gradualmente. Lidiane Jones está entre as poucas mulheres que ocupam a liderança de uma empresa de tecnologia global.

Nascida na Zona Leste da capital paulista, Lidiane foi escolhida para ser CEO da Slack, substituindo Stewart Butterfield, co-fundador da empresa. Ela possui uma extensa lista de experiências em seu currículo profissional, além de mais de 20 anos de experiência no mercado de inovação.

A nova líder da Slack já trabalhou como engenheira de software da Microsoft e foi vice-presidente da Salesforce, empresa norte-americana de equipamentos eletrônicos. Nas palavras de Stewart Butterfield, Lidiane é incrível, pragmática, criativa e tem um profundo respeito pela abordagem do produto. Ela está orgulhosa e pronta para encarar o novo desafio. Em seu Twitter, publicou:

“Tenho orgulho de ser nomeada a nova CEO do Slack, aceitando o bastão do atencioso e inovador Stewart Butterfield”.

Lidiane Jones

Luana Génot

Formada em publicidade e propaganda, mestre em Relações Étnico-Raciais, a empresária e escritora Luana Genót luta pela igualdade racial no mercado de trabalho. Após sentir na pele a dificuldade das pessoas negras para ingressar no ambiente corporativo, ela fundou o Instituto Identidades do Brasil.

A organização desenvolve ações para criar uma sociedade mais igualitária, promovendo educação e reduzindo a desigualdade racial no mercado de trabalho. Dessa forma, o instituto oferece consultorias para estimular as empresas a contratarem e incluírem pessoas negras nos ambientes corporativos.

Em maio de 2022, Luana ganhou o Prêmio Empreendedor Social, na categoria Direitos Humanos. O troféu foi entregue por Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, no palco do Teatro Porto Seguro, em São Paulo. Ao receber o prêmio, a empresária declarou:

“Dizer sim à igualdade racial não é só para os negros, indígenas e não brancos, mas um dever de todos. Quando todo mundo dizer sim, a raça não será mais impeditiva para ninguém”.

Luana Génot

Déh Bastos

Foto: Reprodução/LinkedIn

Déh Bastos é publicitária e Diretora de Criação e Conteúdo na Publicis. Ela ganhou visibilidade por ser co-fundadora do projeto “Criando Crianças Pretas”, rede que debate a educação antirracista. A publicitária acredita que a comunicação une as pessoas em sociedade e tem o poder de transformar o mundo.

Débora começou a usar a internet como ferramenta para educar crianças negras e antirracistas. Além disso, por meio do projeto, escolas e empresas recebem orientações com palestras, que alcançam crianças, adolescentes e adultos.

Segundo a publicitária, não é um trabalho fácil, mas a educação antirracista é essencial para combater ativamente qualquer expressão preconceituosa em todas as fases da vida. Ao Dicas de Mulher, ela disse:

“Uma criança não nasce racista, homofóbica, machista… mas aprende muito cedo a reproduzir todas essas opressões sociais. Crianças precisam de referências de histórias contadas de todos os pontos de vistas possíveis, e é essa pluralidade que faz uma pessoa crescer respeitando as diferenças”.

Déh Bastos

Karine Amâncio

Nascida em São Paulo, Karine Amâncio é formada em Jornalismo e, desde pequena, sempre quis trabalhar com comunicação e moda. Ela iniciou sua carreira como jornalista em uma TV no interior do estado, mas retornou à capital em busca dos seus sonhos. Atualmente, atua no segmento da moda de luxo – lugar onde as mulheres negras ainda são minoria.

Em 2022, Karine foi pela primeira vez à Semana de Moda de Paris – um momento muito especial em sua carreira. Foi importante representar muitas mulheres negras, mostrando ser possível que elas ocupem espaços mesmo com tantas adversidades e preconceitos.

A jornalista enfrentou muitos desafios, porém a força de vontade em aprender e se aprimorar na área foram essenciais para alcançar os seus objetivos. Ao Dicas de Mulher, Karine disse:

“Apesar de trabalhar há 10 anos com comunicação, ainda não tinha experiência com o mercado de luxo, e um dos fatores mais relevantes foi a oportunidade que me deram para desenvolver o meu talento. As empresas precisam ter esse olhar de identificar uma pessoa com garra e habilidades para dar oportunidades, isso muda o mundo”.

Karine Amâncio

Eloísa Bonfá

Foto: Divulgação/Assessoria

Eloísa Bonfá é reumatologista, especialista da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Em 2022, ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir a direção da Faculdade de Medicina em 110 anos de existência. Esse feito é importante para abrir caminhos e aumentar a representatividade feminina em cargos de liderança.

A reumatologista encara essa oportunidade como um grande desafio e tem muitas expectativas. Além disso, é uma forma de trazer um novo olhar para as tomadas de decisões, pois, para ela, a diversidade de experiências pode ser um grande trunfo para a instituição. Ao Dicas de Mulher, Eloísa disse acreditar que:

“A mudança de cultura já está ocorrendo e que esse espaço será ocupado pela capacidade de liderar a instituição e promover o seu desenvolvimento acadêmico, científico e social, independentemente da identidade de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou qualquer outra característica individual”.

Eloísa Bonfá

Annie Ernaux

Foto: Divulgação/FLIP

Uma mulher na literatura, Annie Ernaux é professora universitária e escritora famosa. Ela escreveu 20 livros, entre eles, “Os anos”, “O lugar” e “O acontecimento”. Seus romances ficaram conhecidos por abordarem questões de gênero e classe.

O ponto alto da sua carreira foi quando recebeu o prêmio Nobel de Literatura de 2022. Com esse feito, ela tornou-se a primeira mulher em seu país a alcançar esse reconhecimento. Além disso, a escritora é a 17º pessoa a receber o prêmio desde a sua criação em 1901. Aos 82 anos, Annie ficou surpresa com a conquista e decolarou:

“Eu nunca pensei em obter esse prêmio, para mim, bastava escrever, publicar e ser lida, nesta ordem. O fato de ser a primeira francesa é o que mais me toca. Porque na França, em particular, a literatura é considerada uma coisa masculina”.

Annie Ernaux

Francia Márquez

Francia Márquez também está entre as mulheres do ano de 2022. A ativista dos direitos humanos, advogada e mãe solo, tornou-se a primeira mulher negra a ser eleita vice-presidente na Colômbia. De origem humilde, ela nasceu em Suárez, no sudoeste colombiano, e já trabalhou como doméstica.

A vice-presidente é símbolo político nas regiões periféricas da Colômbia e se destacou ao conquistar a posição. Ela foi eleita por milhares de eleitores menos favorecidos que almejam mudanças socioeconômicas no país.

Em agosto de 2022, Márquez fez parte do primeiro governo de esquerda da Colômbia e levou representatividade feminina e negra para um país historicamente comandado pela elite masculina e branca. Em suas palavras:

“Avançamos em um passo muito importante. Depois de 214 anos, conseguimos um governo do povo, um governo popular, o governo do povo com as mãos calejadas, o governo do povo comum, o governo dos ninguéns da Colômbia”.

Francia Márquez

As mulheres do ano brilharam, fizeram história e deram mais um passo na luta contra o machismo e outras opressões. Embora estejam em áreas diferentes, todas têm em comum a defesa do direito das mulheres e a busca por uma sociedade mais justa.

Cada realização rememora as mulheres que lutaram antes de nós, empodera as mulheres que estão lutando e lança luz ao horizonte. Assim, por meio do feminismo, resistência e interseccionalidade, constrói-se uma esperança: o futuro é nosso, mulheres!

Formada em Letras e pós-graduada em Jornalismo Digital. Apaixonada por livros, plantas e animais. Ama viajar e pesquisar sobre outras culturas. Escreve sobre diversos assuntos, especialmente sobre saúde, bem-estar, beleza e comportamento.