Aprenda como evitar e tratar a coriza, o incômodo sintoma de “nariz escorrendo”

O sintoma é bastante associado à rinite alérgica, que é desencadeada por alérgenos, como ácaros, poeira, fungos, pelos de cão e gato

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Getty Images

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O nome pode não soar familiar “de cara”, mas, certamente, você já “sofreu” alguma vez com a chamada coriza – popularmente referenciada como “nariz escorrendo”.

Clarisse Guimarães Freitas, pneumologista do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), explica que coriza é um sintoma que caracteriza inflamação de vias aéreas superiores, com produção de secreção clara e hialina e que se associa, muitas vezes, a outros sintomas, como obstrução nasal e espirros.

Larissa Camargo, otorrinolaringologista do Centro Otorrino do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, ressalta que coriza trata-se de um sintoma nasal fruto da inflamação da mucosa nasal com produção de secreção geralmente transparente, sem odor e de consistência mais fina.

“O catarro, por vez, geralmente é uma evolução de muitos quadros de coriza, resultado de uma solução de proteínas, água e restos de anticorpos e micro-organismos. Importante salientar que produzimos cerca de três litros de catarro resultado do metabolismo natural de pequenas glândulas abaixo da mucosa”, acrescenta Larissa.

As causas mais comuns do problema

Larissa destaca que os agressores que estimulam este processo inflamatório geralmente são, principalmente:

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  1. Vírus;
  2. Alérgenos (poeira, pólen, pelos de animais).

Não por acaso a coriza é muito associada à rinite alérgica – que é desencadeada por alérgenos, como ácaros, poeira, fungos (mofos), pelos de cão e gato etc. E que é considerada, inclusive, uma das doenças crônicas mais comuns do mundo atualmente, atingindo pessoas de todas as idades.

Como evitar a coriza?

Larissa destaca como principais orientações:

  • Medidas de higiene ambiental (limpeza domiciliar);
  • Lavagem de mãos;
  • Evitar ambientes aglomerados e sem ventilação;
  • Manter uma alimentação balanceada;
  • Manter as vacinações em dia;
  • Apostar na lavagem nasal (uma das medidas mais simples e eficientes).

Clarisse reforça a importância da prevenção da rinite alérgica, evitando contato com poeira, fumaça ou outros alérgenos que o indivíduo tenha sensibilidade. “É importante se proteger também de variações bruscas de temperatura; manter o ambiente limpo e arejado; e umidificar o ambiente em épocas de seca”, orienta.

Tratamentos de farmácia

Larissa explica que é sempre primordial orientação de profissionais habilitados, mas, a lavagem nasal, o uso de descongestionantes orais e nasais, corticoides nasais e orais ou antialérgicos são medicações úteis e eficientes na redução dos sintomas nasais das infecções de vias aéreas superiores.

Clarisse também destaca a importância da lavagem nasal com solução fisiológica ou salina. “Anti-inflamatórios de uso tópico devem ser orientados por um médico e médico especialista em casos mais frequentes, prolongados e complicados – por exemplo, com duração maior que três dias, secreção amarelada purulenta, febre e dor de cabeça associados”, acrescenta a pneumologista.

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É fundamental se atentar aos ricos de apostar em “tratamentos” sem orientação médica. “Todas as medicações devem ser usadas sob prescrição médica, no entanto, pacientes hipertensos, em especial, devem utilizar com cautela os descongestionantes; e os diabéticos e hipertensos devem ainda tomar cuidado com os corticoides orais. Além disso, todas as medicações têm potência para reações de hipersensibilidade conforme cada paciente tenha sensibilidade”, diz Larissa.

Os principais cuidados/contraindicações, de acordo com Larissa, são no caso dos corticoides para pacientes hipertensos, diabéticos e com aumento da pressão ocular; e descongestionantes para hipertensos.

Ainda em relação a contraindicações, Clarisse destaca que se deve ter atenção aos vasoconstrictores nasais, que podem causar arritmia e elevação da pressão arterial e que atualmente são menos utilizados (somente em ocasiões excepcionais). “Os anti-histamínicos também devem ser utilizados com cautela e, principalmente, quando associados a outras substâncias”, diz.

Tratamentos caseiros

Algumas pessoas apostam em “receitas caseiras” para tentar aliviar o incômodo causado pela coriza, como as citadas abaixo. Porém, não há nenhuma comprovação de que elas possam ajudar.

Caju: bata um caju, sem casca e sem sementes, com 500 ml de água; beba cerca de 2 copos ao dia.

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Eucalipto: faça uma inalação com chá de eucalipto, usando 100g de eucalipto para 1 litro de água.

Gengibre: faça a infusão de gengibre em água fervente e adoce com mel para tomar.

Larissa destaca, porém, que a principal e mais eficiente medida caseira é a lavagem nasal com solução fisiológica. É barata e eficiente, de acordo com a otorrinolaringologista.

Quando devo me preocupar?

“As mudanças nas características da secreção nasal, como alteração da coloração para mais amarelada, mais espessa, associada a outros sintomas, como tosse, dor de cabeça, febre sugerem evolução para um quadro mais bacteriano”, destaca Larissa.

Nesse caso, é preciso maior atenção e o paciente não deve hesitar em procurar ajuda médica.

Coriza em bebê: o que fazer?

Os bebês apresentam limitações de uso de medicações devido à faixa etária. Dessa maneira, destaca Larissa, a lavagem nasal é primordial e eficiente.

“Os antialérgicos e medicações tópicas nasais geralmente são permitidos entre 6 meses e 2 anos”, acrescenta a otorrinolaringologista.

A coriza, de fato, gera incômodo e, embora não deva ser negligenciada, não deve ser motivo de desespero, pois, geralmente, não está associada a nenhuma patologia grave. De toda forma, seu médico de confiança deve ser procurado para indicar o tratamento correto.

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