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Cirurgia de reconstrução mamária: esclareça suas dúvidas

Estudos mostram que a reconstrução proporciona melhor qualidade de vida à paciente e ajuda no tratamento do câncer

em 27/09/2013

Foto: Thinkstock

As novelas geralmente trazem a tona assuntos reais e importantes, que passam ou voltam a ser discutidos pela população em geral. Em Amor à Vida (2013), da Rede Globo, o drama da personagem Sílvia, vivida por Carol Castro, que descobriu que tem câncer de mama e terá que realizar mastectomia total no seio, tem chamado a atenção de muitas mulheres que se preocupam com a sua saúde.

Ao falarmos em mastectomia total, outro assunto vem logo à cabeça das mulheres: a possibilidade de reconstruir o seio afetado através de cirurgia.

Atualmente, a maioria das pessoas sabe que isso é possível, porém, ainda existem muitas dúvidas em torno do assunto. A cirurgia de reconstrução de mama é indicada para todas as mulheres que retiram uma parte ou o seio por completo? É uma cirurgia arriscada? Quando deve ser feita?

Abaixo, o médico Pedro Alexandre, especialista em cirurgia plástica, responde a essas e outras questões.

Como é feita a cirurgia de reconstrução mamária?

O especialista explica que a reconstrução varia conforme as condições da mama, após a cirurgia de tratamento do câncer – que inclui a retirada de apenas uma pequena porção do seio comprometido pelo tumor ou ainda, a extirpação total do mesmo, incluindo ou não a extração da aréola e do mamilo.

“Por exemplo, em casos de tumores pequenos em que o cirurgião retira pouco tecido mamário, pode-se realizar uma plástica nas duas mamas para simetrizá-las, tanto na forma como no volume”, explica o especialista Pedro Alexandre.

“Se a mama toda tiver de ser retirada, pode-se colocar, na mesma cirurgia, um expansor (que é uma espécie de balão de silicone, que vai sendo cheio com soro durante cerca de 60 dias no pós operatório com injeções semanais, através de uma válvula que possui) para distender aos poucos a pele e prepará-la para, numa outra cirurgia, colocar a prótese de silicone definitiva”, continua o cirurgião.

Outra alternativa é colocar direto a prótese na mesma ocasião da retirada da mama. “Isso é feito se houver condições, ou seja, se a pele da paciente tiver elasticidade suficiente para que não precise ser previamente expandida”, explica Pedro Alexandre.

O especialista diz ainda que, nos casos em que for necessário, pelo tamanho ou gravidade do tumor, retirar muito tecido (pele, músculo) ou ainda, aplicar radioterapia, é necessário utilizar tecidos de outro local do corpo, como o abdômen ou dorso, por exemplo, para a reconstrução. “Essas são técnicas de reconstrução mais complexas e com cicatrizes resultantes maiores, porém, com possibilidades de ótimos resultados”, acrescenta.

O cirurgião frisa ainda que, em casos de câncer, “a prioridade sempre deve ser o melhor e mais seguro tratamento da doença, mesmo que essa medida resulte numa cirurgia mais ‘mutilante’ e, consequentemente, de reconstrução mais difícil ou resultado cosmético mais limitado”.

Por que a reconstrução é importante?

Para o especialista Pedro Alexandre, a importância da cirurgia de reconstrução mamária é muito grande. “Pode-se dizer: fundamental! Vários estudos mostram que a melhora da autoestima obtida pela reconstrução da mama, não só proporciona uma melhor qualidade de vida para a paciente, como influencia positivamente na evolução da doença , ou seja, ajuda no tratamento do câncer”, afirma.

A cirurgia de reconstrução é indicada para todas as mulheres que tenham retirado a mama?

O especialista Pedro Alexandre responde que, a princípio, a cirurgia de reconstrução de mama é indicada para todas as mulheres que tenham retirado a mama por completo ou parte dela devido ao câncer. “A não ser que a paciente não deseje realizá-la ou o seu caso exija uma técnica de reconstrução cujo risco é muito alto para suas condições de saúde”, acrescenta.

A cirurgia de reconstrução é segura?

O médico explica que, como em toda cirurgia, existem riscos. “Mas esses são muito dependentes do caso em si, das condições de saúde da paciente, da gravidade do tumor e da necessidade de técnicas mais elaboradas, como os retalhos mio-cutâneos (tecidos de outra região do corpo que contém pele e músculo)”, diz.

Em alguns casos, completa o especialista, “para minimizar os riscos, se opta por uma reconstrução tardia ou não imediata, isto é, realizada em outra cirurgia e não na mesma em que foi retirada a mama doente”.

Quanto tempo dura a cirurgia?

De acordo com Pedro Alexandre, a cirurgia pode durar, em média, de duas a cinco horas. “É muito variável, dependendo sempre do tamanho do tumor e das condições individuais de cada paciente”, acrescenta.

Existe um limite de idade para a cirurgia de reconstrução?

Não há um limite de idade (mínimo ou máximo) estabelecido para que possa ser feita a cirurgia de reconstrução mamária. “Mas, no caso de pacientes idosas, o que conta são as condições de saúde das mesmas, que influenciam no risco cirúrgico e anestésico, podendo ser um fator limitante ou até mesmo excludente em algumas situações”, completa o especialista Pedro Alexandre.

Como é o período de recuperação?

“O período de recuperação exige acompanhamento médico semanal, medicamentos (analgésicos, antibióticos), repouso com os braços e a não realização de esforços físicos por cerca de 30 a 60 dias”, explica o cirurgião.

A cirurgia tem custos para a paciente?

“A garantia de acesso à reconstrução da mama em caso de câncer, incluindo ou não próteses, é obrigação do Sistema Único de Saúde e direito do cidadão brasileiro, conforme lei federal a respeito”, finaliza o especialista Pedro Alexandre.

O câncer de mama é uma doença muito desagradável e, claro, ninguém espera tê-la na família. Mas, infelizmente, é uma realidade a que todas nós estamos sujeitas. Dessa forma, é importante que estejamos sempre atentas às informações sobre ela: como prevenir, quando procurar ajuda, bem como conhecermos as soluções a que podemos recorrer – no caso, a reconstrução – após ou paralelamente à cirurgia de retirada da mama.

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