Jogo da baleia azul: como proteger seu filho desta ameaça

Proibir o uso das redes sociais não é uma forma eficaz de proteger seu filho. Saiba quais atitudes você deve tomar

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

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Você certamente já ouviu falar sobre o “Jogo da Baleia-Azul”, uma série de 50 desafios que pessoas desconhecidas dão a adolescentes por meio das redes sociais e que termina com o suicídio do jovem.

A princípio, o jogo não passava de um boato na Rússia, mas algumas pessoas fizeram com que ele se tornasse real.

Pela internet, em aplicativos como o Facebook e o WhatsApp, essas pessoas ordenam que os adolescentes participantes cumpram desafios como cortar mãos, braços e pernas, desenhar uma baleia no corpo com uma lâmina, acordar de madrugada para assistir a filmes de terror e, finalmente, cometer suicídio.

Em média, os jovens atraídos pelo Jogo da Baleia-Azul têm entre 12 e 14 anos. Além da natural imaturidade, outro motivo que dificulta muito que os adolescentes interrompam os desafios são as constantes ameaças dos “curadores” do jogo, que prometem até mesmo assassinar a família do jovem.

No Brasil, alguns casos de suicídio e tentativa de suicídio entre adolescentes têm sido associados ao crescimento desse jogo, o que vem deixando os pais muito preocupados com a possibilidade de seus filhos serem vítimas de pessoas mal-intencionadas.

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Confira algumas dicas para ajudar seu filho a se manter longe do Jogo da Baleia-Azul e para protegê-lo das ameaças:

1. Tenha uma conversa franca e sem sermão

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Embora o assunto seja motivo de grande preocupação, ele deve ser tratado com serenidade. Uma boa ideia é começar perguntando ao seu filho se ele já ouviu alguma coisa a respeito do Jogo da Baleia-Azul para introduzir a conversa.

Evite dar sermões e censurar a conversa, pois isso pode fazer com que o adolescente omita informações, algo como “se meus pais vão surtar, é melhor eu ficar quieto sobre o que aconteceu com meu colega”.

2. Tenha em mente: a culpa não é da internet

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Proibir que o jovem acesse as redes sociais não apenas vai deixá-lo revoltado como também é uma medida ineficaz. Você pode até evitar que ele entre em contato com o Jogo da Baleia-Azul, mas ele não estará preparado para enfrentar outras ameaças semelhantes que podem surgir durante a vida.

Apesar de ser uma ameaça que começa pela internet, as redes sociais são apenas o meio por onde o perigo vem, e não sua verdadeira causa. Por isso, a melhor saída é promover o diálogo e ensinar seu filho a reconhecer as ameaças para poder evitá-las.

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3. Apesar disso, monitore o uso das redes sociais

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Mesmo que a internet em si não seja a fonte do problema, é claro que o uso desse meio deve ser monitorado pelos pais. É necessário saber quais sites seu filho acessa, em que horário e por quanto tempo.

Ensine seu filho sobre quais informações ele deve ou não compartilhar na internet. Nome completo, telefone, endereço, escola onde estuda, nome e profissão dos pais, por exemplo, não devem ser expostas em redes sociais, pois podem servir como arma na mão dos “curadores” do jogo.

Uma dica valiosa é acessar as redes sociais do seu filho e procurar por grupos relacionados ao jogo. Caso você encontre algum, denuncie à própria rede social e leve o caso até a polícia.

4. Preste atenção em mudanças de comportamento

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Mudanças como isolamento repentino, solidão e apatia são sinais de que algo não vai bem. Mesmo que seu filho não esteja participando do Baleia-Azul, essas manifestações podem indicar algum transtorno emocional como a depressão.

Além disso, esteja atento se seu filho insistir em usar roupas compridas mesmo em dias de calor, pois isso pode ser uma tentativa de esconder as marcas das automutilações induzidas pelo jogo. Cortes nas mãos, braços e pernas são um sinal de alerta muito forte e devem ser tratados com urgência.

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5. Mostre abertura para conversar sobre os problemas dele

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Fazer piadas com o Jogo da Baleia-Azul, repetir preconceitos de que depressão é coisa de quem não tem o que fazer e bradar que “antigamente essas coisas não existiam” não ajudam seu filho a se manter distante dessas ameaças.

Para piorar, a mensagem que ele vai entender é que não pode conversar sobre seus problemas com seus pais, pois ele vai intuir que poderá ser ridicularizado ou até mesmo castigado pela família.

A adolescência é um período muito difícil e, mesmo tendo todas as necessidades como moradia, saúde e educação atendidas, todos estamos sujeitos a enfrentar transtornos emocionais, principalmente nessa época da vida.

6. Forme uma rede de proteção

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É da natureza dos adolescentes se abrirem mais com os amigos do que com os pais. Por isso, é interessante formar uma rede de proteção com os pais dos amigos mais próximos do seu filho, de forma que as famílias possam colaborar umas com as outras na prevenção dessas ameaças.

A escola também deve participar dessa rede – tanto que várias suspeitas de participação do Jogo da Baleia-Azul têm sido detectadas no ambiente escolar, pelos próprios professores. Entre em contato com a escola e verifique se há alguma programação em relação à prevenção do suicídio, como debates e palestras.

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7. Leve o bullying a sério

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Ainda no ambiente escolar, é importante checar se seu filho não está envolvido em práticas de bullying, seja como vítima ou como praticante.

Tenha em mente que xingar, isolar, ameaçar fisicamente e ridicularizar colegas não é apenas uma “brincadeira de criança”, podendo ter consequências graves. Tanto vítimas quanto praticantes de bullying precisam de acompanhamento psicológico para resolver esse problema.

Não raro, as famílias de jovens vítimas do suicídio relatam que seus filhos eram adolescentes normais, felizes, estudiosos e com muitos amigos, não dando nenhum sinal de que havia algum problema.

Porém, uma atitude tão drástica não surge de forma repentina, sendo consequência de uma tendência psicológica para esse ato. Muitas vezes, os sinais estavam sendo dados, mas a falta de diálogo realmente aberto, sem sermões e sem piadas sobre os sentimentos dos adolescentes, não permite que os pais consigam detectá-los.

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