7 coisas que pessoas com doenças invisíveis gostariam que você soubesse

Acreditar no que a pessoa está dizendo e ser capaz de enxergar o ser humano por trás da condição são atitudes fundamentais

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

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Enquanto é óbvio que uma pessoa que está com o pé quebrado não pode correr, nem sempre é tão fácil entender as limitações de uma pessoa que sofre de uma doença invisível ou uma condição crônica.

Embora haja uma rede apoio bastante sólida para pacientes com condições como diabetes e hipertensão, que também não podem ser reconhecidas à primeira vista, pessoas que sofrem com doenças invisíveis relacionadas a dores constantes (como a fibromialgia), cansaço crônico ou desordens psicológicas (como a depressão, déficit de atenção ou alguma fobia), entre outras, nem sempre recebem esse mesmo suporte.

Quando convivemos com um familiar ou um amigo que sofre com uma doença invisível, nem sempre temos certeza da melhor forma de agir. Por isso, aqui estão algumas coisas que essas pessoas gostariam que a gente soubesse antes de tentar ajudá-las:

1. É importante que você acredite neles

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Ninguém duvida que uma pessoa que tem diabetes, certo? Portanto, também não devemos duvidar de pacientes com outras doenças invisíveis, seja ela uma dor crônica, depressão ou outra condição.

Tenha em mente que a pessoa resolveu se abrir porque ela sente confiança em você, e não é fácil falar sobre uma doença com essas características. Por isso, devemos fazer o possível para mostrar interesse e entender o que ela está sentindo, sem duvidar do que ela está relatando ou julgar suas reações. Pode ser uma boa ideia fazer uma pesquisa sobre a doença para entender melhor o que ela causa.

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2. Elas não querem falar disso o tempo todo

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Sim, é importante que escutar com paciência e interesse, mas nem sempre uma pessoa que sofre de uma doença invisível quer falar sobre isso. É claro que podemos perguntar como ela está se sentindo, mas não devemos fazer isso o tempo todo.

Outra atitude que deve ser evitada é ficar cobrando se a pessoa tomou seus remédios, foi à fisioterapia ou qualquer outra coisa que ela deveria fazer para manter sua condição sob controle.

Insistir em falar sobre a doença pode fazer a pessoa sentir como se ela fosse definida por sua condição, e não como um ser humano com sonhos, objetivos, qualidades e defeitos como qualquer outro. Via de regra, é melhor deixar que ela traga o assunto à tona.

3. Não é legal comparar pessoas com doenças invisíveis

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Talvez seu primo também tenha uma dor crônica no ombro ou sua colega de trabalho também esteja lidando com uma depressão, mas ficar fazendo comparações entre seu ente querido e outras pessoas não é nada agradável.

Quando dizemos que “fulano também se sente assim, mas consegue realizar tal tarefa”, estamos supondo não apenas que sabemos como a pessoa se sente mais do que ela própria, mas também podemos dar a entender que ela não está se esforçando quanto deveria, já que outra pessoa parece estar melhor do que ela.

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Além disso, nem sempre pessoas com a mesma condição reagem da mesma forma diante de uma abordagem: algumas podem se sentir melhor com um abraço, enquanto outras podem preferir conversar ou mesmo ficar um tempo sozinhas.

4. A doença não se manifesta do mesmo jeito todos os dias

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Não se espante se ontem a pessoa parecia ótima, fez mil atividades, trabalhou, estudou, passeou… e hoje ela está novamente abatida ou sentindo dores. Isso não significa que ela esteja mentindo sobre sua condição, mas sim que os sintomas de uma doença invisível não aparecem com a mesma intensidade o tempo todo.

Quando questionamos por que a pessoa não está agindo da mesma forma que em outra ocasião em que ela parecia melhor, isso pode soar como uma dúvida e criar uma necessidade de explicação que, muitas vezes, o paciente não pode nos dar.

5. Nem sempre você pode oferecer ajuda de verdade

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Uma pessoa com uma doença invisível já deve ter passado por muitos médicos e exames, muitas vezes invasivos. Por isso, quando perguntamos se ela já experimentou tomar tal medicamento, fazer uma receita caseira ou qualquer outra coisa, sem ter conhecimento técnico da condição, é bem possível que ela fique irritada.

É claro que podemos compartilhar uma notícia sobre um novo tratamento, por exemplo, mas não devemos ficar cobrando se a pessoa foi atrás dele. Devemos lembrar que, em geral, pacientes com doenças invisíveis recebem conselhos não solicitados o tempo todo, e isso incomoda qualquer um.

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Para realmente ajudar, podemos perguntar se há alguma coisa que possamos fazer. Em caso afirmativo, simplesmente devemos fazer o que nos foi dito, sem questionar.

6. Pessoas com doenças invisíveis continuam sendo pessoas

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Seu ente querido que sofre de uma doença invisível fez alguma coisa errada ou te magoou? Então você não deve necessariamente poupá-lo desses fatos. Apesar de sua condição, eles continuam sendo seres humanos, com todas as suas virtudes e defeitos. É claro que devemos considerar se a atitude pode ter sido causada pela forma como a pessoa se sentia na ocasião, por isso nunca é demais abordar o assunto com delicadeza.

Também devemos ter em mente que não se deve parar de convidar uma pessoa com uma doença invisível para eventos sociais nem evitar recorrer a ela quando precisamos de ajuda. Em vez de nós mesmos tomarmos uma decisão, ela vai se sentir melhor se a deixarmos decidir por si própria se ela está bem o suficiente para fazer alguma coisa.

7. É muito mais do que apenas uma doença invisível

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Em geral, nós sabemos que a pessoa precisa fazer mais esforço para subir uma escada, sente dores insuportáveis mesmo parada ou qualquer outra consequência da doença. Porém, nem sempre nos damos conta de que existe um universo por trás disso, ao qual não temos acesso.

Não sabemos como realmente é a dor, o quanto isso custa à pessoa e o que ela precisa fazer a mais em comparação com o restante da humanidade para simplesmente ter o direito de existir. Ser parte de todo esse universo invisível requer assumir uma postura de suporte e estar atenta para não ultrapassar limites.

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Porém, nós também somos seres humanos e estamos sujeitas a cometer erros, por melhor que sejam nossas intenções. Nesse caso, o melhor a se fazer é pedir desculpas e ouvir o que a pessoa tem a dizer. Não se martirize: lembre-se de que, apesar da doença invisível, ela é uma pessoa como qualquer outra e é capaz de entender e perdoar.

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