9 dicas para desligar os genes que facilitam o ganho de peso

Especialista revela quanto a genética realmente influencia no peso e dá dicas que podem ajudá-la no processo de emagrecimento

Escrito por Tais Romanelli

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Atualmente, existe uma preocupação crescente por parte da população em seguir bons hábitos alimentares, garantindo assim, além de um corpo mais magro, mais saúde e qualidade de vida.

Porém, é verdade também que muitas pessoas ainda encontram dificuldades para seguir hábitos de vida saudáveis no seu dia a dia, seja no que diz respeito à alimentação, seja no que diz respeito à prática de atividades físicas… Provavelmente por isso, exista ainda um número significativo de homens e mulheres sofrendo com os problemas causados pela obesidade ou até pelo sobrepeso – que, claro, vão muito além da questão estética.

Mas a que se deve a dificuldade que a maioria das pessoas que precisam emagrecer tem para alcançar esse objetivo? Para muita gente esta é uma grande dúvida, difícil, inclusive, de ser respondida…

Afinal, o que se ouve por aí é que, para emagrecer, não há muito segredo: basta seguir uma dieta de poucas calorias e aumentar o gasto calórico por meio de atividades físicas…. Parece fácil, certo?

Porém, é fato que algumas pessoas têm mais dificuldade para perder peso; enquanto, outras, por mais que se alimentem bastante, não tendem a ganhar peso facilmente. Por quê? Geralmente a resposta que se ouve por aí é que “a culpa é da genética”. Mas será que isso faz mesmo sentido?

Abaixo você confere a resposta para esta dúvida e dicas de como uma pessoa que acredita ter dificuldades para emagrecer pode – com atitudes simples – acelerar seu metabolismo e alcançar bons resultados num processo de emagrecimento.

A relação entre a genética e o ganho de peso

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Márcio Mancini, endocrinologista membro da SBEM-SP (Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que inúmeros fatores genéticos, ambientais e comportamentais influenciam os componentes do balanço energético e, consequentemente, o aumento da gordura corporal.

“Com exceção de raros casos de obesidade monogênica, a obesidade comum é considerada uma doença poligênica (produzida pela combinação de múltiplos fatores ambientais e mutações em vários genes). A epidemia mundial de que estamos falando é resultado, principalmente, de mudanças no ambiente, ou seja, aumento do consumo de alimentos altamente calóricos juntamente com a diminuição do gasto calórico pela atividade física da população em geral”, destaca o médico.

“Por outro lado, sabe-se que, de fato, existem indivíduos altamente susceptíveis e outros altamente resistentes ao ganho de peso”, acrescenta o endocrinologista Mancini.

Porém, se a pergunta é “a culpa é da genética?”; talvez, a resposta mais correta seja “nem tanto”.

Para entender melhor essas informações, um bom caminho é pensar nas mudanças de hábitos que a sociedade sofre constantemente há anos. Nós, humanos, devemos nos lembrar das nossas origens. “Quem nos formou?”, “o que eles comiam?”, “será que na era paleolítica, por exemplo, existia um consumo tão alto de açúcares, carboidratos refinados e aditivos químicos alimentares?”.

O grande número de pessoas obesas ou portadoras de desequilíbrios fisiológicos que existe hoje deixa transparecer os malefícios que esse novo hábito alimentar gera nos órgãos humanos. Portanto, quem busca mais qualidade de vida, um corpo mais bonito e, sobretudo, mais saúde, não tem outro caminho que não seja seguir uma boa alimentação.

Vale destacar que a genética representa apenas de 10% a 15% do que uma pessoa é, restando, assim, de 85% a 90% de responsabilidade aos seus hábitos diários. Portanto, é muito mais expressivo ter uma rotina adequada do que se apoiar na genética para justificar o que a pessoa não aceita nela mesma.

Tenho dificuldades para perder peso. O que fazer?

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Então, será que as pessoas que têm muita dificuldade para emagrecer podem, através de bons hábitos, acelerar seu metabolismo, alcançando bons resultados (na perda de peso)?

Sim. Márcio Mancini explica que a obesidade é decorrente de um desequilíbrio energético crônico, num organismo preparado mais para situações de privação calórica do que de abundância de nutrientes. “Conforme explicado, ela é resultado do aumento de consumo de alimentos altamente calóricos juntamente com a diminuição do gasto calórico pela atividade física em indivíduos geneticamente suscetíveis. Para inverter a situação, deve-se reduzir a ingestão desses alimentos calóricos e aumentar o gasto calórico com a atividade física”, destaca.

Pensando em tudo isso, abaixo você confere algumas dicas de como obter melhores resultados no seu processo de emagrecimento, sobretudo, “desligando seus genes gordos” – ou seja, deixando de lado a ideia fixa de que o seu peso está exclusivamente relacionado à questão genética e que você é incapaz de fazer algo para reverter este quadro.

Vale ressaltar, no entanto, que há casos em que um distúrbio hormonal ou o uso de medicamentos podem provocar inchaços e ganho de peso. Nesses casos, deve haver acompanhamento médico em colaboração com nutricionista e educador físico para que os efeitos desses problemas sejam amenizados através de recursos como cardápio saudável e atividade física.

9 maneiras de driblar os genes que influenciam o peso

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1. Mentalize “eu quero, por isso, posso emagrecer!”

O primeiro passo está totalmente ligado à forma como você pensa e enxerga a si mesma. Não é porque a maioria das pessoas da sua família está acima do peso que você está condenada a ser obesa.

Não adianta sair dizendo para todo mundo: “não faço dieta porque tenho mesmo tendência para engordar… Toda minha família está acima do peso e eu não vou ser a única que conseguirá emagrecer”.

O fundamental é que você se sinta bem, mas, claro, sem deixar de se preocupar, também, com a sua saúde. Por isso, estar com uns quilinhos a mais não deve ser encarado como um grande problema por você, mas, caso isso venha a incomodá-la, não arrume “desculpas” para não seguir em frente: tenha foco e acredite que, seguindo uma dieta saudável e praticando atividades físicas, você conseguirá, sim, alcançar seu objetivo de emagrecer!

2. Siga uma alimentação saudável

Embora esta não seja nenhuma novidade, é provavelmente a orientação mais importante!

“A grosso modo, pode-se dizer que é fundamental reduzir alimentos ricos em açúcar e gordura, bem como aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras (como frutas e verduras e legumes)”, destaca o endocrinologista Márcio Mancini.

3. Pratique atividades físicas

Como já destacou o endocrinologista Mancini, quem quer emagrecer, além de reduzir a ingestão de alimentos calóricos, deve aumentar o gasto calórico com a atividade física.

O médico acrescenta ainda que tanto as atividades aeróbicas como as atividades de resistência são importantes nesse processo.

4. Reduza o sedentarismo

Mancini acrescenta que, paralelamente à redução do consumo de alimentos calóricos e ao aumento do gasto calórico por meio de atividades físicas, é importante reduzir o sedentarismo. Ou seja, as atividades de tela, como televisão, computador, tablet, videogame etc.

5. Coma de três em três horas

Vale destacar que comer de três em três horas mantém o metabolismo ativo. Isso porque o corpo vai evitar, assim, “poupar” calorias para exercer suas atividades diárias, pois “entende” que sempre chegará alimentos para a produção de energia.

6. Seja mais ativa

A dica não se refere somente à prática de atividades físicas, mas sugere que você seja mais ativa o tempo todo no seu dia a dia. Precisa ir à padaria?! Vá a pé! Vai para a academia? Aproveite e já vá, se possível, a pé ou de bicicleta. Nos prédios, evite os elevadores e suba pelas escadas.

7. Não tome bebidas alcoólicas

As bebidas alcoólicas são supernegativas para quem quer acelerar seu metabolismo e, consequentemente, perder peso.

Não adianta seguir a dieta à risca durante a semana e depois exagerar nos drinques no sábado e no domingo e, por fim, colocar toda a culpa na “genética”!

8. Chame uma amiga para se exercitar com você

Você costuma ter preguiça de ir à academia? Convide uma amiga para se exercitar no mesmo horário que você! Tendo uma companhia, você ganha mais motivação e a atividade física deixa de ser uma “simples obrigação” na sua rotina.

9. Conte com a orientação de profissionais

Todas as dicas acima servem para que você não se esqueça de que é possível, sim, inverter a situação: se você deseja emagrecer alguns quilos, vá em frente, saiba que você pode! Não é a genética que vai te impedir!

Mas, claro, é fundamental que todo o processo de emagrecimento seja orientado por um(a) nutricionista e/ou médico. Bem como que as atividades físicas sejam acompanhadas por um profissional da área de educação física para melhores resultados.

Dessa forma, fica claro que com dicas simples e boas orientações é possível “desligar seus genes gordos”, acelerando seu metabolismo e, consequentemente, conquistando bons resultados na perda de peso.

Assuntos: Alimentação

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