Cistite: tudo o que você precisa saber sobre a infecção da bexiga

As mulheres tendem a ter bem mais infecções da bexiga do que os homens, saiba como se prevenir para não fazer parte das estatísticas

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Thinkstock

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A cistite pode acometer homens e até crianças, mas, em 90% dos casos atinge o público feminino, especialmente durante a gestação, a menopausa e/ou o início da atividade sexual.

Poucas pessoas, porém, sabem de fato por que a cistite acontece, por que é prevalente entre as mulheres, quais riscos ela representa, quais são seus sintomas reais e como ela pode ser tratada. Abaixo você esclarece estas e todas as outras dúvidas sobre o assunto.

O que é cistite?

A cistite é uma inflamação/infecção da bexiga. “Em geral, é causada por bactérias que entram pela uretra e chegam até a bexiga ou da própria flora bacteriana da urina, causando inflamação e sintomas”, diz José Antônio Longo, urologista do Hospital Albert Einstein.

O médico destaca que a maioria das infecções ocorre somente na bexiga. Porém, em alguns casos, elas podem se espalhar para os rins, e isso é o que mais temem os profissionais da área, já que o quadro torna-se, assim, mais grave podendo provocar pielonefrite e até septicemia (infecção generalizada).

Homens, mulheres e crianças estão sujeitos ao problema. Mas a cistite é muito mais prevalente na mulher (quase 90% dos casos). “Um dos motivos para isso é o fato de a uretra da mulher ser mais curta que a do homem, estar na genitália feminina e próxima ao ânus”, destaca o urologista Longo.

Vale ressaltar que existem dois tipos de cistites: a cistite aguda, que pode ser mais facilmente tratada e não tende a se repetir com frequência; e a cistite crônica, que pode acontecer de 4 a 5 vezes no ano ou mais, e exige um tratamento mais prolongado.

Causas da cistite

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As mulheres tendem a ter mais infecções da bexiga do que os homens porque têm uma uretra mais curta e próxima ao ânus. Dessa forma, pode-se dizer que as próprias particularidades anatômicas do trato urinário feminino já são uma das causas do problema.

De acordo com o urologista José Longo, existem algumas fases em que é bastante comum que ocorra a cistite na vida da mulher: no início da atividade sexual; durante a gravidez e na menopausa. “As crianças podem ter anomalias anatômicas tais como refluxo de urina da bexiga para os rins e devem sempre ser avaliadas pelo pediatra”, acrescenta.

“Na relação sexual, ocorre mudança da flora vaginal. A mulher recebe sêmen etc. e a flora se altera, o que pode fazer com que germes subam para a uretra e cheguem à bexiga causando infecção”, explica o médico.

“Já na gestação, ocorre a presença de mais bactérias. No caso da mulher grávida, a cistite geralmente é assintomática (sem sintomas). Por isso é importante que o profissional fique atento, pois uma infecção mais séria pode até levar ao aborto ou ao parto prematuro”, comenta José Longo.

“No caso da menopausa, ocorre queda hormonal, os tecidos ficam mais vulneráveis e, além disso, a idade faz com que a imunidade vá baixando. Tudo isso faz com que a mulher na menopausa esteja mais propensa a este tipo de infecção”, acrescenta o urologista.

Mas outros fatores também aumentam as chances de desenvolver cistite, conforme destaca o urologista Longo:

  • Existência de algum cálculo (pedrinha, estrutura sólida) no trato urinário – o que faz com que a flora da via urinária se altere e fique com uma quantidade maior de bactérias.
  • Existência de uma secreção vaginal (corrimentos vaginais, por fungo, bactéria etc.).
  • Presença de verrugas genitais que alteram a flora vaginal (verrugas provenientes do HPV= condiloma acuminado).
  • Baixa imunidade, que oferece um risco maior de infecções. A baixa imunidade pode ocorrer, por exemplo, devido ao estresse, à senilidade, a infecções, a neoplasias, a doenças como, por exemplo, diabetes, pneumonia, AIDS, câncer, hepatite crônica, leucemias.
  • Pouco consumo de líquidos.
  • Urina represada por muito tempo (como no caso de pessoas que ficam muito tempo sem ir ao banheiro no trabalho ou em uma viagem), já que a “urina parada” contribui para que as bactérias se desenvolvam.
  • Uso de fraldas (no caso das mulheres mais velhas), o que deixa a região muito quente e úmida, podendo ocasionar a infecção.

Os principais sintomas do problema

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José Longo explica que, às vezes, no caso de mulheres com cerca de 70 ou 80 anos, elas têm infecções crônicas de repetição, mas sem sintomas. “Aí são as outras pessoas que acabam percebendo, pois elas ficam mais quietas, sem fome, apáticas, pálidas, com queda de pressão arterial, sensação de frio exagerado, às vezes só o odor da urina é diferente etc.”, comenta.

Mas, em geral, os principais sintomas que podem ocorrer, de acordo com urologista, são:

  • Dor para urinar (disúria)
  • Aumento da frequência de micções (polaciúria)
  • Urgência para urinar
  • Vontade de urinar mais vezes durante a noite (noctúria)
  • Sensação de estar o tempo todo com vontade de fazer xixi (tenesmo)
  • Desconforto na região púbica (peso)
  • Sangramento na urina (hematúria)
  • Urina turva (como se estivesse com pus ou com talco)
  • Febre
  • Urina com odor diferente
  • Dor lombar (caso a infecção tenha atingindo os rins).

Conheça os tratamentos para a infecção da bexiga

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José Longo explica que a cistite aguda é tratada com antibiótico e, dependendo do caso, com analgésico e antisséptico para aliviar mais rapidamente a dor e a sensação de desconforto que a cistite está causando na paciente.

“Recomenda-se que a pessoa evite relações sexuais por cerca de uma semana (já que a uretra ainda está machucada). E, também, tome bastante líquido (assim que melhorar aquele desconforto inicial e ela já conseguir urinar normalmente, sem dor)”, acrescenta o urologista.

A infecção aguda pode ser tratada por qualquer profissional capacitado para isso.

Já nos casos das infecções crônicas de repetição (que acontecem 4 , 5 ou mais vezes no ano), a paciente é necessariamente encaminhada para um urologista que tentará descobrir a causa da cistite. “Pode estar ocorrendo devido à presença de uma pedrinha, de um refluxo de urina, devido a doenças como a diabetes, a um tumor ou cisto renal etc. Enfim, o profissional vai investigar o caso”, comenta o urologista Longo.

Mas, vale ressaltar, a cistite crônica também tem cura. “Em alguns casos pode ser dado antibiótico em doses pequenas por um certo período; pode-se ainda recomendar o uso de Vitamina C, que melhora a imunidade da paciente etc.”, explica José Longo.

O médico destaca ainda que, inclusive, alguns chás podem ajudar no tratamento da cistite. “Chás em geral podem ajudar pois aumentam a hidratação e são diuréticos, evitando que a pessoa fique muito tempo sem urinar”, comenta.

Outra “arma” importante no tratamento e na prevenção da cistite é uma frutinha chamada Cranberry . “Ela tem ação bactericida e também ação de cicatrização da bexiga (isso porque, vale destacar, a bexiga pode demorar de 3 a 6 meses para cicatrizar totalmente depois de uma infecção)”, explica José Longo, acrescentando que ela deve ser consumida em sachê ou em cápsula, conforme orientação profissional, e pode ser misturada no copo de água, de suco ou de chá.

É possível prevenir a cistite?

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Abaixo, o urologista José Longo cita algumas medidas importantes para tentar evitar a cistite:

  • Melhorar a imunidade (por meio de exercícios físicos, boa alimentação, não se estressar);
  • Em caso de corrimentos, procurar o ginecologista para tratar o mais rápido possível;
  • Controlar a diabetes (no caso de pessoas com a doença);
  • Tomar bastante líquido (um adulto de 60 a 70 quilos deve tomar de 1 a 1 litro e meio de líquido por dia);
  • Urinar a cada 3 horas;
  • Ter cuidados com a higiene pessoal (mantendo sempre limpas as regiões da vagina e do ânus);
  • Usar sabão neutro (que não causa irritação);
  • Evitar roupas íntimas muito justas ou que retenham calor e umidade (pois estas facilitam a proliferação das bactérias);
  • Trocar os absorventes ou as fraldas (no caso das mulheres mais velhas) com frequência para evitar a proliferação bacteriana.

Cistite x infecção urinária: quais são as diferenças?

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Mas, afinal, qual é a diferença entre cistite e infecção urinária? Esta é uma dúvida bastante comum, até mesmo entre pessoas que já tiveram um dos problemas.

O urologista José Longo explica que cistite é uma infecção somente na bexiga (ou parte baixa do trato urinário).

Já a infecção urinária é um termo que expressa um quadro infeccioso que pode ocorrer em qualquer parte do sistema urinário, como rins, bexiga, uretra e ureteres (e não especificamente/somente na bexiga).

Agora que você já tirou todas as suas dúvidas sobre a cistite, lembre-se: apresentando um ou mais dos sintomas relacionados à infecção, procure um médico para verificar a gravidade (ou não) do problema e tratá-lo o mais rápido possível. Afinal, com saúde não se brinca!

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