Escleroterapia: a solução para os seus vasinhos e varizes

Escrito por Daniela Brisola

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Muitas mulheres sofrem com vasinhos e varizes aparentes em suas pernas, o que causa certo incômodo. Entretanto, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV-RJ), Dr. Breno Caiafa, as varizes são erroneamente consideradas uma problema estético, elas também são alertas para outros problemas vasculares.

“Trata-se de uma doença crônica e progressiva, que pode evoluir para complicações graves, caso não seja devidamente diagnosticada e tratada.”, esclarece. Por isso, é importante procurar um médico e buscar um tratamento, como a escleroterapia.

Para que serve a escleroterapia?

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“A escleroterapia é um procedimento médico para tratar vasinhos e microvarizes”, explica Dra. Patrícia Pascal, médica cirurgiã-vascular. O procedimento é considerado invasivo e, por isso, deve ser realizado por médicos angiologistas ou cirurgiões vasculares.

Conforme explica Dr. Breno, o tratamento é indicado para quem tem doença venosa crônica e a escleroterapia pode ser realizada em quase todos os casos de varizes e vasinhos. “O paciente deve ser avaliado inicialmente em consulta médica, onde informará seu histórico, além de realizar o exame físico, para estabelecer a melhor estratégia de tratamento”, complementa.

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Para a Dra. Patrícia, pessoas que tenham isquemia em membros inferiores devem evitar este tipo de tratamento.

Como funciona?

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O objetivo do tratamento da escleroterapia é provocar uma reação inflamatória na veia doente, gerando um cordão fibrótico e uma consequente absorção pelo organismo, conforme define Dr. Breno. “O procedimento pode ser feito através de injeção de líquido, espuma ou laser, injetado ou aplicado sobre a veia, causando uma alteração nas células do vaso e eliminando-o”, informa o médico.

Após a avaliação inicial do paciente, são programadas um certo número de sessões, de acordo com o caso. “As sessões podem ser realizadas quinzenalmente ou mensalmente, dependendo da quantidade de varizes existentes a serem tratadas”, salienta Dr. Breno.

O resultado não é visto na hora, podendo levar até um mês para observar o desaparecimento total dos vasinhos e dos roxos provocados pelo procedimento.

Preço da escleroterapia

Tanto para Dra. Patrícia, quanto para Dr. Breno, o preço da escleroterapia varia conforme o tratamento. “Depende da solução que vai ser utilizada, da extensão da área a ser tratada e do número de sessões, que é variável para cada paciente”, pontua a cirurgiã vascular.

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Porém, um ponto interessante é que a ecleroterapia pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O tratamento disponível é para varizes avançadas, pela técnica da escleroterapia com espuma densa. O tratamento está sendo realizado por meio do Sistema Nacional De Regulação, SISREG, e a adesão será feita pelas Clínicas da Família, UPAs e os hospitais municipais”, detalha Dr. Breno.

Tipos de escleroterapia

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Há diversas formas de realizar a escleroterapia. O tipo de tratamento indicado vai depender do estágio dos vasinhos. “O tratamento de varizes é muito individual e para cada tipo de paciente pode haver um tratamento mais adequado. Muitas vezes podendo ser necessária a associação de métodos de tratamento para um resultado mais eficaz e rápido”, pontua o presidente da SBACV-RJ.

Mas, entre os tipos possíveis, temos:

  • Escleroterapia com substância líquida: mais indicada para as fases iniciais da doença e feita no próprio consultório. É realizada por meio de injeções com produto esclerosante diretamente nas varizes. A escolha do líquido dependerá da avaliação profissional. Uma das substâncias líquidas bastante utilizada é a glicose, que funciona melhor para vasinhos menores.
  • Escleroterapia com espuma: esta técnica é indicada para casos especiais, sendo que a concentração do medicamento é menor, diminuindo as chances de manchas escuras, necrose e feridas na pele. A espuma é orientada por ultrassom, agregando mais precisão, eficiência e menos complicações.
  • Escleroterapia a laser: o tratamento a laser veio somar, sendo, muitas vezes, utilizado em conjunto com a ecleroterapia líquida e com espuma. É feita uma cauterização dos vasinhos, não sendo recomendado para pessoas de pele negra ou muito bronzeadas.

O melhor tratamento sempre dependerá de uma avaliação inicial com um(a) especialista que poderá indicar qual ou quais técnicas se mostrarão mais eficazes para o resultado desejado. “Cada tipo de escleroterapia se enquadra dependendo do quadro clínico e da evolução da doença no paciente”, esclarece Dra. Patrícia.

Escleroterapia: cuidados

  1. Evitar sol;
  2. Usar protetor solar;
  3. Usar meias elásticas;
  4. Utilizar compressas de gelo;
  5. Aplicar cremes heparinóides;

Depilação, massagem e atividade física podem ser feitas após 24 horas do procedimento. Ao realizar o tratamento, o médico te indicará os cuidados necessários para a cicatrização completa e para a diminuição de dores, inchaço e roxidão.

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Perguntas frequentes

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Algumas dúvidas acabam sendo frequentes para quem pretende realizar o procedimento de escleroterapia. Para ajudar a acabar com elas, perguntamos à Dra. Patrícia e ao Dr. Breno algumas questões comuns que surgem na hora de fazer o tratamento e acabar com os vasinhos:

1. Pode tomar sol?

O sol deve ser evitado até o desaparecimento completo dos sinais da escleroterapia para que a cicatrização seja completa. Essa é uma das recomendações dadas pelo médico ao paciente, aconselhando, inclusive, o uso de protetor solar na área atingida pelo procedimento.

2. Quais são os riscos de não tratar as varizes adequadamente?

Segundo Dr. Breno, se as varizes não forem tratadas adequadamente podem provocar sinais e sintomas com piora progressiva. Além da aparência dos vasinhos na perna, também há complicações como inchaços, alteração na coloração da pele, ficando mais escura e arroxeada, assim como ressecamento e inflamação. Nos estágios mais avançados da doença, podem aparecer úlceras.

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3. A escleroterapia dói?

Por ser um procedimento invasivo, a escleroterapia provoca dor, mas, segundo a Dra. Patrícia, é uma dor suportável. “Hoje os consultórios dispõem de recursos para aliviar esse incômodo”, complementa a médica.

4. Quantas sessões são necessárias para eliminar os vasinhos?

Para ambos os médicos, a quantidade de sessões varia de paciente para paciente, dependendo do estágio da doença, da resposta ao tratamento e, também, da cor da pele da paciente.

5. Há chances dos vasinhos e varizes voltarem?

Dr. Breno é enfático na resposta. “Varizes tratadas corretamente e realizadas até o final do tratamento não voltam.” No entanto, o tratamento atua na eliminação dos vasinhos já existentes e não na causa do problema. “O que pode ocorrer é o surgimento de novas varizes, pois é uma doença crônica”, finaliza. Dessa forma, é importante que a paciente continue a se consultar com o especialista. Caso surjam novos vasinhos, o tratamento começará do estágio inicial.

6. Há efeitos colaterais?

É possível que o paciente apresente alergia ao produto utilizado e todos os esclerosantes provocam lesão na pele, variando de acordo com o produto, com a diluição e o volume injetado. “Podem ocorrer eventos adversos transitórios como distúrbios visuais, confusão transitória e outros sintomas sistêmicos que foram relatados em taxas menores. A ocorrência de cefaleia também é rara”, salienta Dr. Breno. Outros efeitos colaterais que podem surgir são trombose, pigmentação da pele e dor no local da injeção.

7. Há algum risco ao realizar a escleroterapia?

O tratamento da escleroterapia feito por um médico angiologista ou cirurgião vascular possui baixo risco e é considerado um tratamento seguro. “Há riscos baixos que podem ser identificados pelo médico e tratados de maneira adequada e precoce”, orienta Dra. Patrícia. “O maior risco é realizar o tratamento com não-médicos ou não-especialistas”, reforça Dr. Breno.

O tratamento de vasinhos utilizando a escleroterapia é um procedimento tradicional para a diminuição dos vasinhos. Seus resultados são comprovados, além de oferecer poucos riscos ao paciente. O importante é que, ao notar vasinhos em sua perna, você não pense apenas no lado estético, mas procure um médico especialista e se informe sobre as possíveis causas e soluções, evitando que eles passem a ser um problema maior.

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