Entenda porque é difícil ser criança

Conheça as mudanças corporais, aprendizados e desafios enfrentados pelos pequenos

Escrito por Giselle Coutinho

Foto: Thinkstock

Muitas pessoas lembram-se de sua infância com alegria e dizem ter saudades do tempo em que não tinham responsabilidades e podiam ser livres, porém a verdade é que ser criança não é tão simples assim, pois muitos são os desafios enfrentados pelos pequenos para crescerem e se adequarem à sociedade.

Durante a infância a maioria das crianças de hoje leva uma vida parecida com a do adulto, extremamente rígida com relação às rotinas sendo cobradas implicitamente pelos pais que criam expectativas sobre o que serão no futuro.

“Os pais devem se perguntar se essas expectativas estão adequadas à idade e a realidade dos filhos que têm. Muitas vezes podem estar sonhando com objetivos muitos distantes das crianças, o que pode gerar frustrações e decepções mútuas. Quando isso ocorre, os pais se sentem falhos e culpados, e os filhos pressionados, incapazes e até pouco amados.” diz Flavia Ianzini Carnielli, psicoterapeuta e sócia da Clínica Psicológica M&C.

As crianças desejam exercer sua natureza com liberdade para brincar, para se relacionar com outras pessoas, para explorar o mundo com total liberdade e sem roteiros, mas isto é minado pelas imposições sociais.

Por outro lado, a rigidez da rotina e as expectativas antecipadas vêm acompanhadas de uma superproteção dos pais que tomam frente de muitos conflitos impedindo que seus filhos encontrem soluções para situações problemáticas próprias de sua vida, como discussões com colegas ou professores.

Mas os desafios infantis começam muito antes de as crianças irem para escola, quando ainda são bebês e perduram ao longo de toda a infância.

Desafios evolutivos das crianças

  • Percepção de mundo: aprender a se interessar durante a comunicação com ele, entender quando falam seu nome, entende o significado da palavra “não” e perceber quando escondem um objeto;
  • Aprender a andar: aprender a sentar sozinho e a projetar-se para frente para alcançar coisas, se apoiar nos braços e engatinhar e dar os primeiros passos se apoiando em objetos;
  • Entender a ausência dos pais: perceber que os pais e ela são seres distintos e passar a ter medo de ficar longe;
  • Falar as primeiras palavras: aprender a falar a partir do que se ouve em conversas, imitar os sons e praticar;
  • Desmamar: aprender a consumir outros alimentos e beber bebidas em um copo;
  • Abandonar as fraldas: desenvolver-se fisiologicamente e ter maturidade emocional para aprender a ir ao banheiro e administrar a vontade;
  • Comer sozinho: aprender a usar talheres e aprimorar os próprios movimentos para comer;
  • Compreender a noção de tempo: entender a contagem de horas, dias da semana, meses e anos;
  • Aceitar regras: perceber que algumas coisas não funcionam sem normas e entender por que elas são necessárias;
  • Valorizar o dinheiro: entender o valor das notas e moedas, as diferenças entre caro e barato e a realidade econômica da família;
  • Assumir que contou uma mentira: entender e aprender a reconhecer quando algo que está dizendo não é verdade;
  • Cuidar das próprias coisas: aprender a realizar pequenas tarefas, desenvolvendo senso de responsabilidade individual e coletivo.

Para que a criança se desenvolva plenamente nos aspectos citados acima, esta deve contar com o apoio dos pais, que têm por obrigação oferecer uma boa estrutura, através de bons estímulos, atenção e cuidados físicos e emocionais.

Não antecipar expectativas e evitar a superproteção é fundamental para e evolução infantil, pois através do enfrentamento dos mais “simples” desafios é que as crianças se tornam capazes não só de uma independência com relação às suas atividades na sociedade, mas também em seus aspectos psicológicos.

“Precisamos ensinar à próxima geração de crianças, a partir do primeiro dia, que eles são responsáveis por suas vidas. A maior dádiva da espécie humana, e também sua maior desgraça, é que nós temos livre arbítrio. Podemos fazer nossas escolhas baseadas no amor ou no medo.” alertou Elizabeth Kubler-Ross, renomada psiquiatra suíça que faleceu em 2004.

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