Dicas de Mulher Dicas de Saúde

Diabetes Mellitus: tipos, causas, sintomas e tratamento

Indivíduos sedentários, com má alimentação, com sobrepeso ou obesidade e idosos são os principais grupos de risco para a doença

em 16/10/2015

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Diabetes Mellitus ou, simplesmente, diabetes – como é mais conhecida – é uma doença grave (embora muitas pessoas não se deem conta disso), considerada um problema de saúde pública, não só no Brasil, mas em vários países do mundo.

O médico ortomolecular Gilberto Kocerginsky destaca que, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBE), existe cerca de 12 milhões de diabéticos diagnosticados no País. “A maioria destes casos é relacionada ao tipo 2 da doença. Porém, sabe-se que cerca de pouco menos da metade (em torno de 40%) dos diabéticos tipo 2 não tem diagnóstico, o que pode, assim, aumentar ainda mais o número da SBE”, comenta.

O diabetes acomete tanto o público feminino como o público masculino e pode ocorrer em qualquer faixa etária. Mas, de forma geral, a prevalência é maior em pessoas com mais de 18 anos.

O endocrinologista Francisco Tostes destaca que os principais grupos de risco para a doença são: indivíduos sedentários, com má alimentação, com sobrepeso ou obesidade e idosos.

O que é diabetes?

“Diabetes, ou medicamente falando Diabetes Mellitus, é uma doença metabólica relacionada à incapacidade de metabolização correta da glicose por ausência, deficiência ou resistência à insulina (hormônio responsável em colocar a glicose dentro da célula), levando ao aumento da glicose no sangue”, explica Kocerginsky.

Diabetes Mellitus é uma doença grave pois aumenta o risco de complicações em órgãos importantes, como rins, olhos, vasos sanguíneos e nervos. Mas, vale ressaltar, esses problemas podem ser evitados com um bom controle da glicemia.

Diferentes tipos de diabetes

De forma resumida, destaca Kocerginsky, a Diabetes Mellitus pode ser dividida em tipo 1, tipo 2, gestacional, tipo 1 de aparecimento tardio e de outras causas.

Tipo 1. “Está relacionada ao aparecimento na infância e o corpo se torna incapaz de produzir insulina de forma adequada devido à destruição das células responsáveis pela produção de insulina no pâncreas”, diz Kocerginsky.

Tipo 2. “Está relacionada ao estilo de vida e aparece por volta dos 40 a 50 anos de idade e se desenvolve devido a erro alimentar (excesso do uso de carboidratos simples por longos períodos/anos, e sedentarismo), levando a uma resistência gradativa sinuoso da insulina pela célula até o ponto da insulina não conseguir desempenhar sua função e culminar com a falha na produção devido ao desgaste (excesso de trabalho) do pâncreas (tipo 2 em fase terminal)”, explica o médico ortomolecular.

Diabetes Gestacional. Condição em que a hiperglicemia (aumento dos níveis de glicose no sangue) é reconhecida pela primeira vez durante a gestação. O problema pode ou não persistir após o parto.

Outros tipos. Podem ser decorrentes de defeitos genéticos associados a outras doenças ou ao uso de medicamentos.

Pré-diabetes: o que significa?

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Kocerginsky explica que pré-diabetes está relacionado ao tipo 2 da doença. “Quando começamos a ter a resistência ao uso da insulina produzida pelo pâncreas, a glicose dá uma leve aumentadinha, mas não muito, e a insulina também aumenta para tentar por a glicose para dentro da célula. Geralmente este paciente está com sobrepeso ou obeso e tem péssimo estilo de vida. Reconhecido o problema, é só tratá-lo, que se evita a progressão para o diabetes”, diz.

Causas do Diabetes Mellitus

Tostes explica que, no caso do DM tipo 1, que é uma doença autoimune, a causa está num defeito na ação da insulina.

“Já o DM2 tem como principal mecanismo a resistência insulínica. Ou seja, o individuo produz insulina, mas o hormônio não consegue atuar de maneira apropriada”, acrescenta o endocrinologista.

No caso da diabetes gestacional, a causa exata ainda não é conhecida. O que se sabe, porém, é que durante a gestação, a placenta produz altos níveis de diferentes hormônios e eles podem prejudicar a ação da insulina nas células, aumentando o nível de açúcar no sangue.

Diagnóstico da doença

Tostes explica que o diagnóstico é feito através da medição da glicose sanguínea. “Valores a partir de 126 mg/dl em jejum ou teste de tolerância maior que 200 mg/dl apontam para diabetes. Ainda, este mesmo valor (200 mg/dl) encontrado casualmente em indivíduos com sintomas característicos como perda peso, sede excessiva e que estejam urinando muito também são indicativos da doença”, diz.

“Frequentemente, é necessário repetir o exame para confirmar o diagnóstico”, acrescenta o endocrinologista.

8 sinais do diabetes que você não deve ignorar

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Kocerginsky explica que a tríade clássica que leva o diagnóstico do diabetes é: polidipsia (aumento da sede/ingestão de líquidos); polifagia (aumento da fome/apetite) e poliúria (aumento da quantidade de micções e no volume das mesmas).

“O maior problema é que, no tipo 2, os sintomas passam despercebidos e o diagnóstico é tardio”, destaca o médico ortomolecular.

“Outra forma de chegar ao diagnóstico é através das complicações do diabetes, como infecção de repetição em pele, início de um problema de visão, problemas vasculares. Em casos mais severos, a Cetoacidose (no tipo 1) e o estado Hiperosmolar (no tipo 2)”, acrescenta Kocerginsky.

Tostes reforça que, na maioria dos casos, a doença pode não manifestar sintomas, “mas ainda assim é capaz de causar lesões nos rins e olhos e aumentar a chance de eventos como AVC e infarto”.

Mas, de forma resumida, podem ser destacados como possíveis sintomas do diabetes, que não devem ser ignorados:

  1. Perda de peso;
  2. Sede excessiva;
  3. Boca seca;
  4. Mal-estar;
  5. Cansaço;
  6. Visão embaçada;
  7. Aumento do apetite;
  8. Aumento das micções e volume das mesmas.

“Em caso de dúvida e/ou aparecimento de sinais ou sintomas, o paciente deve procurar a assistência médica para diagnosticar e orientar o tratamento “, ressalta Kocerginsky.

Tratamentos e cuidados

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Mudança de hábitos. Francisco Tostes destaca que, no momento do diagnóstico, já é recomendado que sejam feitas mudanças nos hábitos de vida, como alimentação balanceada e atividade física. “Essas medidas podem ser suficientes para evitar ou até mesmo suspender o tratamento medicamentoso após algum tempo”, diz.

Medicamentos e insulina. “Atualmente, novas classes de drogas orais e insulinas estão sendo lançadas para tornar o tratamento mais eficaz, cômodo e com menor incidência de efeitos colaterais”, acrescenta o endocrinologista.

Vale lembrar que esta é uma doença grave, deve ser controlada, contando sempre com orientação médica e com atitudes importantes adotadas por parte do paciente.

Riscos de não tratar o diabetes

São inúmeros os problemas de não tratar o diabetes. Conforme destaca Kocerginsky, a doença, senão controlada, pode levar a:

  • Doenças cardíacas (é fator de risco para aumento de chance de infartos);
  • Doenças vasculares (AVC , doenças periféricas);
  • Doenças renais (levando até à insuficiência renal);
  • Cegueira;
  • Doenças dos nervos periféricos;
  • Demências;
  • Infecções de repetições e graves;
  • Estados metabólicos complicados;
  • Morte.

Como cuidar da sua saúde com a dieta correta

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Confira as principais orientações dos profissionais:

1. Controlar a carga e índice glicêmico. Kocerginsky destaca que a dieta do paciente tipo 2 deve ter um controle da carga e do índice glicêmico bem restrito, dando ênfase a proteínas magras, carboidratos complexos e ricos em fibras.

2. Tomar cuidado com o consumo de gorduras. “O uso de gorduras deve ser em quantidade limitada e restrito a gorduras boas”, acrescenta Kocerginsky.

3. Tomar cuidado com o consumo de carboidratos. “O diabético tipo 2 deve evitar o uso de carboidratos simples, farinhas e produtos refinados”, lembra o médico ortomolecular.

4. Consumir água. “A ingestão de água de forma adequada contribui para a saúde dos rins no diabético. Vale lembrar que refrigerante (de qualquer tipo) deve ser evitado”, destaca Kocerginsky.

5. Procurar um nutricionista. Tostes ressalta que o diabético deve procurar orientação de um nutricionista que, preferencialmente, tenha experiência na área. “Cuidados na quantidade e escolha dos carboidratos, inclusão de fibras, limitação na ingestão de gorduras ruins e restrição de proteínas naqueles que já possuem função renal alterada são alguns dos pontos a serem abordados”, diz.

Os direitos de quem tem diabetes

Tostes explica que, no caso do SUS (Sistema Único de Saúde), o paciente tem acesso a alguns tipos de medicação e insulinas, além do aparelho e fitas para medição da glicose capilar. “Deve receber atendimento de equipe multidisciplinar que pode ser composta por médico, nutricionista, enfermeiro e outros profissionais, como psicólogos, quando indicado”, diz.

“No caso do paciente com diabetes na rede privada, ele tem acesso aos atendimentos, exames e clínicas de sua rede conveniada”, acrescenta o endocrinologista.

Como evitar o diabetes

Kocerginsky destaca que o tipo 1 ainda não se sabe como evitar. “Mas, no caso do tipo 2, com duas palavrinhas: estilo de vida! A pessoa fazendo atividades físicas regulares e cuidando da alimentação tem tudo para evitar o diabetes”, finaliza o médico.

Embora ainda não seja possível se falar em cura para o Diabetes Mellitus, já existem estudos sendo conduzidos no sentido de levar à descoberta da cura dessa doença que, infelizmente, tem alta prevalência no Brasil e no mundo.

Comentários
Dicas relacionadas