Cirurgia bariátrica: indicações, riscos e pós-operatório

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Popularmente chamada de “cirurgia de redução de estômago” ou “cirurgia da obesidade”, a cirurgia bariátrica é um dos tratamentos antiobesidade mais conhecidos do mundo.

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Porém, poucas pessoas conhecem, de fato, as particularidades da cirurgia, suas reais indicações e os riscos que pode oferecer. Um ponto importantíssimo é saber que ela está longe de ser uma cirurgia de caráter estético.

A indicação para a cirurgia bariátrica inclui inúmeros fatores e prevê o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, em que cada profissional deverá aprovar ou não se o paciente está apto para este tipo de tratamento. Abaixo, tire todas as suas dúvidas sobre o procedimento!

Para quem é indicada?

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A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 40, ou igual ou maior que 35, e que tenham comorbidades associadas à obesidade, como:

  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Problemas no colesterol;
  • Apneia do sono;
  • Doença do refluxo, entre muitas outras.

Vale destacar que, inclusive para pacientes que têm indicação para a cirurgia bariátrica, a reeducação alimentar se faz necessária e é essencial para o sucesso pós-operatório.

Principais tipos de cirurgia bariátrica

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Ana Carolina C. Carvalho Fernandes – médica da Aliança Instituto de Oncologia, especialista em cirurgia geral, com certificado na área de atuação de cirurgia bariátrica, e vice-presidente do capítulo Brasília da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) – ressalta que existem vários tipos de cirurgia bariátrica. “No entanto, hoje, no mundo inteiro, as duas cirurgias mais comuns são o by-pass em Y de Roux e o sleeve (ou gastrectomia em manga). A maioria dos pacientes pode fazer qualquer uma delas, no entanto, são os resultados dos exames dos pacientes que determinarão a melhor técnica”, diz.

By-pass em Y de Roux: também chamada de “By-pass gástrico”, “Fobi-Capella” ou “Capella”, é o tipo de cirurgia mais utilizado. Resumidamente, o estômago é diminuído sem que seja necessário retirar nenhuma parte dele ou do intestino, já que é feito um desvio, reduzindo assim o espaço para o alimento. Além disso, o alimento deixa de passar pela primeira parte do intestino delgado, o que contribui para a saciedade e diminuição da fome. Essas estratégias somadas, além das mudanças de hábitos exigidas, levam ao emagrecimento e controlam as doenças associadas. O método é reversível.

Sleeve: também chamado de “gastrectomia em manga” ou “gastrectomia vertical”, este tipo de cirurgia consiste na retirada de dois terços do estômago em seu eixo vertical. Além de, naturalmente, reduzir a quantidade de alimentos que pode ser ingerida devido à redução do estômago, a parte do estômago desprezada é responsável pela produção do hormônio grelina (que, por sua vez, é associado ao apetite). O método não é reversível.

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“No Brasil, a técnica mais utilizada é o by-pass, com excelentes resultados”, explica a médica Ana Carolina.

Riscos da cirurgia bariátrica

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Ana Carolina explica que a cirurgia bariátrica, como qualquer outra cirurgia, pode ter complicações. “No entanto, com a evolução da técnica cirúrgica na bariátrica, a cirurgia normalmente é realizada em pouco mais de uma hora, e isso tem diminuído muito as complicações”, diz.

A médica destaca que os principais riscos são: “o paciente apresentar uma trombose, embolia pulmonar e, mais grave ainda, seria uma fistula, que acontece quando há um vazamento indesejado em algum ponto da cirurgia”, explica.

Tudo o que você precisa saber sobre o pós-operatório

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Ainda que a cirurgia bariátrica seja realizada com sucesso, é bom lembrar que o pós-operatório exige cuidados especiais (alguns, inclusive, bem específicos a este tipo de cirurgia).

Volta às atividades

Ana Carolina destaca que a maioria dos pacientes volta a trabalhar entre 15 e 30 dias após a cirurgia. “Quando completam um mês de cirurgia, grande parte dos pacientes estão liberados para atividade física”, diz.

Mas, vale destacar, cada paciente deve seguir à risca as orientações passadas pelos profissionais envolvidos no tratamento.

Alimentação

“No primeiro mês, o paciente alimenta-se de líquidos e sopas, aumentando cada vez mais a consistência da alimentação até chegar ao sólido propriamente dito, o famoso arroz, feijão e carne”, explica Ana Carolina.

Possíveis doenças

A médica explica que a cirurgia pode levar a um quadro de desnutrição caso o paciente não faça o acompanhamento nutricional adequado, que é feito pela ingestão diária de vitaminas e suplementos.

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Propensão a desenvolver vícios

Este é um dos pontos mais comentados quando o assunto é o pós-operatório da cirurgia bariátrica.

“Quando o paciente não está preparado emocionalmente para a cirurgia, ele pode desenvolver alguns vícios. Por isso, o acompanhamento psicológico é fundamental antes, durante e depois da cirurgia. Em alguns casos, principalmente de pacientes que já ingeriam bebidas alcoólicas em maiores quantidades, se eles não se policiarem, podem desenvolver o vício pelo álcool”, esclarece Ana Carolina.

Reganho de peso

O reganho de peso acontece quando o paciente ganha alguns quilos após ter chegado no que é chamado de “platô”.

“O platô ocorre quando o paciente para de perder peso e estabiliza em determinado valor. O platô acontece cerca de um ano e meio após a cirurgia. O reganho de peso, no entanto, acontece após dois anos. Ele pode ser leve, ou seja, poucos quilos (de 2 a 5 kg), o que já é esperado após a cirurgia bariátrica, ou grave, quando o paciente perde o controle”, explica a médica Ana Carolina.

Cirurgia plástica

Outra dúvida comum é: todas as pessoas que passaram por cirurgia bariátrica precisarão recorrer a uma cirurgia plástica?

Ana Carolina destaca que a cirurgia plástica denominada “reparadora”, após a cirurgia, é indicada para pacientes que ficaram com excesso de pele após o emagrecimento. “A cirurgia plástica pode também melhorar a higienização daqueles pacientes cujo excesso de pele atrapalha a limpeza e, algumas vezes, a movimentação do paciente. Ela também auxilia muito na melhora da autoestima”, explica.

Vale reforçar que o peso muda com a cirurgia, mas “a cabeça do paciente também deve mudar”. É fundamental que ele tenha consciência do que precisa ser mudado e não volte aos hábitos prejudicais de antes. Por tudo isso, reforça-se a importância de um acompanhamento multidisciplinar, que envolve médicos, nutricionista e psicólogo.

Outras alternativas antiobesidade

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Ana Carolina destaca que o tratamento da obesidade pode ser tanto clínico (com ou sem medicação) para o controle de peso, quanto cirúrgica. “A cirurgia deve ser indicada para pacientes que já tentaram o tratamento clínico sem sucesso”, diz.

Confira outros meios conhecidos para se combater a obesidade:

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Reeducação alimentar e atividade física

A reeducação alimentar associada à prática de atividades físicas é indicada em todos os casos de sobrepeso ou obesidade. Prevê que a pessoa “reaprenda a comer”, optando por alimentos mais saudáveis e consumidos em quantidades adequadas, e que os exercícios físicos tornem-se um hábito. Dessa forma, chega-se a um déficit calórico, ou seja, a pessoa gasta mais calorias do que consome, perdendo peso.

Muitas vezes, em caso de pacientes que não têm nenhuma outra doença relacionada à obesidade, somente esta associação (reeducação alimentar + atividade física) consegue fazer a pessoa perder todo o peso necessário.

Em outros casos, podem ser indicados medicamentos ou a própria cirurgia bariátrica, por exemplo; mas, ainda assim, a reeducação alimentar associada à prática de atividade física se faz necessária para que o paciente alcance seus objetivos e possa se manter no peso adequado com o passar do tempo.

Prós e contras

Esta é, sem dúvidas, a forma mais segura e recomendada de se combater a obesidade. A reeducação alimentar não pode ser encarada como um “regime” (com data para começar e terminar), mas, sim, como um novo estilo de vida… A ideia é que a pessoa, de fato, reaprenda a comer e consiga, assim, após emagrecer o necessário, se manter pelo resto da vida no seu peso adequado.

Um ponto que desanima a maioria das pessoas é que o processo de emagrecimento exige paciência. Algumas pessoas demoram anos para chegar ao peso desejado. Porém, a melhor garantia que a reeducação alimentar pode oferecer é que, de fato, o paciente reaprendeu a comer e ter bons hábitos de vida e, assim, conseguirá manter-se no peso adequado.

Medicamentos

Em alguns casos, pode ser indicado o uso de medicamentos antiobesidade. Tais medicamentos só podem ser comprados com prescrição médica e todo o tratamento deve ser acompanhado por um médico de confiança.

Além disso, mesmo tomando determinado medicamento, é essencial que o paciente adquira bons hábitos de vida para, então, depois que emagrecer, manter-se no peso adequado.

Prós e contras

A maior vantagem dos medicamentos é, sem dúvidas, oferecer um emagrecimento bem mais rápido. Porém, essa perda de peso nem sempre é segura e, muitas vezes, é “passageira”: ou seja, o paciente emagrece bastante e de forma rápida, mas, depois de certo tempo, engorda tudo novamente pois não “reaprendeu a comer” e/ou não criou o hábito de se exercitar.

Além disso, destaca Ana Carolina, o uso de medicação antiobesidade pode trazer efeitos colaterais, principalmente cardíacos. “Seu uso deve ser feito somente com indicação e acompanhamento médico especializado”, acrescenta.

Enfim, a cirurgia bariátrica é, de fato, um dos tratamentos mais conhecidos e eficazes para se combater a obesidade (e outras doenças associadas a ela). Oferece riscos como no caso de outras cirurgias, mas, de forma geral, proporciona ótimos resultados.

Porém, é bom saber que a cirurgia bariátrica integra, na verdade, um tratamento amplo e complexo, que exige uma equipe multidisciplinar e, também, um bom preparo por parte do paciente.

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As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.