É possível perdoar uma traição?

Como saber se a melhor alternativa é repensar o relacionamento ou aceitar a traição do outro

Escrito por Andreia Mattiuci

“Fui traída três vezes pelo meu marido, e tenho muito medo de que aconteça novamente, não consigo perdoá-lo e ao mesmo tempo tenho medo de perdê-lo.” Leitora, Fortaleza CE

Perdoar uma traição é uma tarefa bem difícil, afinal a confiança ficou abalada e muitos questionamentos vêm à tona: o que eu fiz para ser traída? O que ela tem que eu não tenho? Não sou amada?

Acredito que a primeira etapa pós-traição é se livrar da culpa, muitas mulheres sentem que não foram “boas” o suficiente e que por esse “falha” o marido foi procurar outra “melhor”. Bem, então de quem é a culpa?

Podemos dizer que existem dois tipos de traição, quando o relacionamento esfria a tendência é procurarmos algo que nos esquente, é muito comum pós-casamento não haver mais romantismo, erotismo e vaidade para se arrumar um para o outro mesmo estando dentro de casa.

Nesses casos, mesmo existindo o amor entre os dois, existe a necessidade de outra pessoa para satisfazer nossos desejos. Por isso é importante lembrar que apesar de sermos seres racionais temos instintos e a sedução e o sexo fazem parte de nossas vidas.

Existem muitos casais na faixa dos 20 e 30 anos que não tem uma vida sexual ativa, por conta do trabalho, estudos, afazeres domésticos, filhos, etc. Reservar um momento só para o casal, tentando manter o diálogo e tentando reascender a chama do desejo podem evitar uma traição.

Porém, se ela aconteceu, é importante que o casal reavalie o relacionamento e caso decidam continuar com a relação é preciso reparar o que foi deficiente. Vejam, é um trabalho contínuo, trabalhoso e em dupla, não adianta o esforço apenas de um. Muitos casais conseguem “sobreviver” a uma traição, na maioria das vezes servindo para que o relacionamento tenha mais qualidade.

Da mesma forma, existe outro tipo de traição, onde o traidor tem necessidade de autoafirmação e estar em um relacionamento não basta. Sabe aquela pessoa que tem compulsão alimentar e não se satisfaz apenas com um bombom? Pois bem, o traidor compulsivo tem necessidade de se sentir amado e vai em busca disso a todo custo. São pessoas que na maioria das vezes não tiveram uma boa estrutura familiar e que não receberam na infância amor e carinho suficientes para crescerem e se tornarem adultos mais confiantes.

Como existe uma falta, a pessoa sempre vai procurar alguma coisa que “tampe esse buraco”, seja nas relações amorosas, na comida, jogos, drogas, etc. Nesses casos, a única pessoa que pode ajudá-la é ela mesma. Não adianta achar que o relacionamento é especial e que a pessoa mudará, ela precisa de ajuda profissional.

Como vimos existem duas situações bem diferentes, onde na primeira é possível repensar o relacionamento, perdoar as falhas e criar uma estrutura baseada no diálogo. No outro caso, nos deparamos com uma situação individual em que a pessoa não consegue manter o vínculo e, portanto, aceitar manter uma relação dessa forma é acima de tudo aceitar a traição como parte do relacionamento.

O mais importante e inaceitável é trairmos a nós mesmas, nos escondendo em relacionamentos ruins por medo da solidão. Por isso, se for para perdoar, que seja pra ser feliz.

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