8 erros de reciclagem que você pode estar cometendo

A quantidade de lixo produzida pelo ser humano tem aumentado cada vez mais, o que torna a reciclagem um hábito essencial para manter os recursos naturais livres de poluição

Escrito por Ana Carolina Martins
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O Brasil produz cerca de 61 milhões de toneladas de lixo por ano, de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2010. O estudo foi realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a Abrelpe, há quatro anos, mas mostra que a quantidade de detritos descartada pela população é bastante alta.

A pesquisa revela ainda que os estados que abrigam grandes metrópoles são os que mais produzem lixo. São Paulo gera cerca de 57 mil toneladas por dia e o Rio de Janeiro, gera 21 mil toneladas por dia.

Mas, e se em vez de jogar tudo isso fora, uma parte desse volume de detritos fossem reaproveitados? O desperdício seria menor e o meio ambiente sofreria menos com os problemas gerados pelo mau aproveitamento de alimentos ou de objetos feitos de plástico, papel, etc.

João da Cruz Filho, gerente de vendas do Instituto Reciclar, defende que ainda que a reciclagem é relevante não só pela questão ambiental. “Além do fator ambiental, há ainda o econômico e o social. A reciclagem tem transformado a vida de muitas comunidades, se tornando em muitos casos fonte de renda para várias famílias”.

Reciclar é mais do que necessário nos dias de hoje, mas pode não ser tão fácil assim. Afinal, são muitos os materiais que são descartados pelas famílias brasileiras e ao tentar começar o processo de reciclagem, elas podem estar cometendo erros. O especialista da entidade afirma porque ainda ocorrem enganos. “Por puro desconhecimento e falta de informação”. Ele explica ainda que o descarte de produtos contaminados é algo bastante comum entre os equívocos cometidos.

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Existem outros deslizes que podem ocorrer. Antes de colocar a mão na massa para reaproveitar o lixo da sua casa, confira aqui os maiores erros de reciclagem e saiba como evitá-los.

Os erros mais comuns de reciclagem e de separação do lixo

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1. Separar o lixo de forma errada

Uma das etapas mais importantes da reciclagem é separar o lixo. A separação do lixo facilita o trabalho daqueles que vivem disso, como catadores, garis e ainda de organizações que se dedicam a reciclar resíduos. Se no seu bairro houver coleta seletiva, melhor ainda. Dessa forma, haverá um destino correto para todo tipo de material descartado.

2. Separar apenas os resíduos orgânicos

Muitas pessoas pensam que não misturar a comida com o restante do lixo já é o suficiente, porém, o trabalho de separação de resíduos é muito mais que isso. Este é um processo que merece atenção. Papel, alumínio, pilhas, plástico e restos de comida devem ficar em sacolas diferentes. Além disso, é preciso ficar atento para não descartar junto com eles alguns itens que não podem ser reciclados, como aqueles que contém substâncias tóxicas.

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3. Descartar eletrônicos no lixo comum

Em pouco mais de um ano, um celular já pode estar obsoleto. Surgem modelos novos a todo momento e os eletrônicos são cada vez mais descartáveis. A necessidade da compra se faz cada vez mais presente e com isso se torna um hábito acumular aparelhos de telefonia móvel, notebooks e computadores de desktop antigos em casa. Mas engana-se quem pensa que ao fazer uma limpeza em casa, é só juntar os objetos acumulados e jogá-los na lixeira.

Estima-se que no Brasil apenas 2 % dos celulares sejam destinados à reciclagem, o que provoca danos ao meio ambiente. Mas já é possível mudar este panorama. Existem projetos e Organizações Não-Governamentais, que atendem a esta demanda.

Há inclusive um programa do Ministério das Comunicações, que recebe computadores antigos para ações de inclusão digital. Os dispositivos podem ser recebidos nos chamados Centros de Recondicionamento de Computadores. Além disso, há uma série de empresas que fazem este tipo de coleta de lixo. Você pode ainda verificar se a empresa de que você adquiriu o dispositivo pode recebê-lo de volta. Muitas já prestam este serviço.

4. Não separar os diferentes tipos de vidro

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Vidros possuem composições diferentes. Copos e jarras transparentes não são iguais a porcelanas, espelhos e lâmpadas. Quando estes itens se quebrarem ou você simplesmente decidir jogá-los fora, separe antes o que é vidro translúcido e o que não é. Assim você facilita o trabalho daqueles que dependem da reciclagem.

5. Deixar objetos cortantes desprotegidos

Uma coisa é certa: você não será a última pessoa a tocar neste lixo. Catadores, garis, pessoas em condições extremas de pobreza e até mesmo animais podem revirar os seus resíduos, seja à procura de alimentos, de objetos para o próprio uso ou para reciclagem. Por isso, proteja-os com caixas de papelão ou enrole em folhas de jornal objetos cortantes que foram descartados, como pedaços de vidro, facas, lâminas e quaisquer outros materiais pontiagudos ou que possam machucar alguém”

6. Jogar fora embalagens sujas

Não adianta, se a embalagem estiver suja será mais difícil e demorado reciclá-la. Caixas de pizza e que guardam outros tipos de alimentos, com trios de lanches fast-food, ficam engordurados por causa da comida que carregam. Este tipo de material deve ser desconsiderado e o restante, lavado.

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7. Separar papel picado para reciclagem

O papel picado costuma ser mais difícil de reciclar do que o papel em seu tamanho normal. Isso acontece porque as máquinas que fazem o trabalho de reaproveitar o papel usado não conseguem capturar tamanhos tão pequenos. Então, se você tem papel na sua casa, não precisa recortá-lo, basta separar de outros produtos que irá jogar fora e entregar para as empresas que costumam fazer este trabalho na sua região.

8. Acreditar que todo lixo é reciclável

Nem tudo o que não merece mais espaço dentro de casa é reciclável. Muitas vezes o papel é separado em uma sacola, mas ali mesmo há diferentes tipos de papel. Muitos podem ser reaproveitados e outros não. Veja aqui alguns resíduos que não podem ser reciclados:

  • Latas de tinta, latas de aerosol, latas de pesticida e semelhantes;
  • Papel Carbono, celofane, embalagens, engorduradas ou siliconadas;
  • Papel engordurado, fotografias, CDs e DVDs, exames de raio-X;
  • Sacos de cimento e outros materiais de construção, cabos de panela;
  • Ampolas de medicamentos, vidros de carros, cristais, espelhos, lâmpadas.

Como você pode perceber, a reciclagem não envolve apenas separar materiais como papel, plástico, vidro, alumínio, metal e lixo orgânico. É toda uma cadeia que envolve pessoas, empresas e o poder público. É um processo que depende de muita gente, inclusive você.

Reciclar, por quê? Conheça bons motivos para adotar a prática

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Sabe-se que o meio ambiente agradece quando as pessoas aderem à reciclagem. Afinal, só o plástico demora até 400 anos para se decompor. O vidro pode durar milhares de anos para cumprir todas as etapas de deterioração. E o alumínio leva cerca de 600 anos para voltar a forma natural. Se estes itens não forem direto para a lixeira, e sim reutilizados, a natureza é poupada de alguns problemas e o homem também.

João da Cruz reforça porquê o reaproveitamento deve ser adotado. “O volume de lixo nas grandes cidades é cada vez maior, por isso a reciclagem é tão importante. Além disso, há o valor econômico que ela pode gerar”, afirma. Ele confirma também que o hábito da reciclagem é algo cultural. Quanto mais os brasileiros se esforçarem para fazer parte deste movimento, mais isso vai se tornar algo natural para a população.

Com esforço coletivo ficaria muito mais fácil salvar o meio ambiente e ajudar a pronlongar a vida útil dos objetos que são adquiridos pela população. Mas nem todos possuem este tipo de consciência. Segundo Franciele de Jesus, da empresa Ecoassist, especializada em descarte e recebimento de lixo, nem mesmo o poder público estimula a coleta seletiva. “Apenas 14% da população tem acesso a Coleta Seletiva. São poucas as residências que recebem o sistema de e porta em porta, e quem deseja descartar corretamente deverá encontrar o ponto de coleta mais próximo”, explicou.

Franciele conta também que há casos em que o lixo é de um tamanho grande demais, como sofás e móveis. Nestes casos é preciso recorrer a soluções específicas, como entrar em contato com empresas especializadas nestes serviços. Ou ainda procurar saber se o governo municipal recolher entulhos, através das companhias públicas de limpeza urbana.

Se você ainda precisa de motivos para começar a reciclar, veja mais alguns deles a seguir.

  • Pelo meio ambiente: afinal, o aquecimento global não está acontecendo à toa. Quanto mais os produtos forem utilizados, menor será a necessidade de produzir mais e acabar com os recursos do planeta. O uso inteligente do que está disponível na natureza é a solução.
  • Pela economia: usar algo mais de uma vez gera economia de recursos naturais, mas também de recursos financeiros. A dona de casa que utiliza as cascas dos alimentos para produzir mais comida para a família consegue economizar no final do mês. Ao produzir peças de artesanato com itens de plástico como garrafas PET ou até mesmo com cartões de crédito que perderam a validade, é possível agregar até mesmo um valor maior ao produto e revendê-lo.
  • Pela questão social: há muitas pessoas que sobrevivem de catar lixo. Quando o lixo não vem separado elas fazem este trabalho e em coletivos ou empresas, conseguem reciclar ou dar um bom destino ao que é descartado pela população. Em alguns casos, a reciclagem ajuda ainda as pessoas em outros campos da vida. O Instituto Reciclar, por exemplo, faz com que o reaproveitamento ajude jovens carentes a encontrarem novas oportunidades de cidadania, educação e aprendizado.

Vídeo: como separar o lixo para a coleta seletiva

Confira as instruções no vídeo a seguir para fazer uma seleção correta de cada tipo de lixo reciclável e não reciclável. Assim, você facilita a vida de quem vive da reciclagem e colabora com o meio ambiente e a economia.

Agora você já sabe o que fazer para reciclar e quais as principais regras para começar a fazer parte deste processo. Não jogue fora, reaproveite! Assim você fará um grande bem ao planeta.

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