Frequência sexual: será que a sua anda satisfatória?

A quantidade pode variar dependendo da idade e do tipo de relacionamento, mas como o assunto é sexo, cada pessoa vai saber a sua frequência ideal

Escrito por Suzane Werdt
Foto: Getty Images

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Quem conversa sobre sexo com amigos ou participa de debates por aí já pode ter saído com algumas dúvidas. Afinal, qual frequência sexual seria a considerada “normal”? Algumas pessoas dizem necessitar de sexo constantemente, outra parcela é mais tranquila sobre o assunto, conseguindo se manter por períodos mais longos sem a atividade.

E é aí que surgem as dúvidas. Como em quase tudo relacionado ao sexo, quando se vê que outras pessoas não se comportam da mesma maneira, suas certezas podem estremecer. E também como tudo no sexo, essa frequência é uma questão pessoal e depende das experiências e necessidades de cada um.

Na verdade, a frequência sexual feminina tem íntima relação com o seu momento de vida, com o tipo de relação que a mulher está vivenciando, além das experiências sexuais passadas, explica Valéria Cavallari, Psicóloga clínica e Psicoterapeuta: “Uma mesma mulher, em diferentes momentos de sua vida pode ter uma baixa ou alta frequência sexual e isto independe da sua idade. Ela pode estar numa relação conjugal insatisfatória e isto irá contribuir para que a frequência sexual seja baixa. Da mesma maneira, se estiver numa relação conjugal satisfatória, a frequência sexual será maior. Existe uma estreita relação entre vida conjugal e sexo”.

A idade influencia na frequência sexual?

Foto: Getty Images

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De acordo com as pesquisas, dois fatores são mais significativos quando se fala de frequência sexual: a idade e o tipo de relacionamento. As mulheres casadas tendem a ter uma vida sexual mais ativa, enquanto as solteiras dizem praticar bem menos. Faixas etárias também apresentam diferenças substanciais, como uma queda forte após os 50 anos.

“É natural que o número de relações diminua ao longo da vida. Alguns fatores que contribuem para a queda do desejo podem ser de ordem física (como a queda dos hormônios) ou as psicológicas, as quais atingem 70% das mulheres, como o sentimento de rejeição, a perda da vaidade, a preocupação excessiva com os filhos, a falta de cumplicidade entre o casal, entre outras”, cometa a Dra. Cristiane M. Maluf Martin, Psicanalista especialista em Terapia de Casais.

Mas essas mesmas pesquisas mostram que apesar da idade mais avançada, as mulheres que estão em relacionamentos estáveis continuam fazendo sexo mesmo que a quantidade seja reduzida. Por outro lado, as jovens solteiras têm números muito baixos. Isso pode significar que boa parte da frequência sexual feminina não depende somente da idade, mas principalmente do tipo de relacionamento.

Quanto de sexo é o suficiente?

A frequência do sexo pode depender de vários fatores físicos, emocionais e mesmo sociais. Já falamos sobre a idade e o tipo de relacionamento e quanto eles podem influenciar nesse sentido. Nas tabelas abaixo podemos ver uma pesquisa do Kinsey Institute que apresenta a frequência sexual dividida por idade e status de relacionamento segundo homens e mulheres. Os números correspondem à porcentagem de homens e mulheres que responderam cada opção.

Imagem: Dicas de Mulher

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Na tabela abaixo estão os dados fornecidos pelos homens que participaram da pesquisa sobre a frequência sexual de quem está ou não em um relacionamento. Comparando ambas tabelas, é possível notar que a diferença entre os dados é pequena. Observe:

Imagem: Dicas de Mulher

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Esses são números de pesquisas quantitativas e não qualitativas. Portanto, não se preocupe se sua situação não é a mesma mostrada nas pesquisas. Afinal a única certeza é de que cada um tem suas necessidades físicas e emocionais.

“Não há pesquisas científicas que comprovem o quanto de sexo é suficiente para as mulheres. Mulheres, em sua grande maioria, pensam sexo de maneira diferente dos homens. Mulheres são muito mais mentais, enquanto que os homens são absolutamente visuais. Sexo começa na cabeça das mulheres. Portanto, elas esperam mais do sexo do que o simples ato em si. A frequência é o que menos importa. Acima de tudo, está a qualidade”, declara Valéria Cavallari.

A Dra. Cristiane Martin concorda e acrescenta que não existe uma regra para a frequência sexual. “Não podemos fixar a quantidade de relações ideal já que isso depende muito de pessoa para pessoa. Quando falamos de relação sexual estamos falando do ato sexual entre duas pessoas e não um ato individual como a masturbação. Portanto, vários fatores entram em jogo, principalmente, o vínculo, o desejo e a intimidade do casal e isso é o que vai definir a frequência das relações entre eles”.

Como saber se sua vida sexual anda saudável?

Foto: Getty Images

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O que se pode falar sobre a frequência sexual são as estatísticas baseadas em pesquisas. Cada pessoa tem (e pode ter, sem ser diferente) suas preferências e referências, raramente vindo a ser um problema físico ou psicológico. Caberá a você perceber se sua situação chegar a um ponto que realmente te incomode e procurar análise médica.

A quantidade de sexo indicada é a necessária apenas para suprir as suas necessidades, sejam elas físicas ou emocionais, e não se encaixa em tabelas. Mais ou menos vontade de sexo do que os números não significa que você tem qualquer forma de disfunção, a não ser que atinja níveis críticos.

1. O sexo está sendo feito para os dois?

A psicóloga Valéria Cavallari alerta que se você está constantemente se submetendo às vontades de seu parceiro, você pode estar se corrompendo. “Sexo é troca de energia positiva e é bom quando todos estão com vontade. Então, se você está frequentemente fazendo sexo sem vontade, está sendo abusada ou está se deixando abusar. Muitas mulheres passam por isso e não têm coragem de mudar essa condição. Mas é importante saber que a situação pode ficar insustentável e trazer problemas”.

2. O problema é físico ou emocional?

Sexo e vida conjugal raramente caminham separados. Um tem capacidade de influenciar o outro e problemas afetivos podem atrapalhar a vida sexual e vice e versa, como explica a Dra. Cristiane: “As dificuldades sexuais podem afetar consideravelmente as pessoas e as relações internas. O funcionamento sexual não implica apenas determinadas respostas fisiológicas, mas todo um conjunto de variáveis situacionais, pessoais e relacionais.”

3. Será que é pouco?

Quem responde é psicóloga Valéria. “Cada um tem seu ritmo, seu tempo e sua necessidade, mas se você não sentir falta alguma de sexo, é possível que tenha algo errado. Sexo faz parte da vida e é uma das nossas necessidades mais básicas. Tudo bem, podemos sublimá-lo, mas geralmente isto é feito por pessoas que adotam um estilo de vida voltado ao celibato. Mas, se esta não foi sua escolha, pare e repense o que pode estar acontecendo e, se for o caso, busque ajuda profissional”.

4. Ou será que é muito?

Sexo é importante e faz bem, mas tudo tem limites e sempre é bom estar atento para que não se transforme em um vício. Se você perde o foco em outras áreas importantes da sua vida como trabalho, família ou saúde em função do sexo, é possível que você precise buscar ajuda psicológica.

5. Foi bom pra você?

Independente da quantidade de sexo que você faz, solteira, casada ou enrolada, jovem ou madura, é a sua satisfação que deve ser a regra. Então se você faz muito ou faz pouco e está bem com isso – e, no caso das comprometidas, também está bem para seu parceiro – não há com o que se preocupar.

Para cada momento da mulher, cada fase, a importância do conhecimento do nosso próprio corpo e também da nossa própria história pode fazer toda diferença para escolhas de parceiros que nos agradem mais e nos tratem bem, assim como para uma vida sexual mais feliz e sadia. Cuide-se, mantenha a autoestima em alta e aproveite seu poder de sedução em qualquer idade.

A opinião de casadas e solteiras

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“Quando estou solteira, acabo fazendo pouco, passo até três meses sem nada porque não gosto do que chamam de sexo casual. Mas quando estou namorando esse número sobe para, no mínimo, duas vezes por semana, o que eu acho uma frequência mínima pra suprir minhas necessidades em épocas normais”. Vanessa, 26 anos, estudante. Namorando.

“Duas vezes por semana está bom. Nem sempre dura tanto tempo quando eu gostaria. Mas acho que dez minutos com amor é melhor do que dez horas só de sacanagem”. Andreia, 36 anos, contadora. Casada.

“Para mim quanto mais, melhor. Até cansar! No mínimo uma vez por semana quando estou solteira e, quando estou namorando, todo dia. Fico mal humorada quando estou sem sexo, o cabelo parece ficar ruim, assim como a pele”. Juliana, 33 anos, empresária. Em um relacionamento complicado.

“Acho que não tem isso de frequência ideal. Acho que tenho mais vontade antes do período menstrual. Normalmente, tenho longos períodos sem sexo, coisa de dois a três meses. No começo faz mais falta. Se você já tinha uma vida sexual ativa, você tende a querer a mesma constância”. Pérola, 29 anos, jornalista. Solteira.

“Quando eu era casada a frequência era de duas a três vezes por semana. Solteira, diminuiu bastante pois tem sido difícil encontrar pessoas legais. Mas acho que um número razoável seria de cinco vezes por semana”. Mônica, 50 anos, cantora. Divorciada.

Assuntos: Relacionamentos, Sexo

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