Como sobreviver em um ambiente profissional dominado pelos homens

Saiba como fazer para se destacar no meio de tantos homens e ser valorizada pelas suas competências profissionais em ambientes considerados masculinos

Escrito por Daniela Brisola
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A mulher vem, a cada ano, ganhando mais espaço no mercado de trabalho. Apesar de se observar uma grande evolução na porcentagem das mulheres que trabalham, ainda são os homens que dominam inúmeras profissões. Eles compõem os quadros da construção civil, indústria, tecnologia e os cargos mais altos das grandes empresas. Também são eles que ainda possuem os melhores salários.

Segundo dados estatísticos do IBGE, as mulheres compõem apenas 46% da população economicamente ativa e se concentram em serviços considerados destinados às mulheres, como os serviços domésticos (quase 95%). Em contrapartida, os homens dominam ambientes como o da construção civil, sendo mais de 94,9%, e o da indústria, com 63,6%.

Para aquelas mulheres que pretendem se inserir nos ambientes dominados pelos homens é importante conhecer algumas dicas e saber o que é possível fazer para ser ouvida, valorizada e ter espaço sempre garantido mesmo no meio de tantos homens que, muitas vezes, não dão o devido valor ao talento das mulheres.

10 maneiras de sobreviver em ambientes dominados por homens

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Inessa Franco, coach especialista em inteligência emocional, e Márcia Karelisky, consultora em comunicação interpessoal, listaram algumas maneiras de sobreviver, se destacar e ser ouvida em ambientes de trabalho em que os homens são maioria. Elas mostram o caminho para as mulheres que pretendem se destacar em ramos como a engenharia, tecnologia da informação e etc, mesmo sendo as únicas mulheres da empresa.

1. Ser assertiva

No meio de tantos homens, pode parecer difícil se destacar e ser ouvida, por isso, ser assertiva, conhecer o seu potencial e não ter medo de pedir aumento e promoção ajuda a traçar um caminho rumo ao sucesso. “Tudo tem relação com a forma de comunicação. A forma como a mulher se posiciona, fala, transmite suas ideias. A maneira de se comunicar é fundamental para conquistar o respeito e a valorização”, afirma Inessa.

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É característica da mulher ter medo de pedir aumento ou promoção, muitas vezes por não acreditar em seu potencial e outras por achar ser pretensioso demais o pedido. “Na hora de pedir um aumento ou promoção é importante mostrar os ganhos para a empresa, o que foi feito e os resultados obtidos. E, em seguida, mostrar o que pode ser obtido de resultado com a promoção e porque ela é importante também para a organização”, explica a coach.

Já Márcia declara que ter uma comunicação atraente é tarefa para leoas. “Muitas vezes, nos preocupamos apenas com ‘o que’, ou seja, com o tema, as palavras, mas esquecemos ‘da forma’ como nos expressamos, que voz usamos, se o nosso corpo está congruente ou não com a nossa fala”, pontua a consultora sobre a importância da comunicação não-verbal na hora de pedir algo ao seu chefe.

2. Valorizar-se

É importante que você conheça o seu valor e demonstrar que acredita nele no ambiente de trabalho é um passo certeiro para se destacar. “O caminho para a quebra de paradigmas é iniciar a valorização de dentro para fora, internamente e externamente. Internamente, é a mulher acreditar que tem as mesmas competências e habilidades que o homem, independentemente das particularidades orgânicas e cerebrais de cada gênero”, pontua Márcia.

Inessa concorda que para ser valorizada pelos outros é preciso primeiramente se valorizar. “A primeira pessoa que ela precisa convencer é a si mesma. Depois que isso acontecer, os outros naturalmente irão reconhecer o seu valor, se ela tiver uma postura coerente com o que pensa e uma comunicação efetiva e construtiva.”

3. Destacar suas qualidades

Todo mundo possui inúmeras qualidades, algumas são bastante úteis para a empresa. “Qualquer pessoa deve sempre realçar as suas qualidades. Existem diversas formas de fazer isso. Como tudo na vida, é possível fazer de uma forma construtiva ou de forma arrogante. As pessoas se inspiram e querem estar perto de indivíduos realizadores e de sucesso. Não há nada atraente em se mostrar menor ou fracassado”, informa Inessa.

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“Quando temos boas qualidades e segurança no que fazemos, as nossas próprias ações já falam por si só”, revela Márcia. Para a consultora é importante que as suas qualidades estejam alinhadas com os valores exigidos pela empresa. “Havendo o alinhamento, diagnosticamos quais competências técnicas e comportamentais a profissional deve ter para aquela vaga/função”, explica Márcia.

4. Mostrar que merece tanto quanto o homem

Mesmo em profissões que são consideradas mais masculinas, você deve mostrar que merece tanto quanto qualquer homem. Para Inessa, ainda hoje, quanto mais alto o cargo, menor é a participação das mulheres. “Esse quadro fica ainda mais inacessível quando nos deparamos com profissões mais ‘masculinas’, aspecto puramente cultural em nossa sociedade, já que nos bancos das universidades há mais mulheres do que homens, mesmo nos cursos de engenharia, medicina, odontologia e tecnologia da informação que, no passado, eram praticamente dominados pelos homens”, detalha Márcia.

Para a consultora, a mulher, para ser reconhecida nesses ambientes, precisa fazer mais. “Primeiro, é preciso mostrar e acreditar em suas capacidades, confiança é tudo. Vale ressaltar que transmitimos ao outro muito mais através da nossa mensagem não verbal (corpo e voz) do que com a nossa mensagem verbal. Falar apenas que merece a vaga e ter uma postura corporal já derrotada, não nos leva a caminho algum”, completa Márcia.

5. Fazer networking

Manter uma rede de contatos é super importante para conquistar novos empregos e para ter uma cartela de clientes poderosa. No entanto, é fato que a mulher faz menos networking que os homens. Para Márcia, um dos motivos que fazem a mulher não manter tanto networking são as tarefas domésticas. “O casal ou a família que se estrutura com as tarefas domésticas e a criação dos filhos atinge mais equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Dessa forma, a mulher consegue circular tanto quanto o homem”, afirma.

Já Inessa sugere algumas dicas para fazer o networking. “É importante ter em mente os ganhos advindos a partir daí e onde isso poderá levar. Estando atenta a isso é fácil investir nessa atividade. Existem diversas formas de networking. Ir ao bar depois do expediente não é a única. Usar a criatividade para brincar com isso pode ser produtivo, interessante e divertido”, enumera a coach.

6. Não dar vez ao machismo

Algumas empresas ainda possuem hábitos que reforçam o machismo e insistem em colocar as mulheres para fazer o café, organizar festinhas da empresa, entre outras atividades que reiteram o costume de achar que a mulher é submissa ao homem. Neste caso, é preciso se posicionar e mostrar o seu real valor dentro da empresa. “Ser ela mesma, agir apesar do machismo e não ouvir a voz machista”, são algumas das dicas que Inessa dá para fugir do machismo.

Para Márcia, é importante mostrar a sua relevância dentro do cenário empresarial. “As mulheres que colocam suas ideias e seus pontos de vista de maneira assertiva, concisa, específica e com um grau de generosidade em sua comunicação, terão destaque nas corporações.”

Muitas vezes, no entanto, o comportamento machista vem da própria mulher. “Muitas vezes a mulher apresenta um comportamento machista, pois em sua equipe de trabalho ainda enfrenta comportamentos inadequados de suas parceiras de trabalho. Investir em treinamentos comportamentais só traz mais engajamento e alavanca os resultados da equipe”, explica Márcia.

7. Reforçar suas qualidades essencialmente femininas

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Algumas qualidades femininas são essenciais para o andamento de uma corporação. Portanto, para se destacar, ao invés de agir como homem, reforce as suas qualidades como um diferencial dentro do espaço dominado por homens. “A mulher que imita o comportamento do homem para ter respeito na corporação, não atingirá seus objetivos. A orientação serve para ambos os sexos, devemos aprender o que houve de positivo no sexo oposto e mesclarmos com as nossas próprias competências”, reforça Márcia.

“As mulheres têm habilidades inatas maravilhosas e é isso que as tornam tão apropriadas e mais competitivas para determinadas funções”, complementa a consultora. Para Inessa, as mulheres devem ser elas mesmas. “E por ser quem ela é que está em determinada posição. As mulheres não precisam mudar a sua forma de ser”, reitera a coach.

8. Saber competir

Nem todas as mulheres são competitivas, no entanto, esta é uma qualidade inata das pessoas que alcançam o sucesso. Por isso, se você quer se destacar, é importante competir de igual para igual com os homens da empresa. “Comportamentos corporativos habituais são difíceis de serem mudados e há anos estamos em processo de transição quanto à valorização, principalmente nos processos seletivos e nas promoções internas”, aponta Márcia.

Por isso, a mulher deve usar de todas as suas qualidades, ter confiança e mostrar que pode tanto quanto o homem exercer aquela função dentro da empresa. Se estiver em uma disputa em que você seja a única mulher, mostre porque você merece tanto quanto os seus competidores.

9. Definir prioridades

As prioridades das mulheres nem sempre são iguais as dos homens. Muitas têm como principal objetivo de vida formar uma família e isso pode atrapalhar os planos de carreira. “Definir prioridades é uma importante maneira de se atingir os objetivos que se pretende. Se você não estabelece prioridades, as pessoas e a vida determinam para você, e as suas prioridades acabam ficando em segundo plano”, afirma Inessa.

Para que a maternidade não atrapalhe a sua carreira, é importante conhecer a suas prioridades. “Saber o que ser na vida, o que se quer deixar como legado e onde se quer chegar é fundamental para ajudar a definir prioridades e redefinir valores, se for o caso”, comenta a coach.

“Estruturando a rotina familiar e procurando empresas que saibam contratar pessoas que se encaixem na realidade e nos valores da empresa e apresentem práticas para cuidar de suas colaboradoras”, é a dica que Márcia dá para as mulheres que querem ser mães e também terem sucesso em suas carreiras.

10. Vislumbrar o topo

Não basta ter as qualidades para chegar ao topo se você não o deseja. “No topo, o ar é rarefeito, nem todo mundo consegue respirar lá em cima, por isso é um lugar para poucos. Se você está disposta a pagar o preço, simplesmente continue agindo e fazendo o que precisa ser feito para chegar lá, tendo em mente o seu objetivo e deixando claro também para os outros”, detalha Inessa.

Um das qualidades para chegar ao topo é ter foco. “O foco é fundamental para alavancarmos cada uma das competências que necessitamos desenvolver. E se a mulher deseja alcançar cargos de liderança precisa focar ainda mais nas habilidades exigidas, como comunicação, trabalho em equipe e negociação, o mesmo acontece com homens”, finaliza Márcia.

Relatos: “Eu trabalho em um ambiente dominado por homens”

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Elsa Ferreira

Mulheres que trabalham em ambientes dominados por homens podem ajudar a quem está iniciando a carreira em uma profissão em que os homens são predominantes. Um desses exemplos é Elsa Ferreira, consultora interna do DHO na área do Desenvolvimento da empresa Business Partner. Segundo ela, a área de Tecnologia da Informação até hoje é dominada pelos homens, apesar de notar um avanço no número de mulheres.

“Para a mulher ser valorizada, ela precisa de qualificação técnica, comportamento colaborativo e ético e, principalmente, ter a mente aberta para aprender coisas novas constantemente. Aliado a isso, manter as características femininas que ajudam a se destacar em um mundo ainda dominado pelos homens”, ensina Elsa.

Trabalhar em um ambiente em que os homens são maioria é desafiador, intenso e divertido, conforme enumera a consultora interna. “Desafiador porque como mulher sempre temos que provar nossa competência. Divertido pelo convívio e ‘estudo’ do universo masculino, já que as mulheres são observadoras e detalhistas. E intenso pelo desafio diário”, afirma Elsa. Para a consultora, no entanto, o melhor seria que houvesse uma mescla entre funcionários homens e mulheres. “Deixa qualquer ambiente de trabalho melhor por possibilitar que a soma das características de ambos possam ser exploradas em prol de melhores soluções e resultados.”

Deixar de ser vista como frágil e emocional é a maior dificuldade de trabalhar nesses ambientes. “Se a mulher se destaca de alguma forma é classificado como sorte, já o homem sempre é competente”, reitera Elsa. Outro ponto é que as qualidades femininas dificilmente são valorizadas. “Ainda vivemos em um mundo machista, mas, aos poucos e com nossa persistência, competência e resultados, aliada à exigência e competitividade do próprio mercado, este cenário tenderá a mudar”, conclui a consultora interna.

Não me coloco como uma mulher que está em desvantagem. Simplesmente me coloco como uma profissional, independente de sexo. O trabalho precisa ser feito e os resultados alcançados.

Segundo Elsa, o preconceito existe, mas é velado. “Evoluímos muito, mas ainda existe preconceito em, por exemplo, cargos de liderança para mulheres.” Quanto a igualdade salarial é outra batalha ainda não vencida pelas mulheres. “Ainda existe uma valorização maior para um homem do que para uma mulher em uma mesma função ou papel, tendo resultados iguais. Além disso, por vezes acumulamos várias funções “, pontua a consultora.

As táticas que ela usa para se destacar na empresa é se colocar como uma profissional competente, independente de seu sexo. “Não me coloco como uma mulher que está em desvantagem. Simplesmente me coloco como uma profissional, independente de sexo. O trabalho precisa ser feito e os resultados alcançados”, afirma.

Talita Lombardi

Outra profissional que está sempre em volta de muitos homens é Talita Lombardi, empreendedora. Para ela, para ser valorizada dentro de uma profissão de domínio masculino é importante entender que homens e mulheres são complementares e não entrar em uma competição entre sexos.

“A valorização vem com os resultados. Se a empresa que a pessoa trabalha não valoriza, é bem interessante buscar uma outra que possa ver isso como uma oportunidade. Uma hora, os executivos-machistas vão, naturalmente, compreender o quanto perdem fazendo discriminações”, acentua a empreendedora.

Para Talita, trabalhar em ambientes dominados por homens tem coisas boas e ruins. “Pode acontecer do homem subestimar o potencial da mulher e, como somos movidas à desafios, acabamos trabalhando mais para provar que somos melhores do que pensam. A parte boa é que, muitas vezes, eles ficam mais cuidadosos na hora de ‘chamar a atenção’, são mais cavalheiros etc.”, completa.

A maior dificuldade de ter uma dessas profissões dominadas por homens é não compreender o seu próprio potencial. “Antes de qualquer julgamento externo, precisamos estar bem internamente, até para tomar decisões, como pedir demissão. Quando nos impomos, eles não enfrentam. Temos que argumentar com resultados, não no grito”, revela.

O preconceito, para ela, ainda existe. “E por isso que em toda minha carreira e até hoje como empreendedora tento ‘peneirar’ cada julgamento externo e confiar no meu taco. Mas tem horas que dá vontade de gritar e sair correndo”, exclama Talita. Para ela, as qualidades femininas ajudam no desenvolvimento da empresa. “Temos duas coisas incríveis: intuição e charme! Além de conseguirmos fazer diversas coisas ao mesmo tempo e cuidarmos mais de nossos times, como mães.”

No entanto, faz uma ressalva. “Homens e mulheres são seres complementares. A grande sacada é entender a habilidade de cada um para construir um time incrível.” Para ser respeitada e ouvida, ela se faz presente. “Eu trabalho, foco em resultados e me imponho com isso. Não existe melhor resposta e argumentação do que mãos na massa”, declara.

É sempre um desafio, precisamos trabalhar forte e mostrar muito resultado para sermos reconhecidas no ambiente masculino

Já para Fabiana Reinert, gerente comercial, para se destacar em um ambiente dominado por homens é importante ter dedicação, envolvimento, confiança, conhecimento e ética. “É sempre um desafio, precisamos trabalhar forte e mostrar muito resultado para sermos reconhecidas no ambiente masculino”, pontua.

Para a gerente comercial, o maior desafio é vencer o preconceito. “A sensação é que estamos sempre em desvantagem pelo fato de ser mulher. Precisamos nos superar com frequência e mostrar o valor diariamente”, explica. Em relação às qualidades femininas, ela acredita que as mulheres são mais dedicadas, focadas e comprometidas. “Isso é vantagem em qualquer cargo.”

Nas reuniões ela diz ser bastante difícil de ser ouvida. “Principalmente quando é o primeiro contato ou a primeira reunião.” Para se impor nesses momentos, ela possui algumas táticas. “Procuro estudar, me atualizar, buscar conhecimento e me dedicar ao trabalho. Além disso, procuro falar de forma direta e firme para que as pessoas me escutem”, finaliza.

Giovanna Haupenthal

Giovanna Haupenthal é account manager, da integradora 2s Inovações Tecnológicas, e também trabalha em uma empresa dominada por homens. “Acredito que as mulheres devem, cada vez mais, investir em treinamentos para valorizar seus conhecimentos e demonstrar que faz a diferença em uma empresa.”

A account manager pontua que trabalhar em um ambiente rodeada por homens pode ser até melhor do que em locais de trabalho que tenham mais mulheres. “Para mim é melhor do que em um ambiente feminino, em que muitas vezes questões de trabalho são levadas para o lado pessoal e em um ambiente predominantemente masculino isso não acontece.”

No entanto, ela reforça que ainda há grandes dificuldades em ser uma das poucas mulheres da empresa. “Uma das dificuldades é o plano de carreira e remunerações, que não são igualitários”, resume Giovanna. Como trabalha por comissão, ela afirma que não há, em seu trabalho, essa diferença.

Para ter melhor desempenho, ela não deixa de usar as suas qualidades femininas. “Acredito que, muitas vezes, no atendimento ao cliente a mulher consegue a fidelização. Por ser mais delicada e atenciosa, sabe conquistar melhor o cliente, principalmente em discussões mais acaloradas. Quando o cliente vai ser contrariado, conseguimos ter mais jogo de cintura”, detalha Giovanna.

“Acredito que hoje em dia a mulher precisa ter uma visão mais global que vai além do seu mercado de trabalho. Por exemplo, ao iniciar uma conversa precisa saber a melhor hora para demonstrar que não entende só de negócios, mas também de política, economia, meio ambiente, entre outros assuntos”, conclui dando dicas para quem quer ganhar espaço em ambientes dominados por homens.

As opiniões emitidas por entrevistados não refletem, necessariamente, a posição do Dicas de Mulher.

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