Lipoescultura: como é o procedimento, resultados e depoimentos

Além da lipoaspiração de várias partes do corpo, utiliza-se enxerto da própria gordura aspirada para dar mais forma à silhueta

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Algumas vezes, o desejo de eliminar a “incômoda gordura localizada” em uma parte ou mais partes do corpo não tem sucesso apenas com uma dieta equilibrada e com a prática de exercícios físicos. Paralelamente a isso, a pessoa pode sentir vontade de “modelar” ou até aumentar algumas partes do corpo. Nesse caso, então, a lipoescultura pode ser indicada.

“É a lipoaspiração de várias partes do corpo, com o objetivo de dar um contorno mais harmônico ao corpo. Em alguns casos específicos, também se utiliza enxerto da própria gordura do paciente”, destaca Marcelo Moreira, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Moreira explica que a lipoescultura pode ser feita em praticamente todas as partes do corpo. “A principal situação é corrigir aquela gordura localizada que a paciente não está satisfeita, e que não conseguiu eliminar com exercícios físicos, ou a falta de harmonia das partes do corpo”, diz.

Pode-se dizer que são boas candidatas à lipoescultura: pessoas que possuem gordura localizada mesmo estando no seu peso ideal ou próximo dele, e, ao mesmo tempo, que tenham falta de volume em alguma outra área do corpo. Vale lembrar que esse tipo de cirurgia é feito para remodelar o corpo, mas não para emagrecer.

Como é feita a cirurgia?

Vista como uma “cirurgia artística”, neste tipo de procedimento, o cirurgião retira a gordura de áreas que a têm em excesso (faz a lipoaspiração) e, em alguns casos, através de um processamento dessa gordura lipoaspirada, a utiliza para corrigir áreas de depressões e promover um contorno corporal que agrade a paciente, por exemplo, ressaltando curvas e aumentando o tamanho do bumbum (se indicado).

Leia também: 10 curiosidades interessantes sobre o silicone

Moreira explica que a cirurgia geralmente dura de uma a três horas, dependendo da quantidade de gordura a ser lipoaspirada.

“São utilizadas cânulas para lipoaspirar a gordura. Cada parte do corpo tem uma cânula específica. Por exemplo, a cânula utilizada nas costas tem 5mm. No abdômen, de 3 a 4mm. É feita uma incisão de meio centímetro, e a cânula é introduzida para aspirar. Depois, caso seja necessário, é realizado o enxerto da gordura do próprio paciente”, explica Moreira.

“Normalmente é utilizada a anestesia geral que, ao contrário, do que a maioria das pessoas pensa, é uma anestesia mais segura que a anestesia local com sedação. O tempo de internação é, normalmente, de 24 horas”, destaca o cirurgião.

As cicatrizes tendem a ser pequenas e, geralmente, se localizam em “áreas escondidas”, por exemplo, sob a marca do biquíni, dentro do umbigo, no sulco mamário.

Como qualquer cirurgia, a lipoescultura oferece riscos. “Por isso, ela deve ser feita em ambiente hospitalar, com suporte de terapia intensiva, e também é fundamental que seja realizada por cirurgiões plásticos, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica”, ressalta Moreira.

Leia também: 8 inovações em produtos de beleza que estarão disponíveis em breve

De acordo com nossas pesquisas, a lipoescultura pode custar entre R$5 mil a R$12 mil. Mas vale destacar que o preço varia muito de acordo com o local onde a cirurgia será realizada. Além disso, os cirurgiões plásticos não podem falar em valores, por regras do CFM (Conselho Federal de Medicina).

Pré e pós-operatório: preparação e cuidados

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Moreira explica que, numa primeira consulta, longa e detalhada, o cirurgião deve conversar sobre os desejos e anseios do paciente. “Cabe a nós, médicos, fazermos um diagnóstico e propormos um tratamento cirúrgico ou clínico”, diz.

Depois, de acordo com Moreira, dá-se continuidade à preparação, solicitando-se exames pré-operatórios pertinentes.

Principais cuidados pré-operatórios

Moreira destaca:

Leia também: 10 ótimos motivos para deixar de fumar

  • A alimentação deve ser balanceada e pobre em gorduras saturadas, açúcar refinado e produtos industrializados.
  • Devem ser consumidos alguns nutrientes favoráveis ao processo de cicatrização, como Vitamina A, E, B1, C, Magnésio e Zinco, que podem ser conseguidos através de: cenoura, queijo, fígado, abóbora, sardinha, gema de ovo, manga, tomate, semente de girassol, algodão e soja, óleo de semente de açafrão, óleo de soja, azeite de oliva, banana, couve, manteiga, nozes, carnes, amendoim, óleo de coco, gergelim, linhaça.
  • A dieta deve conter muita fibra, pois este cuidado evita o aparecimento de cólicas e da constipação intestinal no pós-operatório (frutas, vegetais, pão integral, nozes, legumes, cereais integrais e farelos).
  • Devem ser consumidos alimentos com ferro, para evitar anemia e a dificuldades de cicatrização.
  • O consumo de mamão é uma boa pedida, pois a papaína encontrada na fruta é boa para a circulação, e ainda tem propriedades cicatrizantes.
  • O consumo de boa quantidade de água é muito indicado.
  • Devem ser evitados alimentos muito salgados ou picantes, pois são responsáveis por causar retenção de líquidos (pimentas caienas e malagueta, cebola, alho, rabanete, gengibre, alimentos condimentados em geral).
  • Devem ser evitados doces (bolos, tortas, chocolates), pois eles prejudicam a cicatrização.
  • Não devem ser utilizados medicamentos para emagrecer (inibidores do apetite), que eventualmente estejam sendo usados, por um período de um mês antes do ato cirúrgico.
  • Não devem ser consumidas bebidas alcoólicas.
  • É recomendada a parada com o cigarro no mínimo 15 dias antes da cirurgia e a suspensão de alguns medicamentos que possam alterar o resultado da cirurgia. Tais medicamentos serão informados pelo médico.
  • Deve ser feito jejum na noite anterior à cirurgia após uma janta leve, conforme orientações do médico.

Principais cuidados pós-operatório

Moreira destaca como principais orientações para o pós-operatório:

  • Evitar doces e chocolate, pois são alimentos que não contribuem para a digestão e oferecem gorduras e açúcares em grande quantidade. Interferem ainda na produção de colágeno e ajudam a aumentar a flacidez.
  • Evitar leite e derivados que podem causar prisão de ventre, gases e impedir a absorção de nutrientes essenciais nessa fase.
  • Evitar o consumo de gorduras saturadas ou trans, como salgadinhos de pacote, batata frita, a maioria das margarinas, pipoca de micro-ondas, bolos, tortas industrializados e bolachas recheadas.
  • Evitar a cafeína (café, refrigerantes de cola, chá preto).
  • Evitar o consumo de carne vermelha, pois esta dificulta a digestão, causa desconforto, sobrecarrega rins e fígado e ainda gera desequilíbrio entre as bactérias boas e nocivas que vivem no intestino (levando à prisão de ventre).
  • Evitar alimentos fermentativos, como feijão, lentilha, grão-de-bico, repolho e massas.
  • Não consumir bebidas alcoólicas, pois álcool e remédio não combinam! A ingestão pode alterar o efeito dos medicamentos, potencializar suas propriedades provocando reações indesejáveis ou, simplesmente, não resolver o problema.
  • Evitar o sal (embutidos, defumados, molhos prontos).
  • Consumir vitamina C, encontrada em frutas, principalmente em morango, laranja, goiaba, acerola e limão, e nas verduras, no pimentão verde e no tomate.
  • Consumir água, sucos naturais, com melão, abacaxi e melancia. Tais bebidas ajudam a hidratar o organismo, compensar a perda de líquidos e diminuir o inchaço.
  • Consumir probióticos (iogurte e leite fermentado), que contêm micro-organismos que ajudam no equilíbrio da flora intestinal.
  • Comer ovo, que fornece proteínas (fazem a reconstrução dos tecidos perdidos durante a cirurgia).
  • Consumir abóbora, cenoura, damasco, manga, espinafre, couve, tomate e uva, que são alimentos ricos em ativos com propriedades antioxidantes, que bloqueiam a ação dos radicais livres (liberados durante a plástica).
  • Comer castanha do Pará, que traz selênio, um poderoso elemento antioxidante.
  • Consumir salmão e atum que, além de possuírem grande quantidade de proteínas, oferecem gorduras boas, ricas em Ômega 3, que ajudam a prevenir inflamações.
  • Consumir fibras, que melhoram a função intestinal, além de diminuírem os níveis de colesterol. Boas opções: verduras, legumes, mamão, ameixa, nectarina e cereais integrais.
  • Tomar bastante de água, cerca de dois a três litros por dia.

Resultados: o que esperar da lipoescultura?

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Moreira destaca que o paciente pode esperar um resultado mais harmônico do corpo.

Marco Cassol, cirurgião plástico especialista em face, ressalta que é importante que a pessoa saiba que a lipoaspiração em geral não é cirurgia para emagrecer. “O paciente deve estar no peso ideal para realizar a retirada de gordura localizada”, diz.

Ainda de acordo com Cassol, o resultado da lipoescultura aparece, em média, depois de quatro meses.

Leia também: 8 hábitos que causam rugas

“Nos locais onde retiramos muita gordura nunca mais acontece acúmulo de gordura. Mesmo assim, o paciente deve manter uma dieta hiperproteica para ajudar a manter o resultado da cirurgia”, ressalta Cassol.

Perguntas e respostas sobre a lipoescultura

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Confira os esclarecimentos para as principais dúvidas sobre lipoescultura:

1. Qual a diferença entre lipoaspiração e lipoescultura?

“Lipoescultura é a lipoaspiração com enxerto de gordura em algum local do corpo. Ou seja, retira-se a gordura de um lugar e se coloca em outro. A lipoaspiração refere-se somente à retirada de gordura por cânulas que fazem a sucção”, explica Cassol.

2. Para quem é indicada a lipoescultura?

“Ela é indicada, basicamente, para os pacientes que precisam preencher algum lugar do corpo ou do rosto com gordura”, diz Cassol.

Vale reforçar que a lipoaspiração e a lipoescultura não são cirurgias indicadas para quem deseja emagrecer. A pessoa deve estar no peso ideal para retirar a gordura localizada de determinadas partes do corpo.

3. A lipoescultura é dolorida? E o pós-operatório?

A recuperação é semelhante à recuperação da lipoaspiração, de acordo com Cassol. “O desconforto é proporcional à retirada de gordura. Quanto mais aspiramos, maior é o desconforto”, diz.

Vale ressaltar que a ideia de dor e de desconforto é muito relativa. Algumas pessoas podem sentir mais; outras, menos.

4. Pode-se associar outra cirurgia (como colocação de silicone) à lipoescultura?

Normalmente não se associa outra cirurgia com a lipoescultura, de acordo com Cassol.

Marcelo Moreira explica que a colocação de silicone, por exemplo, na mesma cirurgia, até é possível. “Mas só é definido após a realização de exames clínicos, e a liberação do clínico”, destaca.

5. Preciso fazer drenagem após a lipoescultura?

“Drenagem linfática é sempre indicada no pós-operatório, pois ajuda a desinchar e a modelar a gordura”, destaca Cassol.

6. O que é a minilipo?

“Minilipo é exatamente a mesma coisa que a lipoaspiração, só que realizada no consultório (sem os cuidados de um hospital) e com anestesia local (paciente acordado e sentindo toda a manipulação)”, diz Cassol.

Ela é considerada uma lipoaspiração pequena, realizada por partes, com volume menor lipoaspirado.

7. Posso fazer a lipoescultura antes de engravidar?

Deve, de acordo com Cassol. “Pacientes que começam a gestação na melhor condição física conseguem manter o melhor resultado e recuperação após a gestação”, diz.

8. Se eu engordar alguns quilos depois, vou perder o resultado da lipoescultura?

“Não perde o resultado, pois onde foi retirado muito tecido gorduroso, o tecido nunca volta a crescer como antes. Mas as outras áreas do corpo acabam sofrendo acúmulo de gordura”, destaca Cassol.

9. Qual o risco de complicações na lipoescultura?

“O mais grave e mais raro é a embolia pulmonar. Mas outros riscos menores sempre existem, como em qualquer cirurgia. Por isso os cuidados de fazer a lipoescultura em hospital preparado, com anestesista especializada e cirurgião plástico qualificado”, ressalta o cirurgião plástico Cassol.

10. Quando poderei voltar a me exercitar depois da lipoescultura?

De acordo com Cassol, em torno de dois meses após a cirurgia.

11. Quando poderei voltar a trabalhar depois da lipoescultura?

Em torno de uma semana depois da cirurgia, de acordo com Cassol.

Depoimentos de quem já apostou na lipoescultura

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Maria Cristina Deronsi, 43 anos, manicure, fez a cirurgia e considerou o pré-operatório tranquilo. “Basicamente, tive que ficar em jejum, pois tive que tomar anestesia geral. Mas, no pós-operatório, ‘o bicho pega’: a pele parece que foi queimada, fica ‘repuxando’. Já faz quase noves meses que fiz e ainda sinto a pele repuxar”, relata.

“Tive que usar cinta compressora por dois meses. Mas, na verdade, não é uma coisa muito dolorida, mas é uma sensação chata”, comenta Maria Cristina.

Rafaela Maria Roncato, 30 anos, jornalista, relata que fez a lipoescultura pois, após ter perdido 15 quilos, ainda não se sentia totalmente satisfeita com o corpo. “Emagreci fazendo dieta e exercício. Mas ainda tinha algumas gordurinhas que me incomodavam, especialmente no abdômen, pernas e braços. Também era incomodada com meu bumbum, pois achava que ele não era proporcional ao restante do meu corpo. Com a lipo, fiquei com mais curvas e me sinto ótima, adorei o resultado. Acho que tudo vale a pena quando a gente tem certeza do que quer”, diz.

Se você tem vontade de fazer uma lipoescultura, lembre-se que, em primeiro lugar, deve procurar um cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Converse abertamente com ele, tirando todas suas dúvidas e falando sobre suas expectativas, bem como ouvindo com atenção todas as orientações e informações passadas por ele. Esses cuidados são fundamentais para garantir segurança e que o resultado da cirurgia, de fato, seja positivo.

Para você