Leucemia: conheça as causas, sintomas e saiba se a doença tem cura

Escrito por Ana Kordelos

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Um dos tipos de cânceres mais conhecidos, a leucemia é uma doença maligna que ocorre nas células sanguíneas, mais especificamente nos glóbulos brancos. Interferindo na formação destas células, esta dificulta a capacidade do organismo de combater infecções.

De acordo com a médica hematologista Dra. Maria Rita Ribeiro, integrante da clínica especializada em oncologia Oncomed, segundo dados atualizados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em nosso país as leucemias ocupam a 9ª e 10ª posições entre os cânceres mais frequentes em homens e mulheres, respectivamente. Assim como a maioria dos tipos de câncer, conhecer a doença, seus sinais e sintomas pode ser essencial para o diagnóstico precoce e a busca pelo tratamento ideal.

O que é leucemia?

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Conforme a hematologista Dra. Maria Rita revela, a leucemia pode ser definida como um tipo de câncer do sangue, originado na medula óssea. Esta se localiza na região popularmente chamada de “tutano do osso”, sendo responsável pela produção de todas as células sanguíneas, desde as hemácias ou glóbulos vermelhos, encarregados do transporte de oxigênio para todo corpo, as plaquetas, que participam do processo de coagulação e evitam sangramentos, “até os leucócitos ou glóbulos brancos, responsáveis pelo sistema imune do organismo, nos defendendo contra as infecções”.

A profissional explica que a leucemia surge quando os leucócitos ou glóbulos brancos, sofrem alguma alteração, passando a se multiplicar de forma errônea e descontrolada, perdendo a função de defesa e se transformando em células cancerígenas.

“Dependendo da velocidade de multiplicação dessas células, podemos classificá-las em leucemia aguda, quando esse processo se dá de forma rápida, ou leucemia crônica, quando essa multiplicação ocorre de forma lenta e muitas vezes assintomática”, informa a especialista.

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A hematologista ainda explica que o prognóstico da leucemia irá depender do tipo de célula sanguínea afetada e se a leucemia é aguda ou crônica. “Para cada tipo de célula do sangue que é afetada, existem diferentes tipos de leucemia”, resume.

Para facilitar o entendimento da doença, a profissional enumera os tipos de células sanguíneas, citando os glóbulos brancos ou linfócitos, células que combatem a infecção, o tipo mais comum de células do sangue que se tornam câncer, os glóbulos vermelhos e as plaquetas.

A médica ainda destaca sua grande incidência, onde é estimado cerca de 5940 casos novos de leucemia em homens e 4860 em mulheres para cada ano do biênio de 2018-2019. “Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,75 casos novos a cada 100.000 homens e 4,56 casos novos para cada 100.000 mulheres.

Sinais e sintomas da leucemia

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Como é uma doença que ocorre a nível sanguíneo, a leucemia possui sinais e sintomas sutis em seu início. Confira alguns deles de acordo com a hematologista:

  • Cansaço, fraqueza, desânimo, prostração e palidez cutânea, normalmente secundários a anemia, causados pela redução da produção de hemácias ou glóbulos vermelhos.
  • Sangramentos ou surgimento de hematomas frequentes (manchas roxas), decorrentes do baixo número de plaquetas.
  • Febre e infecções, já que as células doentes não cumprem o papel esperado de defender do organismo.
  • Dor óssea, pela intensa multiplicação das células doentes que ocorre no interior do osso.
  • Aumento do tamanho de gânglios, baço e fígado.
  • Perda do apetite e emagrecimento rápido.

Os principais sintomas da leucemia são decorrentes da intensa multiplicação dessas células doentes na medula óssea com consequente redução da produção das outras células sanguíneas.

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Causas e fatores de risco da leucemia

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Com causa desconhecida na grande maioria das vezes, a Dra. Maria Rita revela que esta doença pode estar relacionada a fatores de risco ocupacionais, agentes infecciosos específicos, desordens genéticas, exposição a radiação ionizante e a agentes químicos, e até tratamentos quimioterápicos.

“Na grande maioria dos casos, não há uma correlação de hereditariedade, porém existem estudos que mostram que possa haver sim correlação com herança genética, principalmente nos casos de Leucemia Linfoide Aguda”, evidencia a médica.

Confira alguns dos fatores de risco mais frequentemente associados à leucemia de acordo com a profissional:

  • Distúrbios genéticos como a Síndrome de Down.
  • Exposição a agentes químicos, sendo o principal deles o benzeno.
  • Exposição a agentes quimioterápicos para quem já realizou tratamento de câncer anteriormente.
  • Tratamento prévio com radioterapia, principalmente em região torácica e pélvica.

Apesar de não possuir uma causa determinada, é possível prevenir esta doença ao evitar os fatores de risco mais associados à mesma, ou buscar acompanhamento médico no caso de estar inserido em um grupo de risco.

Tipos de leucemia

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Dividida em quatro grupos diferentes, os tipos de leucemia variam sua faixa etária e forma de desenvolvimento. Conheça cada um deles de acordo com a explicação da Dra. Mara Rita.

  • Leucemia linfoide aguda: também conhecida como LLA, é mais comum em crianças e adultos jovens. Um dos tipos de câncer mais frequentes em crianças, possui altas chances de cura completa.
  • Leucemia mieloide aguda: também conhecida como LMA, este tipo representa 80% das leucemias agudas nos adultos e 15 a 20% das leucemias agudas da infância. Aqui o câncer acaba tacando as células mieloides, antes mesmo destas se desenvolverem em células de defesa do corpo.
  • Leucemia linfoide crônica: também conhecida como LLC, ela é mais comum em adultos, com evolução clínica arrastada, podendo atingir diferentes células do sangue e diferentes tecidos.
  • Leucemia mieloide crônica: também conhecida com LMC, é o tipo de leucemia mais comum em adultos. De caráter silencioso, o paciente pode passar meses ou anos sem sintomas significativos, posteriormente entrando em uma fase em que as células defeituosas cresçam mais rapidamente.

Além destes tipos, ainda é possível encontrar leucemias mais raras, relacionadas ao sistema linfático, como a leucemia linfocítica granular T ou NK, leucemia agressiva de células NK, leucemia das células T do adulto e leucemia de células pilosas.

Diagnóstico da leucemia

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Conforme a hematologista orienta, para realizar o diagnóstico de leucemia, é necessário fazer um exame de medula óssea conhecido como mielograma. Nele, o especialista colhe uma amostra de sangue diretamente da medula óssea, com o intuito de analisar como está a produção das células sanguíneas, identificando através dessas amostras, a presença de células doentes.

O diagnóstico positivo para leucemia deve ser suspeitado por qualquer médico na presença de alterações no hemograma como anemia, plaquetas baixas, leucócitos muito baixos ou muito altos e o início agudo de sintomas como dor óssea associada a sangramentos e/ou palidez cutânea. “No entanto, o profissional responsável por realizar o diagnóstico deve ser o hematologista, médico especialista em doenças do sangue”, conclui a profissional.

Formas de tratamento para a doença

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Uma boa notícia é que esta doença tem cura, “principalmente as leucemias do tipo aguda. Sendo assim, o diagnóstico precoce e o rápido início do tratamento são essenciais para o sucesso do tratamento e, portanto, para sua cura”, ressalta Dra. Maria Rita.

De acordo com a profissional, o tratamento ideal é diferente para cada um dos tipos de leucemias. “As leucemias agudas precisam de tratamento imediato, baseado em quimioterapia que, na grande maioria dos casos, é realizada em hospitais. O paciente fica internado para receber todo o suporte, incluindo quimioterapia, transfusões de sangue e tratamento de infecções, muito comuns nestes pacientes”.

Além disso, podem haver casos específicos que necessitam de transplante de medula óssea para atingir a cura, “lembrando que o transplante só ocorre após o tratamento quimioterápico e só é indicado para situações específicas”, alerta a médica.

Já a abordagem nos casos das leucemias crônicas, é um pouco diferente. Conforme informa a hematologista, na LMC, o tratamento deve ser iniciado ao diagnóstico, sendo que este dependerá do tipo de fase que o paciente apresenta a doença.

Em sua fase crônica e acelerada, o tratamento é realizado com uso medicações orais que atuam bloqueando a alteração genética que leva à multiplicação das células doentes. Já na fase blástica, esta se comporta como uma leucemia aguda, e o tratamento será semelhante ao tratamento deste tipo de leucemia.

Em relação à leucemia do tipo LLC, a médica explica que só há indicação de tratamento nos casos em que há um aumento rápido das células doentes no sangue ou quando a doença desenvolve sintomas como cansaço, perda de peso, febre, aumento dos gânglios, aumento do baço, anemia ou plaquetas baixas.

“Nestes casos é indicado o início do tratamento quimioterápico, realizado em clínicas, sem a necessidade de internação, na grande maioria dos casos, por um período curto, com o objetivo de estabilizar a doença, pois infelizmente ainda não temos cura para a LLC”, adiciona Dra. Maria Rita.

A especialista ainda revela que o tipo de tratamento utilizado pode ser repetido ou modificado ao longo do tempo, dependendo do tempo de retorno dos sintomas.

Lidando com a leucemia

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Assim como outros tipos de câncer, o diagnóstico positivo de leucemia pode afetar a saúde mental e emocional do paciente e de seus entes queridos. Por isso, a hematologista dá algumas dicas para facilitar este perído:

  • Suporte psicológico: “Os pacientes que recebem o diagnóstico de leucemia, independente do subtipo, precisam de um suporte psicológico adequado, pois se trata de uma doença aguda, que modifica a vida do paciente da noite para o dia, tendo ele que deixar tudo de lado para se dedicar exclusivamente ao tratamento, o qual pode ser muito longo, podendo atingir até 2 anos”, evidencia a médica. Existem grupos de apoio tanto físicos quanto online que podem ajudar o paciente a passar por este período difícil.
  • União da família: nestes casos, a família possui um papel primordial, tanto no suporte psicológico, quanto no suporte terapêutico. Durante tratamento, o paciente precisará de acompanhante na maioria das vezes.
  • Familiares estáveis emocionalmente: a grande participação dos familiares no tratamento faz com que o suporte psicológico também tenha que ser ampliado para estes.
  • Seguir as orientações médicas: o sucesso do tratamento está ligado a este fator, sendo “de extrema importância seguir todas as recomendações dadas pelos médicos, nutricionistas, enfermeiros e demais profissionais envolvidos no processo”, alerta Dra. Maria Rita.
  • Pensamento positivo: apesar do tempo prolongado, a profissional orienta ao paciente focar toda sua atenção para o tratamento, sempre pensando de forma positiva para que o tratamento não seja tão sacrificante, e que o objetivo final, a tão sonhada cura, possa vir da forma mais leve possível.

Para os familiares, uma boa dica é buscar se informar sobre a doença. Busque juntamente ao paciente as melhores opções de tratamento e uma visão positiva que facilite o longo processo até a cura.

Assim como os outros tipos de câncer, conhecer seu mecanismo de ação, fatores de risco, sinais e sintomas pode garantir um diagnóstico mais rápido da leucemia, facilitando seu tratamento e eventual cura.

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