Principais dúvidas sobre a depressão na gravidez, como identificar e tratar

Escrito por
Em 23.11.21

iStock

Por                                
Em 23.11.21

A gestação é uma fase que traz muitas incertezas e até mesmo angústias, fazendo com que muitas mamães se questionem se estão em uma situação de depressão na gravidez. A psicóloga Karyne Santiago (CRP 06/161451) contou um pouco sobre esse tema para ajudar as gravidinhas a sanar as principais dúvidas. Siga a leitura!

Publicidade

Índice do conteúdo:

O que é a depressão na gravidez

Segundo a psicóloga, para entender a depressão na gestação, é preciso falar brevemente sobre os aspectos da depressão, que é um transtorno psicológico. Os principais sintomas desta patologia são: tristeza profunda, desesperança, falta de interesse, fadiga, distúrbios no sono e no apetite, dificuldade de concentração, ansiedade, etc. Além disso, a profissional explica que sua origem pode se dar por diversos fatores, sejam eles orgânicos ou psicossociais e todos os sintomas geram forte impacto na vida do indivíduo.

Partindo para a depressão no período de gestação, “as características do transtorno permanecem as mesmas, porém, o fator de origem geralmente é um pouco mais específico”, afirma Karyne. Desse modo, a depressão pode ocorrer devido às mudanças provenientes dessa fase, já que a gravidez proporciona grandes variações na vida das mamães.

Causas da depressão na gravidez

Os motivos da depressão na gravidez são muito incertos, como aponta a profissional. Os fatores são diversos e ficam à mercê da subjetividade e individualidade de cada gestante. Contudo, Karyne indica que alguns estudos falam sobre as causas orgânicas referentes à impactante alteração hormonal que envolve essa fase, mas não desqualificam as questões sociais. Quanto a elas, seguem as principais causas da depressão na gestação:

  • Complicações físicas e/ou emocionais durante a gravidez;
  • A situação socioeconômica da gestante;
  • A situação da relação familiar e/ou amorosa com a descoberta da gravidez ou durante o período;
  • A prevalência do transtorno depressivo ou de outros distúrbios psíquicos anteriores a gestação;
  • A situação em que ocorreu a gravidez;
  • Complicações ou abortos em gestações anteriores.

Vale lembrar que isso varia de acordo com cada mulher. Além disso, Karyne chama atenção para a importância da desconstrução da crença de que toda gestação é perfeita e feliz, ou que toda mulher passa por esse período com imensa satisfação. “Ao passo que gerar uma vida pode ser incrível para algumas mulheres, para outras pode ser um período complicado, cheio de dúvidas, medo, mudanças significativas na vida e no corpo delas, além de várias outras coisas”, comenta. Não há certo ou errado, cada uma vai viver essa experiência a sua maneira, dentro da sua realidade pessoal e intransferível. Porém, a psicóloga acredita que, desfazendo essa visão social de perfeição que cerca a gravidez, é possível contribuir com o alívio da carga materna e individual nesse período.

Sintomas da depressão na gravidez

iStock

Karyne Santiago indicou os principais sintomas do transtorno depressivo no período gestacional. Muitos desses sintomas podem ocorrer comumente fora do transtorno depressivo, mas, “para caracterizar depressão, é necessário haver 5 ou mais desses sintomas, na maior parte do dia, quase todos os dias por um período de mais de duas semanas”. Confira quais são eles:

  • Humor deprimido e/ou alterações constantes de humor;
  • Ansiedade;
  • Desesperança e falta de interesse pelas atividades cotidianas;
  • Sentimentos de desqualificação e/ou culpa constantes;
  • Dificuldade de concentração;
  • Fadiga quase incapacitante;
  • Alterações no sono e no apetite (excesso ou falta);
  • Ideação suicida.

A profissional ainda diz que um fator relevante é que muitas vezes pode ser difícil diferenciar as alterações de humor por conta dos hormônios da gravidez e do transtorno depressivo, por isso sempre converse com seu médico.

Dúvidas sobre depressão na gravidez

iStock

Publicidade

Agora, você pode conferir as respostas da psicóloga Karyne Santiago às principais dúvidas acerca desse transtorno. Acompanhe!

A depressão na gravidez é normal?

Karyne Santiago (KS): as alterações de humor decorrentes das mudanças hormonais da gestação são normais. Karyne diz: “nesse período, é comum ouvirmos relatos sobre uma maior vulnerabilidade emocional. Porém, quando falamos de depressão, falamos de transtorno, de sintomas quase incapacitantes que ocorrem de maneira constante por semanas ou meses, e que precisam de atenção e cuidado”.

Qual a diferença entre depressão e tristeza?

KS: “a tristeza é um sentimento inerente do ser humano, que ocorre a partir de acontecimentos da vivência que geram frustrações, decepções, desagrados, etc. A depressão, por sua vez, é um transtorno psicológico que ocorre por diversos fatores orgânicos ou psicossociais, sendo caracterizado pela prevalência de determinados sintomas em um período recorrente”, responde a profissional. Sendo assim, enquanto o sentimento de tristeza geralmente possui um motivo específico e pode durar por horas ou alguns dias, os sintomas do transtorno depressivo maior (tristeza profunda, desesperança, falta de interesse, ansiedade, fadiga, etc) ocorrem quase todos os dias num período de pelo menos duas semanas.

A depressão na gravidez afeta o bebê?

KS: Sim. A depressão na gravidez além de trazer muitos riscos para a saúde gestante, como o abuso de substâncias, a desnutrição por conta da possível perda de apetite, as alterações orgânicas como aumento de pressão arterial, diabetes emocional e até mesmo ideações suicidas, consequentemente afeta o desenvolvimento satisfatório do bebê, podendo causar parto prematuro e em alguns casos até mesmo algum transtorno ou síndrome. Mas Karyne chama atenção para a necessidade de uma preocupação com o impacto emocional causado nesse bebê. “Estudos apontam que crianças que nasceram de uma gestação depressiva, quando comparadas com as demais, podem ser mais agitados, chorosos, ter dificuldade de concentração, e em alguns casos até mesmo apresentar comportamentos mais passivos, sem muita atividade”, complementa.

Outra coisa importante a se lembrar é que a depressão na gravidez não passa ou se cura instantaneamente com o nascimento da criança. Na verdade, de acordo com Karyne, ela pode ser agravada pelo puerpério e as situações que envolvem a adaptação de uma nova vida com um bebê, por isso é importante acompanhamento médico constante.

O que fazer para tratar

iStock

No caso da constatação do transtorno depressivo, é recomendado que a gestante procure ajuda imediata, seja com o médico que acompanha o seu pré-natal para buscar avaliar os fatores e encaminhar para os demais profissionais, seja com a busca direta por profissionais da saúde mental como um psicólogo ou psiquiatra. Karyne comenta que, “a partir daí, o tratamento vai depender dos fatores desencadeantes e do grau do transtorno que pode ser dividido em leve, moderado ou grave”.

Publicidade

Sobre isso, ela ainda indica que, em casos mais leves, o acompanhamento psicoterapêutico associado a ações que possam auxiliar na melhora da qualidade de vida, pode bastar. Já nos casos mais graves, a psicoterapia precisará ser acompanhada pelo uso de medicamentos prescritos por um psiquiatra.

Antidepressivos

Segundo a psicóloga, o uso de antidepressivo é muito discutido nos quadros de transtorno depressivo durante a gestação. Os médicos só recomendam o uso a partir dos 3 meses (12 semanas). Isso porque as substâncias de diversos medicamentos podem colocar em risco o bebê e a gestante, principalmente no início do desenvolvimento fetal. Por isso, somente uma boa avaliação médica realizada pelo psiquiatra, de preferência em conjunto com o médico que acompanha o pré-natal da gestante e o psicoterapeuta, para ponderar a necessidade e os riscos e benefícios da utilização do antidepressivo. “Aqui cabe atentar também para os riscos de ervas naturais que prometem auxiliar na melhora dos sintomas. Portanto, conte com ajuda profissional”, completa.

Por fim, a psicóloga afirma: “depressão é um transtorno sério que precisa de atenção e tratamento. Procure ajuda de profissionais da saúde mental!”. E por falar nisso, que tal saber mais sobre a psicoterapia?

Este conteúdo foi útil para você?
SimNão