Conheça benefícios incríveis da Ginkgo Biloba e saiba como utilizá-la

São várias as vantagens atribuídas a ela, que é, inclusive, uma das 10 ervas medicinais mais usadas no mundo

Escrito por Tais Romanelli
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Com nome um tanto “exótico”, Ginkgo Biloba é uma árvore que pode atingir mais de 40 metros. O extrato Ginkgo Biloba é obtido das folhas desta árvore que tem origem Chinesa, Japonesa e Coreana. Contudo, conforme destaca a médica nutróloga Ana Luisa Vilela, nos dias de hoje, é encontrada em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Considerada um fóssil vivo, a Ginkgo Biloba tem milhões de anos. “São vários os benefícios atribuídos à Ginkgo Biloba, sendo inclusive uma das 10 ervas medicinais mais usadas no mundo”, comenta a médica nutróloga.

Clarissa Fujiwara, nutricionista e Mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), coordenadora de Nutrição da Liga de Obesidade Infantil do HC-FMUSP, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e da American Society for Nutrition (ASN), comenta que o extrato Ginkgo Biloba é constituído por: flavonoides (como kaempferol, a quercetina), biflavonóides (a exemplo da amentoflavona, a bilobetina, a ginkgetina e a isoginkgetina) e terpenos (como ginkgolídeos).

“Consiste numa das ervas medicinais mais usadas nacional e mundialmente e, apesar de ainda não existir consenso estabelecido sobre a efetividade de sua ação e benefícios, a este extrato são atribuídas propriedades farmacológicas sobretudo no aumento do fluxo de sangue aos tecidos e a inibição da agregação plaquetária”, destaca a nutricionista.

Benefícios surpreendentes da Ginkgo Biloba

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Quer saber por que esta erva medicinal é tão popular?

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1. Beneficia a saúde neurológica

Clarissa explica que a Ginkgo Biloba é utilizada visando melhora em doenças e sintomas decorrentes da deficiência do fluxo de oxigênio aos tecidos (quadro denominado hipóxia), beneficiando a saúde neurológica, como alteração das funções cognitivas e perda de memória, vertigens zumbidos, estágios iniciais de demência, entre outros.

“São descritas propriedades farmacológicas da Ginkgo Biloba baseadas nos efeitos protetores de doenças cerebrais orgânicas e suas manifestações funcionais (falha de memória, dificuldades de concentração) e processos neurodegenerativos relacionados à senilidade (ou envelhecimento) em razão do aumento no fornecimento de oxigênio e nutrientes às células nervosas e tratamento de isquemia cerebral”, explica a nutricionista.

“Adicionalmente, soma-se aos efeitos neuroprotetores, a melhora na captação de colina – substância necessária para síntese de acetilcolina, um mediador químico de sinapses – na região do hipocampo, melhorando processos de memorização e a capacidade de aprendizagem”, acrescenta a nutricionista.

2. Beneficia o sistema circulatório

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“Devido à sua atividade na vasodilatação arterial, no aumento da circulação sanguínea em vários níveis e, consequentemente, a melhora da irrigação dos tecidos, é indicado no caso de doenças do sistema circulatório, como arteriopatias, e comprometimento da microcirculação e formigamentos, fragilidade capilar e tratamento de microvarizes”, explica Clarissa.

3. Diminui o risco de trombose

Clarissa explica que a erva atua ainda diminuindo o risco de trombose pela menor agregação plaquetária, pois inibe o fator de agregação das plaquetas (PAF) e contribui para diminuição da viscosidade do sangue.

4. Possui ação antioxidante

“Os compostos bioativos possuem ação antioxidante sendo de potencial benefício em todas as situações em que ocorre oxidação intensa e redução de danos causados por radicais livres, como envelhecimento celular”, explica Clarissa.

“O extrato Ginkgo é utilizado como estratégia terapêutica complementar diante de quadros de enxaqueca e distúrbios em otorrinolaringologia, como a labirintite. Em decorrência da ação antioxidante, atua positivamente em doenças oftalmológicas, pela redução de lesões celulares na retina e da degeneração macular”, acrescenta a nutricionista.

Benefícios comprovados?

Apesar de muitos benefícios serem atribuídos a esta erva medicinal, será que todos eles são comprovados? A Ginkgo é mesmo tão benéfica?

A médica nutróloga Ana Luisa ressalta que a Ginkgo Biloba tem ação antioxidante comprovada. “Provoca vasodilatação dos vasos sanguíneos cerebrais, aumentando a perfusão de sangue no cérebro, previne a formação de coágulos e otimiza a utilização de glicose pelo cérebro”, diz.

Contudo, destaca Ana Luisa, não há comprovações científicas de que a Ginkgo Biloba tenha de fato ação eficaz no tratamento e prevenção de doenças como Alzheimer e AVC.

“Um estudo publicado em 2008, que acompanhou durante 8 anos mais de 3000 idosos, mostrou que o uso diário de Ginkgo Biloba não apresentou nenhuma evidência de que a droga seja superior ao placebo na prevenção da demência. Portanto, não há evidências científicas que suportem o uso do Ginkgo para tratamento ou prevenção das demências”, explica a médica nutróloga.

Mas, ressalta Ana Luisa, existem alguns problemas em que a ciência foi capaz de comprovar a eficácia da Ginkgo Biloba. Dentre eles:

  • Vertigem;
  • Disfunção erétil;
  • Depressão;
  • Distúrbios de ansiedade;
  • Problemas circulatórios dos membros inferiores (eficácia pequena, apenas um pouco superior ao placebo).

Como consumir a Ginkgo Biloba?

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Clarissa explica que o fitoterápico é fundamentalmente encontrado na forma de cápsulas que contêm o extrato padronizado denominado EGB761, que deve conter um teor mínimo de 24% de flavonoides glicosilados e 6% de terpenoides. “Em geral, para adultos, é orientada a ingestão diária entre 80 a 240 mg (que podem ser fracionadas ao longo do dia) de Ginkgo Biloba. Outras formas de apresentação são soluções ou na forma de chás, feitos a partir das folhas”, diz.

Ana Luisa destaca que estudos realizados com o extrato de Ginkgo Biloba, e também de acordo com a indicação da maioria dos fabricantes, é recomendado o consumo de 40 mg 3 vezes por dia, ou 60 a 80 mg 2 vezes por dia”, diz.

Efeitos colaterais da Ginkgo Biloba

Ana Luisa destaca que a Ginkgo Biloba tem baixa taxa de efeitos adversos. “Contudo, quando esses ocorrem, costumam se apresentar na forma de náuseas, dor de cabeça, diarreia e dores abdominais”, diz.

Além disso, de acordo com a médica nutróloga, alguns pontos devem ser levados em consideração:

  • Por falta de estudos clínicos, a substância não é recomendada a gestantes.
  • Outro ponto importante é consumir sempre com orientação. Existem correntes que entendem que o uso prolongado sem uma pausa pode causar sobrecarga de rins e fígado, portanto, o acompanhamento médico é sempre importante.
  • Devido à ação inibitória sobre as plaquetas, pode aumentar o risco de sangramento em algumas situações, por isso, pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos devem informar ao seu médico quanto ao uso da substância.

Clarissa reforça que, apesar de relativamente segura, a Ginkgo biloba deve ser utilizada com cautela como qualquer outro medicamento. “As reações adversas raramente podem ocorrer em aproximadamente 5% dos casos e consistem em distúrbios gastrointestinais, como por exemplo, náusea e mal-estar abdominal. Menos frequentes, podem ser observados efeitos colaterais como tontura e queda de pressão arterial, vertigem, cefaleia ou ainda aumento da sensibilidade da pele, causando alergias ou reações cutâneas”, diz.

“Pelo maior risco de causar sangramentos e hemorragias e, considerando a possibilidade em potencializar o efeito de medicamentos anticoagulantes e antiplaquetários, orienta-se a suspensão da Ginkgo Biloba antes da realização de procedimentos cirúrgicos”, acrescenta a nutricionista.

Contraindicações da Ginkgo Biloba

De acordo com Clarissa, a planta é contraindicada para pacientes hemofílicos (distúrbio que afeta a coagulação do sangue) e, por falta de evidências quanto à segurança, orienta-se a administração criteriosa sob rígido controle clínico em lactantes (mulheres que estão amamentando), gestantes, bem como no público pediátrico.

Ana Luisa acrescenta que há relatos de que a Ginkgo Biloba interfira na ação de medicações anticonvulcionantes. “Então, pessoas que fazem uso desse tipo de medicação devem consultar um médico antes de seu uso”, finaliza a médica.

Agora você já sabe que a Ginkgo Biloba pode, de fato, oferecer benefícios interessantes à saúde como um todo, porém, para uma utilização segura e eficaz, são essenciais a orientação e acompanhamento médico ou nutricional.

Assuntos: Alimentação

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