Gastrite: causas, sintomas, fatores de risco e tratamento

Escrito por Tais Romanelli

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Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar em gastrite… E não é por acaso! Afinal, de acordo com dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia, 7 em cada 10 brasileiros sofrem com o problema.

Sim, muita gente sofre com a gastrite, que é um processo infecioso ou inflamatório da mucosa do estômago, ainda que algumas pessoas demorem ou não apresentem sintomas.

Mas, a partir do momento que o paciente começa a notar dores e desconforto, provavelmente a inflamação evoluiu (desencadeada por eventos externos) e, é a partir daí, que ele tende a procurar orientação médica. Saiba mais sobre as causas, características, fatores de risco, diagnóstico e tratamento da gastrite.

Causas da gastrite

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Podem ser destacadas como principais causas da gastrite:

  • Presença de bactérias, especialmente a Helicobacter pylori, na mucosa do estômago;
  • Uso de anti-inflamatórios;
  • Refluxo biliar;
  • Estresse metabólico (queimaduras e cirurgias de grande porte, por exemplo);
  • Abuso de álcool, drogas e cigarro;
  • Alguns alimentos ou bebidas (como café e refrigerante, por exemplo);
  • Doenças autoimunes.

Hermes Aguiar Júnior, gastroenterologista do Hospital Santa Lúcia Norte, de Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia, reforça que existem várias causas de gastrite, sendo as mais comuns as causadas pelos anti-inflamatórios e pela Helicobacter pylori.

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Tipos de gastrite

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Em geral, a gastrite costuma ser classificada em dois grupos:

  • Gastrite aguda: apresenta sintomas que aparecem repentinamente e está geralmente associada à uma má alimentação, ao uso de determinados medicamentos ou a fatores emocionais.
  • Gastrite crônica: quando a inflamação se apresenta por tempo mais prolongado no organismo.

Porém, conforme explica Aguiar Júnior, diferentemente do que se pensa, a gastrite crônica não é uma doença que não tem cura. “O que caracteriza o quadro agudo ou crônico da gastrite é o tipo de infiltrado inflamatório, ou glóbulos brancos, que se encontram no local ao exame microscópico. Se as células presentes são neutrófilos, a gastrite é aguda; se são linfócitos ou plasmócitos, caracteriza-se uma gastrite crônica”, destaca.

“Ainda há as gastrites infeciosas causadas por bactérias como Helicobacter pylori, espiroquetas (sífilis), bacilo da tuberculose, fungos; e gastrites causadas por agentes químicos (remédios, cáusticos, álcool e tabaco)”, acrescenta o gastroenterologista.

Sintomas da gastrite

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Aguiar Júnior destaca que os sintomas mais comuns da gastrite são:

  • Dor no epigástrio (“boca do estômago”), com queimação ou cólica;
  • Sensação de “vazio no estômago”;
  • Empachamento (sensação de “peso no estômago”);
  • Vômitos;
  • Náuseas;
  • Eructação (arroto).

O gastroenterologista ressalta que os sintomas e a intensidade deles variam de pessoa para pessoa. Além disso, em alguns casos a gastrite é assintomática.

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Diagnóstico e tratamento

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Aguiar Júnior explica que o diagnóstico de gastrite é feito por videoendoscopia digestiva alta com a avaliação macroscópica do estômago feita pelo endoscopista e retirada de fragmentos da mucosa para analise histopatológica (microscópica).

É importante ainda a realização de biópsia na endoscopia para diagnosticar com precisão a doença e o grau de comprometimento.

Tratamento

A gastroenterologista destaca que o tratamento da gastrite depende de sua etiologia. Mas, de forma geral, podem ser citadas como principais formas de tratamento:

  • Medicamentos: “na maioria das vezes usamos medicamentos que diminuem a secreção de ácido, como os inibidores da bomba de prótons (Omeprazol, Lansoprazol, Pantoprazol, Esomeprazol e Rabeprazol), antagonistas H2 (Ranitidina, Cimetidina) e antiácidos (hidróxido de alumínio). Nas gastrites infecciosas acrescentamos antibióticos específicos”, explica Aguiar Júnior.
  • Mudança de hábitos: evitar bebidas alcoólicas, parar de fumar, não consumir frituras, alimentos muito gordurosos e nem ácidos são medidas que contribuem muito para a melhora dos sintomas. A orientação na maioria dos casos é associar essas mudanças com o(s) medicamento(s) indicado(s).

Vale ressaltar que somente o médico pode indicar o medicamento adequado para o seu caso, bem como dosagem e duração do tratamento. A automedicação pode, muitas vezes, agravar o problema.

Além disso, seguir à risca as indicações do médico – não só no que diz respeito ao uso de medicamentos, mas também à mudança de hábitos – é essencial para o sucesso do tratamento.

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Gastrite nervosa existe?

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“Gastrite nervosa” é um termo muito utilizado pela população em geral, porém, tecnicamente, este tipo de gastrite não existe e nem há uma definição precisa e única para o seu significado.

Refere-se geralmente aos sintomas que aparecem com a mudança de humor (ansiedade, tristeza, raiva). “Mas, é bom saber que essa intensidade de estímulo gera os sintomas, mas não provoca inflamação na mucosa. Então, não existe a ‘gastrite nervosa’. Mas existe a gastrite por estresse, presente, por exemplo, nos pacientes que sofrem traumatismo craniano ou grandes queimaduras”, acrescenta o gastroenterologista.

Convivendo com a gastrite

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A mudança de hábitos se faz essencial especialmente quando os sintomas da gastrite são frequentes e atrapalham a qualidade de vida do paciente. Confira algumas dicas importantes neste sentido de auxiliar no tratamento e/ou evitar desencadear os sintomas:

  • Evitar frituras e alimentos muito gordurosos;
  • Evitar alimentos bastante ácidos e apimentados;
  • Evitar café e refrigerante;
  • Não consumir açúcar em excesso;
  • Não fumar;
  • Mastigar bem os alimentos;
  • Evitar bebidas alcoólicas;
  • Não ficar muito tempo sem se alimentar;
  • Fazer uso consciente dos anti-inflamatórios (somente quando houver indicação médica);
  • Evitar ao máximo situações de estresse.

Em alguns casos, o gastroenterologista pode indicar o uso de medicamentos para proteger o estômago; porém, eles devem ser tomados apenas se houver recomendação médica.

Fatores de risco

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Saiba quais são os principais fatores de risco em relação à gastrite:

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Uso de anti-inflamatórios: o uso inadequado de alguns medicamentos leva à irritação da mucosa gástrica, principalmente em pessoas com mais de 60 anos.

Falta de saneamento básico: conforme destaca Aguiar Júnior, a infecção pela bactéria Helicobacter pylori está intimamente relacionada à ingestão de água não filtrada e tratamento do esgoto.

Maus hábitos de higiene: a bactéria pode ser transmitida por meio de água e comida contaminadas, ou de pessoa para pessoa. Por isso, cuidados básicos de higiene, como lavar as mãos frequentemente e consumir apenas alimentos de boa procedência são importantes.

Bebidas alcoólicas: o consumo exagerado de álcool irrita o revestimento estomacal.

Tabagismo: o cigarro tem ação prejudicial sobre todos os órgãos do aparelho digestivo e aumenta a produção de ácido no estômago.

Estresse: situações de estresse provocam maior liberação de hormônios que aumentam a secreção de suco gástrico, podendo, assim, acentuar sintomas em quem já tem a gastrite.

Tais fatores, individualmente ou associados uns aos outros, podem aumentar significativamente as chances de uma pessoa desenvolver gastrite.

Complicações

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Hermes Aguiar Júnior explica que a complicação mais comum da gastrite aguda é o sangramento; e o da gastrite crônica, é o câncer gástrico. “Porém, outros fatores devem estar envolvidos para esse tipo de complicação, como a atrofia da mucosa, a presença de metaplasia intestinal e a bactéria Helicobacter pylori”, diz.

“Para avaliar o risco de evolução para o câncer gástrico utilizamos a classificação de Olga (sistema de estadiamento de gastrite) descrita no laudo histopatológico”, acrescenta o médico.

A gastrite não tratada pode causar ainda úlceras. Mas, de forma geral, o tratamento é bem sucedido, especialmente quando o paciente leva a sério as indicações do médico gastroenterologista.

É interessante, porém, iniciar o tratamento o quanto antes. Por isso, no caso de sintomas frequentes – como queimação, náuseas, vômitos, entre outros – e/ou muito intensos, não hesite em procurar seu médico de confiança.

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