Minha filha menstruou, e agora?

Saiba como agir quando chegar o momento da sua filha passar por esta importante transformação na vida da mulher

Escrito por Deborah Busko

Se nas gerações anteriores as meninas menstruavam entre 14 e 16 anos, hoje entre 9 e 13 anos a primeira menstruação ou menarca, como é chamada, pode vir a qualquer momento. Mesmo parecendo precoce, os pais só devem se preocupar com a primeira menstruação das meninas caso ela apareça antes dos oito anos de idade.

Antigamente, a maioria das meninas era pega de surpresa e não entendia o que estava acontecendo. Hoje, as adolescentes aprendem em casa ou na escola que a menstruação é uma mudança biológica natural e que toda menina um dia enfrentará.

No entanto, menstruar pela primeira vez ainda é uma experiência que vem acompanhada pelo medo, vergonha e muitos questionamentos. Sem contar o desconforto com as cólicas e com o uso do absorvente. A maioria não gosta que o pai saiba e esconde a “novidade” até das amigas mais próximas.

E não são só as pré-adolescentes que sofrem com a primeira menstruação. Os dilemas envolvendo o assunto também deixam muitas mães em dúvida sobre como agir diante da situação.

Como devo agir?

Encare com naturalidade a primeira menstruação da sua filha. Por mais emocionante que seja o momento, não é preciso fazer festa, dar presentes e muito menos sair espalhando para toda a família. A menarca é um momento íntimo e precisa ser respeitado.

Cada garota lida com a situação de maneira diferente. Portanto, se sua filha não aceitar muito bem a novidade, evite dizer frases como “pare de frescura” ou “não estamos mais no tempo da sua avó”.

O que a menina precisa neste momento é de segurança e de um tempo para se acostumar e aceitar a menstruação com tranquilidade.

Lembre-se que você também já passou por isso e aproveite o momento para conversar com ela e dar dicas sobre a importância de cuidar da saúde íntima, sobre relações sexuais. Explique que o corpo dela agora está preparado para gerar uma criança e que aquele sangue é o resultado do desprendimento de células que foram produzidas para forrar o útero como um “acolchoado” óvulo que, se for fecundado, dará origem a um feto. Quando o útero não recebe um óvulo fecundado, se desprende e é eliminado pelo organismo.

Não se esqueça de frisar que é um processo natural, que acontece com todas as mulheres. Se achar que estes assuntos são delicados demais para você, o ginecologista pode ajudar. Lembrando que quando ocorre a menarca o ideal é levar a menina ao médico, mas ela ainda não precisa fazer exame ginecológico, somente quando passar a ter atividade sexual.

Consultas e exames

Leve sua filha à primeira consulta ginecológica, mas deixe que ela entre na sala da médica sozinha, afinal, ela pode querer perguntar coisas que não se sente à vontade quando você está próxima. Orientações médicas são sempre muito bem vindas!

Independente da idade, é essencial realizar o check-up, pelo menos, a cada seis meses. Fale sobre esses cuidados à sua filha e sugira que ela vá ao médico de sua confiança.

Na prática

A executiva de contas Luciane Lourenço conta que preferiu explicar com detalhes o assunto quando a sua filha menstruou pela primeira vez. “Eu preferi mostrar tudo o que acontece no corpo da mulher durante a menstruação. Comentei também sobre a importância de se cuidar e inclusive sobre relações sexuais com segurança”, diz.

Para isso, trouxe um livro bastante didático, mostrando todo o processo. “Eu e minha filha sentamos na sala e eu fui explicando todo o funcionamento. Mas para fazer isso, pedi orientações do meu ginecologista que me sugeriu ter essa atitude durante uma das fases mais importantes da minha filha”, conta. E para ela, foi bastante emocionante. “Conforme eu ia explicando à minha filha, ela foi entendendo, fazendo mais perguntas e acabamos passando horas juntas conversando. Acho que toda mãe deveria fazer isso, é uma experiência fantástica”, comenta.

Sejam amigas

É importante que vocês conversem sobre todos os assuntos. “A mãe deve ser amiga da filha antes de qualquer coisa. Claro que o ciúmes e a preocupação leva a um certo distanciamento, mas é preciso saber conversar sobre todos os assuntos. Eu fiquei receosa sim no início, mas fui pedir orientações profissionais e hoje, eu e a minha filha sabemos lidar com todas as situações juntas”, comenta Luciane.

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