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Criação com apego estimula vínculo forte entre pais e filhos

Tudo começa na gestação, quando os pais devem se informar e se preparar para o nascimento do bebê e para sua criação

em 17/09/2015

Foto: Getty Images

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Criar filhos completamente alegres, inteligentes, responsáveis, educados, tolerantes, com boa autoestima… Certamente esses são alguns dos desejos da maioria dos pais. Porém, infelizmente não existe uma “fórmula” que define como educar um filho da melhor maneira possível, garantindo que ele será uma criança e, posteriormente, um adulto com caráter admirável e, sobretudo, uma pessoa totalmente feliz.

Não há como negar, criar e educar um filho é um desafio diário para os pais. E, claro, sugestões sempre vão surgir, especialmente para os pais de primeira viagem: “você tem que dar limites para a criança”; “não é certo atender o bebê sempre que ele chamar”; “você não pode dar tudo o que seu filho pedir para não deixá-lo mimado” são apenas alguns exemplos de frases que podem vir em forma de conselhos.

Porém, por melhor que seja a intenção de quem aconselha, muitas vezes, isso serve apenas para deixar os pais ainda mais em dúvida sobre como devem agir.

Ao ouvirem falar em Criação com Apego, muitas pessoas podem pensar logo em um “conjunto de regras a serem seguidas”. Mas, como já se sabe, não existe uma fórmula de criação/educação que funcione exatamente da mesma forma em todas as famílias (já que cada uma tem suas particularidades). Neste sentido, o termo refere-se a ferramentas que ajudam os pais a criarem vínculos com seus filhos, através do atendimento consistente e amoroso das necessidades do bebê. Não impõe regras, mas, sim, transmite orientações fundadas em investigações sérias e conhecidas por serem eficazes em auxiliar crianças a desenvolverem ligações seguras.

Os princípios da Criação com Apego são, antes de qualquer coisa, definidos de maneira abrangente, podendo, assim, serem aplicados a uma grande extensão de realidades familiares.

Bete P. Rodrigues, mãe, professora formada em Letras (PUC- SP), com mestrado em Linguística Aplicada (LAEL- PUC/ SP), palestrante, consultora em educação e tradutora do livro Positive Discipline, comenta que, com origem na Teoria do apego, a Criação com Apego é estudada há mais de 60 anos, por pesquisadores de psicologia e desenvolvimento infantil. “Estes estudos revelaram que os bebês nascem com fortes necessidades básicas: proximidade, proteção e previsibilidade. Se essas necessidades são atendidas, a criança se desenvolve plenamente”, diz.

O que é Criação com Apego?

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Mas, enfim, o que é a Criação com Apego? Como pode ser definida?

Para Bete, “trata-se de uma criação consciente, ativa, na qual os pais e cuidadores zelam pelo bem-estar e, consequentemente, desenvolvimento integral da criança”.

A chamada Criação com Apego fornece ferramentas que ajudam os pais a criarem vínculos com seus filhos, através do atendimento consistente e amoroso das necessidades do bebê. Este é o ponto inicial, mas acredita-se também que, no caminho, eles acabam ensinando ao filho valiosas lições para toda a vida, como empatia e compaixão.

E, foi com o objetivo de transmitir orientações sérias aos pais – devendo ser vistas como “ferramentas” (permitindo que os adultos avaliem cada uma delas e escolham aquelas que melhor se adequam à sua necessidade/realidade) – que a API (Attachment Parenting International) criou Os Oito Princípios da Criação com Apego.

Os 8 princípios

Bete destaca que os princípios foram baseados em diversos estudos e são reconhecidamente eficazes em auxiliar crianças a desenvolverem ligações seguras. “A API reconhece ainda que cada família tem circunstâncias únicas, com recursos e necessidades próprios. Os Oito Princípios da Criação com Apego se propõem a: ajudar os pais a entenderem melhor o desenvolvimento normal dos filhos; a identificarem as necessidades de seus filhos; a responderem aos seus filhos com respeito e empatia”, diz.

1. Preparando para a gestação, nascimento e criação

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O começo de tudo e parte fundamental da Criação com Apego. Leva-se em conta que a gestação oferece aos pais uma oportunidade de se prepararem física, mental e emocionalmente para a paternidade.

Isso não significa, porém, ficar atento somente às coisas materiais associadas à gestação e aos cuidados com o bebê: roupinhas, roupas para a gestante, utensílios essenciais etc. Mas refere-se à necessidade de os pais se envolverem de fato na preparação para a chegada deste novo membro da família, mantendo-se informados e, também, criando um ambiente amoroso.

Algumas orientações práticas para isso, de acordo com a API, são:

  • Reflita sobre experiências da sua própria infância e crenças atuais sobre paternidade.
  • Informe-se sobre filosofias de criação.
  • Informe-se sobre os diferentes tipos de partos, não se deixando levar por mitos e opiniões alheias. Lembre-se sempre que o parto é seu.
  • Explore tipos diferentes de planos de saúde para poder se planejar.
  • Busque se informar sobre as vantagens do parto natural.
  • Estude sobre a importância da amamentação.
  • Tenha hábitos saudáveis para garantir uma boa gestação: coma alimentos nutritivos, faça exercícios regularmente, evite situações de estresse sempre que possível.
  • Mantenha um relacionamento forte e saudável com seu parceiro.
  • Pesquise sobre as “rotinas” para cuidados com o recém-nascido, como banho, exames de sangue etc. Registre suas preferências e compartilhe-as com os profissionais de saúde que te assistirão.
  • Considere uma doula para o parto e/ou pós-parto e se prepare para ter uma ajuda extra nas primeiras semanas após o parto.
  • Prepare-se para, se necessário, questionar caso uma situação inesperada ocorra no parto ou com o recém-nascido: Quais são os benefícios dessa intervenção? Quais são os riscos e possíveis resultados? Quais são as outras opções?

2. Alimentando com amor e respeito

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Este princípio ressalta que a construção de vínculos fortes através da alimentação é algo que a pessoa pode carregar para a vida toda. Não se refere apenas ao ato de amamentar no sentido de fornecer nutrientes ao bebê, mas também da alimentação consciente dos filhos e do uso das refeições como momentos de união com a família.

Algumas das considerações dentro deste princípio, de acordo com a API, são:

  • A amamentação satisfaz as necessidades nutricionais e emocionais do bebê. É melhor do que qualquer outro método de alimentação infantil.
  • A amamentação é uma das maneiras mais primitivas de uma mãe iniciar um vínculo de apego seguro com seu bebê.
  • O bebê deve ser alimentado em livre demanda, ou seja, sempre que der sinais (antes que ele comece a chorar).
  • Amamentar continua a ser importante nutricional, imunológica e emocionalmente após um ano.
  • Além dos benefícios para o bebê, a amamentação oferece benefícios para a mãe.
  • Amamentar é uma ferramenta valiosa para a mãe dar conforto e segurança ao bebê, de maneira natural.
  • Antes de decidir usar mamadeira e chupeta, informe-se sobre os problemas possíveis que existem no desenvolvimento do bebê com o uso de bicos artificiais. Avalie alternativas como copinho, sonda, entre outros.
  • Caso a mãe não possa amamentar, é importante para o vínculo reservar a alimentação apenas pela mãe.
  • Simule os comportamentos da amamentação quando estiver alimentando com mamadeira: segure o bebê quando estiver dando a mamadeira, posicionando-o próximo ao seio; mantenha contato visual, fale com calma e amorosamente; troque de posição (de um lado para o outro); alimente quando o bebê der sinais etc.
  • Associe o uso da mamadeira e da chupeta com o colo e atenção exclusiva ao bebê.
  • Comece a introdução aos alimentos sólidos quando o bebê der sinais de que está pronto, e não, necessariamente, com base na idade.
  • Deixe o bebê dar sinais sobre o que e quanto comer, deixando que ele desenvolva seu paladar naturalmente.
  • O alimento gradualmente toma o lugar do leite em termos de necessidade calórica, mas amamentar continua a atender outras necessidades, como conforto e desenvolvimento.
  • Se a você precisar desmamar antes que o filho dê sinais de que está pronto, faça isso gentilmente.

Bete ressalta que o aleitamento materno traz, indiscutivelmente, muitos benefícios à mãe e ao bebê. “Além das funções nutricionais e emocionais, amamentar traz conforto ao bebê de maneira natural”, diz.

3. Respondendo com sensibilidade

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A API entende que os pais podem construir a fundação da confiança e empatia respondendo apropriadamente às necessidades do filho. Os bebês comunicam suas necessidades de diferentes maneiras (por meio de movimentos corporais, expressões faciais e choro) e vão aprender a confiar com sensibilidade quando suas necessidades forem consistentemente atendidas.

Mas isso não quer dizer que construir um vínculo forte com o bebê signifique somente responder consistentemente às necessidades físicas dele, mas, também: passar momentos agradáveis interagindo com ele, e, portanto, atendendo às necessidades emocionais também.

Vale destacar que os pais poderão se deparar com os mitos sobre mimar um bebê, ou ainda, receber conselhos não solicitados vindos da família, de amigos e da mídia. Mesmo que bem-intencionados, alguns desses conselhos, muitas vezes, vão contra a ciência, fatos sobre desenvolvimento normal e até contra os próprios sentimentos intuitivos dos pais. A Criação com Apego considera, sobretudo, que, no curso de desenvolvimento normal de um filho, os bebês formam vínculos primários com a(s) pessoa(s) que passam a maior parte do tempo nutrindo e cuidando delas (normalmente, a mãe e/ou o pai) e dar colo e interagir com frequência aumentam o vínculo seguro.

Neste contexto, algumas das considerações dentro deste princípio (Responder com Sensibilidade), de acordo com a API, são:

  • O cérebro dos bebês é imaturo e significativamente subdesenvolvido no nascimento, dessa forma, eles não são capazes de se acalmarem sozinhos.
  • Através da resposta consistente e repetida de um adulto amável, a criança aprende a se acalmar.
  • Entenda os ritmos internos naturais do seu filho, e tente se programar ao redor deles.
  • É perfeitamente normal que o bebê queira contato físico constantemente.
  • Altos níveis de estresse, que podem acontecer, por exemplo, em sessões prolongadas de choro, fazem com que o bebê experimente um estado químico desbalanceado no cérebro, o que pode colocá-lo em risco de passar por problemas físicos e emocionais futuramente.
  • Se necessitar de suporte extra e/ou ajuda profissional, não hesite em buscá-los. Exaustão ou incapacidade de lidar com as necessidades do bebê são sinais de que você precisa disso.
  • As explosões de raiva, também conhecidas como “birras”, representam emoções reais e devem ser levadas em conta seriamente, mesmo que os motivos pareçam “bobos” para os adultos.
  • Os pais, durante uma explosão de raiva, devem agir dando conforto ao filho, não ficando com raiva ou punindo o bebê.
  • Os filhos mais velhos (que não são mais bebês) também devem continuar sendo atendidos pelos pais. É preciso nutrir uma conexão bem próxima, através do respeito aos sentimentos da criança e tentando entender as necessidades por trás de seus comportamentos.
  • Demonstre interesse às atividades do seu filho, e participe com entusiasmo das brincadeiras sugeridas por ele.

Bete comenta que, se o bebê estiver claramente atendido (descansado, limpo, alimentado) e ainda assim continuar chorando, pode ser, sim, porque quer atenção. “Procure dar essa atenção através de um colo, carinho, conversa, música, brincadeira, levá-lo para passear de carrinho, enfim, torne esse desafio uma oportunidade para estar com seu filho plenamente”, diz.

“Para se construir um vínculo forte com um bebê, é preciso responder consistentemente às suas necessidades físicas e também passar tempos agradáveis interagindo com ele (atendendo às suas necessidades emocionais). Siga sua intuição. Ignorar vez ou outra pode ser benéfico também. Não há uma regra mágica sobre como lidar com os chamados dos bebês”, acrescenta a professora.

4. Usando o contato afetivo

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Os bebês nascem com necessidades urgentes e intensas, e dependem completamente dos outros para atendê-las. Neste sentido, a API considera que o contato afetivo ajuda a atender tais necessidades por meio de contato físico, afeição, segurança, estímulo e movimento.

Algumas das considerações dentro deste princípio, de acordo com a API, são:

  • Para a criança, o contato afetivo estimula os hormônios de crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor, e ajuda a regular a temperatura do corpo, batimentos cardíacos e até o sono.
  • Os bebês que recebem contato afetivo têm mais chances de ganhar peso mais rápido, mamar melhor, chorar menos… São mais calmos e têm melhor desenvolvimento intelectual e motor.
  • Nas culturas onde o uso de afeto físico é amplamente utilizado existem baixas taxas de violência física entre adultos.
  • O contato pele a pele é especialmente eficaz, e a amamentação e banhos compartilhados, por exemplo, oferecem esta oportunidade.
  • Massagens podem acalmar bebês com cólica, ajudar uma criança a relaxar antes da hora de dormir, além de ser oportunidade para interações divertidas entre pais e filho.
  • Carregar um bebê, ou usar babywearing (materiais de tecido para manter o bebê bem perto do corpo) atende as necessidades do bebê de contato físico, conforto, segurança, estímulo e movimento – todos estes encorajando o desenvolvimento neurológico.
  • Evite o abuso de dispositivos destinados a segurar o bebê independentemente, como, por exemplo, balanços, carregadores plásticos e carrinhos.
  • Abrace, aconchegue, faça carinhos nas costas e massagens. Essas ações atendem às necessidades de toque, tanto quanto brincadeiras mais físicas, como lutas e cócegas.
  • Use sempre brincadeiras e jogos para incentivar a proximidade física.

“Se não dá mais para ‘carregar’ seu bebê, que tal usar sua criatividade para garantir o contato físico? Como por exemplo, dar colo, andar de mãos dadas, fazer massagem um no outro, tomar banho juntos, dar beijos e abraços, fazer carinho no rosto ou cabelo (cafuné), brincadeiras de cócegas e lutas… Deitar-se em um lugar confortável com a criança para juntos lerem uma história ou ouvirem música… Ou, simplesmente, conversar são ótimos motivos para que esse contato seja mantido”, ressalta Bete.

5. Garantindo um sono seguro, física e emocionalmente

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Muitos pais esperam que seu filho durma a noite inteira e, quando isto não acontece, tendem a se preocupar. Isso porque a ideia de “o bebê ter que dormir a noite toda” foi um mito passado de geração para geração.

A Criação com Apego lembra que os bebês possuem necessidades à noite (assim como de dia); seja devido à fome, solidão, medo, frio ou calor. E, por isso, eles precisam de pais amáveis para sentirem-se seguros durante a noite também.

Neste contexto, seguem algumas das considerações da API:

  • Cosleeping é um termo que se refere a dormir a uma “distância próxima”, ou seja, o filho está dormindo em uma superfície diferente, mas no mesmo quarto dos pais. Isso inclui o uso de berços, Moisés etc.
  • No caso de filhos mais velhos, cosleeping pode representar dormir em uma cama separada no mesmo quarto dos pais, ou dos irmãos mais velhos, por exemplo.
  • A Síndrome de Morte Súbita Infantil, segundo estudos, é reduzida por pais que praticam cosleeping seguro.
  • As rotinas noturnas frequentemente ajudam todos a relaxarem depois de um dia atribulado e a estabelecer hábitos de sono mais saudáveis. Busque encontrar a rotina que funciona melhor para o seu filho e lembre-se que qualquer rotina noturna pode levar 30 minutos, ou 1 hora, ou mais.
  • Lembre-se sempre que as rotinas de sono mudam ao longo do crescimento e amadurecimento do seu filho.
  • Tente sempre manter o senso de humor e ser flexível.
  • Ajude o seu filho a aprender a confiar no seu próprio corpo quando ele estiver cansado, reconhecendo sinais de cansaço. Não o force a dormir quando não estiver cansado, nem tente mantê-lo acordado quando ele estiver cansado só para cumprir uma rotina.
  • Quando chegar a hora, garanta ao seu filho uma transição para sua própria cama tranquila. É importante que os pais respondam a quaisquer sentimentos de medo ou tristeza experimentados pela criança.
  • As crianças mais jovens (que têm sua própria cama) tendem a dormir melhor quando os pais deitam com elas até que fiquem bem sonolentas, ou até que elas durmam. Elas crescerão e dispensarão essa necessidade quando estiverem prontas e passarão, então, a irem dormir por conta própria.
  • Nem a Criação com Apego, nem a cama compartilhada devem desencorajar a intimidade entre o casal. Basta usar um pouco de criatividade, levando em conta o momento e local certos.

6. Provendo cuidado consistente e amoroso

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Este princípio aborda a importância que a presença consistente de um cuidador amoroso tem para o desenvolvimento do bebê e para o vínculo de apego seguro.

Neste contexto, seguem algumas das considerações da API:

  • Em vez de tentar adaptar seu filho a rotinas que existiam antes de sua chegada, tente criar novas rotinas que envolvam o bebê.
  • Considere, por exemplo, levar o bebê dormindo para um encontro à noite, caminhar com o bebê no sling, levar um cuidador de confiança junto para noites longas ou eventos especiais.
  • No caso de momentos curtos de separação, conte com um cuidador de confiança, que o seu filho tenha vínculo e que apoie Os Oito Princípios da Criação com Apego.
  • Respeite os sentimentos do seu filho sobre estar pronto para a separação.
  • Entenda que até mesmo filhos mais velhos podem ter dificuldades com a separação.
  • Evite usar qualquer tipo de ameaça para forçar a separação, ou tentar prevenir que o seu filho chore.
  • É extremamente importante que os pais que se separam dos seus filhos passem um tempo muito dedicado com eles após a separação.
  • Cada criança está pronta para a separação em idades diferentes, mas pesquisas mostram que separações por períodos superiores a duas noites seguidas podem ser muito difíceis para crianças menores de três anos.
  • A permanência em creches por períodos superiores a 20 horas semanais pode ser estressante e prejudicial à saúde da criança em longo prazo enquanto ela tiver menos do que 30 semanas de vida. Assim, é preferível que a criança esteja em casa, sob os cuidados de um dos pais ou de um cuidador de confiança.

É fato que algumas mães que precisam retornar ao trabalho sentem-se em dúvida e questionam como podem fazer para continuar criando seu filho com apego. Bete acredita que o caminho seja buscar ajuda de parceiros comprometidos, parentes disponíveis ou berçários de confiança. “Conte com um cuidador de confiança que o seu filho tenha vínculo e, se possível, que apoie Os Oito Princípios da Criação com Apego da API e conheça a Disciplina Positiva”, diz.

“E, diariamente, ao retornar do trabalho, tenha momentos com a criança de plena atenção, carinho e demonstração de afeto, através de conversas sobre o dia e gestos de carinho”, acrescenta a professora.

“Gosto de sugerir que a mãe ou pai tenham rotinas para a hora das refeições e de dormir, rotinas que aproximem adultos e crianças, como por exemplo, o hábito de, ao colocar a criança para dormir, conversar brevemente sobre seu dia, perguntar à criança sobre o dela e/ou ler uma história de ninar… Tente fazer com que pelo menos uma refeição ao dia seja um momento de conexão com seus filhos. Procure demonstrar interesse pelas atividades do seu filho, e participe com entusiasmo em brincadeiras direcionadas por ele. Tente também falar com o seu chefe (se for o caso) para criar uma agenda que maximize o tempo dos dois pais com os filhos”, destaca Bete.

7. Praticando a disciplina positiva

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Os pais devem tratar seus filhos da maneira que eles desejam ser tratados. A Disciplina positiva é uma filosofia abrangente que tem como objetivo encorajar crianças e adolescentes a tornarem-se responsáveis e a serem respeitosos.

A Disciplina Positiva é amorosa e fortalece a conexão entre os pais e seus filhos, enquanto que uma disciplina rígida, que abusa da punição, enfraquece esta conexão.

Dentro desta ideia, seguem algumas das considerações da API:

  • Disseminar medo nos filhos cria sentimentos de vergonha e humilhação. O medo é visto como um fator que leva a um risco maior de comportamento antissocial no futuro, incluindo a prática de crimes e abuso de substâncias.
  • Estudos mostram que bater no filho pode criar problemas emocionais e comportamentais.
  • Uma disciplina dura e física ensina aos filhos que a violência é a única maneira de resolver problemas.
  • Disciplinas controladoras ou manipuladoras comprometem a confiança e prejudicam o vínculo entre pais e filhos.
  • É importante os pais examinarem suas próprias experiências na infância e analisarem como elas podem impactar negativamente na criação de seus filhos, buscando ajuda caso não consigam praticar a Disciplina Positiva.
  • Os laços de apego e confiança são formados quando os pais atendem consistentemente e amorosamente às necessidades do bebê.
  • A disciplina positiva envolve o uso de técnicas como prevenção, distração, e substituição para guiar gentilmente os filhos para longe do perigo.
  • Ajude seu filho a explorar com segurança o mundo, vendo este através de seus olhos, e demonstre empatia enquanto ele experimenta as consequências naturais de seus atos.
  • Tente sempre entender a necessidade por trás de um determinado comportamento do seu filho.
  • Resolva os problemas junto de seu filho.
  • Lembre-se que os filhos aprendem através de exemplos, então é importante esforçar-se para oferecer um modelo com ações e relacionamentos positivos dentro da família e em interações com outras pessoas.
  • Se os pais reagirem a alguma situação com sentimentos de tensão, raiva ou mágoa, eles podem reparar quaisquer danos na relação desde que dediquem tempo para reconectar e pedir desculpas.
  • Use a empatia e o respeito, mantendo sempre um relacionamento positivo.
  • Pesquise sobre Disciplina Positiva.
  • Crie um ambiente que propicie o “sim”.
  • Evite dar nomes e apelidos.
  • Faça pedidos usando afirmativas.
  • Converse com o seu filho, antes de intervir.
  • Não obrigue seu filho a pedir desculpas.
  • Ofereça escolhas.
  • Seja sensível a fortes emoções.

Bete destaca que conhecer os conceitos adlerianos (Alfred Adler, Rudolf Dreikurs e Jane Nelsen) e usar as ferramentas e dicas práticas da Disciplina Positiva ajudam imensamente todos os adultos envolvidos na educação de crianças e adolescentes. “Portanto, quanto mais se conhecer a DP, melhor poderemos criar nossos filhos.”

A professora sugere que os pais comecem conhecendo cinco princípios da Disciplina Positiva:

  1. Ajudar a criança a sentir conexão (sentir que pertence à família/escola e sentir-se importante).
  2. Encorajar respeito mútuo (firmeza e gentileza ao mesmo tempo).
  3. Funcionar em longo prazo (considerar o que a criança está pensando, sentindo, aprendendo e decidindo sobre si mesma e sobre seu meio social – e sobre o que fazer no futuro para sobreviver e para ser bem- sucedido).
  4. Ensinar habilidades sociais e habilidades de vida (respeito, cuidado com os outros, resolução de problemas e cooperação).
  5. Incentivar a criança a descobrir suas capacidades (encorajar o uso construtivo do poder pessoal e autonomia).

8. Mantendo o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar

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Os pais que praticam a Criação com Apego devem buscar maneiras criativas de encontrar equilíbrio entre suas vidas pessoais e a vida familiar.

Neste contexto, seguem algumas das considerações da API:

  • Estando em equilíbrio, os membros da família são mais capazes de serem emocionalmente compreensíveis.
  • A melhor maneira de evitar sentir-se isolada é olhar para fora e criar uma rede de suporte na sua comunidade.
  • Por mais que as necessidades do filho devam ser uma prioridade, ele é uma parte daquilo que envolve a família como um todo, incluindo as necessidades dos pais (como indivíduos e como casal) e dos irmãos (se houver).
  • Aceite o fato de que ter filhos muda as coisas e viva o momento.
  • Priorize pessoas em vez de coisas.
  • Não tenha medo de dizer “não”.
  • Seja criativa na hora de encontrar maneiras de ter um tempo a dois com seu parceiro.
  • Reserve um tempo só para você.
  • Busque ajuda de terceiros para tarefas.
  • Tire sonecas.
  • Evite sobrecarregar sua agenda.
  • Saia de casa.
  • Cultive amizades com outros pais que pratiquem Criação com Apego.
  • Mentalize mantras como “vai passar” e “é uma fase”.

Bete destaca que as mães precisam reservar um tempo para cuidar delas mesmas (dormir bem, se alimentar com alimentos saudáveis, fazer uma atividade física regular, conversar com amigas etc.). “A mulher deve buscar esse equilíbrio através de práticas que a acalmem e a ajudem a eliminar o estresse que pode surgir com a criação dos filhos”, diz.

“ Uma mãe de primeira viagem pode ficar tão envolvida nos cuidados com o seu bebê, que ela não reconhece suas próprias necessidades até que ela se encontre em dificuldades físicas ou emocionais. Por isso, vale lembrar que sintomas de exaustão ou incapacidade de lidar com as necessidades do bebê são sinais de que ela precisa de ajuda extra e/ou profissional”, acrescenta Bete.

5 motivos para aderir à Criação com Apego

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1. Ajuda na tarefa de criar os filhos. “São orientações práticas que podem ajudar muito nessa tarefa tão complexa que é criar os filhos”, destaca Bete.

2. Benefícios à criança e à família. A Criação com Apego é vantajosa às crianças e suas famílias, do ponto de vista emocional, cognitivo e neurocientífico. Destaca ainda a necessidade dos membros da família manterem o equilíbrio entre a vida pessoal e os cuidados com o filho (e a vida familiar de forma geral).

3. Fortalecimento do vínculo de pais e filho. A Criação com Apego, incentiva, sobretudo, vínculos fortes e saudáveis entre pais e filho. E isso não se limita apenas ao período em que o filho é bebê.

4. Amadurecimento emocional. Com a Criação com Apego espera-se a formação de filhos autoconfiantes e empáticos, exatamente porque a eles foi dada total segurança emocional.

5. É baseada em estudos sérios. Não são conselhos e nem regras… A Criação com Apego transmite orientações fundadas em investigações sérias e conhecidas por serem eficazes em auxiliar crianças a desenvolverem ligações seguras.

Ficou interessada nos princípios da Criação com Apego? A dica fundamental é pesquisar mais e mais sobre o assunto. “O fato de incluir a Disciplina Positiva como referencial teórico e prático é o que me motivou a conhecer e recomendar a Criação com apego. Recomendo a todos educadores e pais a leitura de Disciplina Positiva da Dra. Jane Nelsen, da Editora Manole, e também a participação em cursos sobre o tema”, finaliza Bete.

No Facebook, o grupo Criação com Apego também é uma ótima opção para se inteirar sobre o tema. Por lá é possível conversar com outras pessoas que seguem esta filosofia e esclarecer suas dúvidas.

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