Evite comparações: cada criança é uma criança

Apesar de ser uma prática muito comum, comparar um filho ao outro, ou até mesmo compará-lo a outras crianças pode ser muito prejudicial

Foto: Thinkstock

Existe um ditado que diz que na vida nem dois pingos de chuva são iguais.

Se até irmãos gêmeos possuem impressões digitais próprias que os diferenciam, porquê razão temos o hábito de nos comparar com outras pessoas?

Penso que isso seja decorrente da nossa cultura. Em nosso cotidiano, padrões pré-estabelecidos de como ser e se comportar são colocados para nós em todo lugar e a todo o momento.

Programas de TV, revistas e Internet constantemente impõem ideais: ideais do corpo perfeito, de como se vestir nessa temporada, do corte de cabelo da estação, de como isso, como aquilo… e acabamos muitas vezes por nos esquecer quem realmente nós somos, por dentro e por fora.

Esses estímulos para o público infantil e infanto-juvenil são ainda mais fortes, pois é nesse momento em que a criança está começando a se perceber enquanto ser humano biológico e social, e compreender e valorizar a noção de pertencimento a um grupo.

Até aproximadamente 06 anos, a criança está na fase que nós Pedagogos chamamos de “Egocentrismo”: nesse período, ela está focada no seu próprio eu. Por isso, ideais de “ser ou se comportar desse ou daquele jeito” ainda não fazem muito sentido para ela. Ela é ela, simples assim.

Após essa fase, a criança adquire capacidade de pensar sobre coisas abstratas: símbolos, valores morais, hipóteses, padrões.

Nesse período, ela começa a desenvolver gradualmente sua própria identidade. Gostar desse ou daquele estilo musical, dessa ou daquela forma de se vestir, se identificar com certos grupos na escola. E é nesse momento em que desperta na criança a ideia de comparação com outras pessoas.

Comparações em casa ou na escola com familiares e amigos, assim como os estímulos da mídia para despertar o desejo de consumo desse público, com mensagens implícitas de “todo mundo tem, só você vai ficar de fora?”, favorecem negativamente esse processo.

Comparações com outras crianças, muitas vezes até bem intencionadas sob forma de “orientação” dos pais ou responsáveis geram um conflito interno na criança, especialmente por ela ainda não ter sua identidade totalmente definida.

O que é ela, sentimentos e desejos dela, passa a ser confundido com o que não é, com o que vem de fora. Arrisco até dizer que daí vem a chamada “crise de identidade” que muitas pessoas têm anos mais tarde.

Por isso, é muito importante que os pais administrem bem esse período. Frases do tipo “você devia seguir o exemplo do seu irmão” ou “fulano de tal não faz isso na casa dele” não devem ser pronunciadas para a criança, por qualquer razão que seja e independentemente da idade.

Numa situação delicada com a criança, converse com ela, de forma direta, clara e tranquila. Orientar de forma adequada é promover o diálogo com a criança sobre o que é certo ou errado a partir da reflexão de suas ações e atitudes, não em meio a comparações de “ser melhor ou pior” que alguém.

Permita que ela exponha seus sentimentos e, principalmente, diga e mostre que confia nela. Tudo isso é muito importante para seu desenvolvimento emocional, de seu senso de responsabilidade, sua autoestima e entendimento de cada ser humano como único, com seus potenciais, necessidades e limites.

E o principal: ela entenderá que pessoas erram, mas podem ter uma nova chance. Lembre-se sempre: se nem dois pingos de chuva não se repetem, seu tesouro então, é único.

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