Descolamento de placenta: entenda por que o quadro merece atenção

Escrito por Tais Romanelli

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Descolamento da placenta é um assunto que preocupa a maioria das grávidas. O ginecologista e obstetra Alberto Guimarães lembra que a placenta é um órgão que fica dentro do útero, sendo responsável pela passagem de sangue, nutrientes e oxigênio ao bebê. “O descolamento precoce acontece, então, quando ela se descola da parede uterina e faz com que todos os nutrientes, sangue e oxigênio passados ao bebê diminuam”, esclarece.

Este é um quadro perigoso, de acordo com Guimarães, pois pode levar à perda do bebê se o caso não for tratado urgentemente da maneira adequada. Conheça abaixo as causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção para o descolamento da placenta.

Causas e fatores de risco

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Guimarães ressalta que existem duas formas de descolamento de placenta: “pode ser total, quando descola 100% do útero, ou pode ser parcial, quando é descolada uma parte dela”.

Em todo caso, o descolamento de placenta deve ser tratado adequadamente, pois a gestante corre o risco de perder o bebê ou de o bebê não crescer corretamente, entre outros problemas.

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O descolamento de placenta ocorre devido a alterações na circulação de sangue na placenta e/ou inflamações, o que pode ser desencadeado por:

  • Pressão alta
  • Muito esforço físico
  • Algum tipo de batida forte nas costas ou barriga
  • Uso de cigarro ou drogas
  • Rompimento da bolsa antes do previsto
  • Falta de líquido amniótico na bolsa
  • Infecções
  • Alguma doença que altere a coagulação do sangue

Vale destacar que qualquer gestante pode sofrer com o descolamento de placenta. De acordo Guimarães, alguns aspectos genéticos e fatores de risco podem levar a um descolamento de placenta. Mas, os casos mais comuns, destaca o ginecologista e obstetra, são entre:

  • Pacientes hipertensas
  • Mulheres negras
  • Tabagistas
  • Diabéticas
  • Mulheres que já tiveram descolamento em uma gestação anterior

“Esses são alguns fatores que levam a uma possibilidade aumentada de descolamento placentário”, ressalta o ginecologista e obstetra.

Sintomas do descolamento de placenta

  • Sangramento
  • Dor e contrações
  • Incômodo nas costas e barriga

“O mais comum é o sangramento profundo, que chama a atenção. Outra coisa comum é dor, as contrações ficam muito intensas, vêm numa intensidade que foge um pouco do habitual… Então, com esses sinais de alerta, é importante pensar na possibilidade de descolamento placentário.”, acrescenta Guimarães.

É bom saber ainda a diferença entre descolamento prematuro da placenta e descolamento ovular, visto que, muitas vezes, os dois casos são confundidos devido à semelhança dos sintomas.

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O descolamento ovular pode acontecer no início da gravidez (ou antes das 20 semanas) e causar sangramento. O problema é diagnosticado por ultrassom e a recomendação é que a gestante faça repouso e tome as medicações necessárias, e, assim, as chances de abortamento são menores.

Já o descolamento prematuro de placenta, acontece em gestantes com mais de 20 semanas e apresenta-se como um caso mais grave exatamente pelo fato de poder levar à perda do bebê.

Diagnóstico

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Vale reforçar que é totalmente importante identificar o problema, porque o descolamento de placenta representa risco para a vida do bebê (já que, nesta condição, a mãe não conseguirá mandar sangue e oxigênio adequadamente ao feto).

“Nem sempre adianta fazer ultrassom para ver se a placenta se descolou, porque este é um procedimento ruim de identificar já que, às vezes, não deu tempo de acumular sangue atrás do útero e da placenta para aparecer no exame. Então, em muitos casos, pode dar normal no resultado”, explica Guimarães.

“É preciso o médico identificar clinicamente, monitorar o bebê, o nível de fibrinogênio e fazer hemograma completo”, destaca o ginecologista e obstetra.

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Tratamento

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Cada caso é tratado de forma bem individual, por exemplo, levando em conta o tempo de gestação, o histórico da mãe e o estado de saúde da gestante e do bebê.

“A mãe e o bebê serão monitorados, controlando a pressão. É necessário ainda realizar o pré-natal corretamente com mais cuidado e recomendar repouso absoluto para a gestante”, esclarece Guimarães.

A gestante, por sua vez, deve levar muito a sério as recomendações do seu médico, que costumam incluir:

  • Não ficar por muito tempo em pé;
  • Não fazer nenhum tipo de esforço como, por exemplo, carregar uma criança ou objetos pesados, limpar a casa etc.;
  • Beber bastante água, entre outras.

Em alguns casos, pode ser necessário antecipar o parto se não for possível estabilizar o quadro.

Prevenção

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Guimarães explica que não há como prevenir o descolamento de placenta. “Existem algumas medicações pensando na pré-eclâmpsia que ajudam a evitar. Mas, na verdade, temos que ficar atentos e, se ocorrer, o médico precisa ter urgência para fazer diagnóstico a tempo de iniciar a conduta para evitar que complicações ocorram”, destaca.

Por tudo isso, reforça-se a importância de se fazer um bom pré-natal, seguindo à risca todas as orientações passadas pelo médico. Aproveite e saiba mais sobre a importância do pré-natal.

Assuntos: Gravidez

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