Café: quanto posso tomar por dia?

A cafeína é o componente mais conhecido da bebida e pode oferecer benefícios e malefícios à saúde

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Thinkstock

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O café é uma bebida que faz parte da vida da maioria das pessoas. Muitas vezes é consumido logo pela manhã; às vezes, depois do almoço ou naquele “intervalo” do trabalho no meio da tarde.

Aliás, são poucas as pessoas que nunca apostaram em um cafezinho para “espantar” o sono e o cansaço, não é mesmo?

Porém, quando o assunto é café, sempre surgem dúvidas do tipo: esta é uma bebida saudável? Todo mundo pode consumir? E, sobretudo, quanto de café é permitido tomar por dia?

Se você é amante de um bom café, não pode ficar sem conferir abaixo as respostas para essas perguntas!

Cafeína: benefícios e malefícios ao organismo

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A maioria das pessoas fala sobre o efeito estimulante do café, que se deve à presença de cafeína.

Karina Valentim, nutricionista da PB Consultoria em Nutrição, explica que a cafeína é um composto químico, classificado como alcaloide, pertencente ao grupo das xantinas, sendo o componente do café mais conhecido. “Seus principais efeitos que apresentam comprovação científica são: efeito estimulante do sistema nervoso central, diminuição do sono e estimulante do músculo cardíaco”, diz.

Os principais benefícios da cafeína, ressalta Karina, são:

  • Estímulo do sistema nervoso central (aumentando o estado de alerta do indivíduo).
  • Estímulo do músculo cardíaco.
  • Melhora da funcionalidade cognitiva.
  • Estudos mostram que em modelos experimentais de doenças neurodegenerativas, incluindo as doenças de Parkinson e Alzheimer, a cafeína apresentaria um efeito neuroprotetor.
  • Alguns estudos in vitro têm demonstrado atividade antioxidante da cafeína – o que a tornaria um protetor em potencial contra os efeitos deletérios causados no sistema cardiovascular.

Em contrapartida, alguns estudos também sugerem que o consumo regular de café pode estar relacionado com o risco de hipertensão, conforme explica Karina. “Porém não é bem estabelecido o mecanismo. Acredita-se que a cafeína no sistema cardiovascular produza aumento agudo do débito cardíaco e vasoconstrição das artérias – o que poderia levar a elevação da pressão arterial”, diz.

Além disso, acrescenta a nutricionista, a cafeína atuaria sobre os receptores do hormônio adenosina, exercendo ação inibidora sobre esse hormônio, impedindo que ele aja como redutor da pressão sanguínea. “Porém, vale ressaltar que os resultados são conflitantes, uma vez que fatores como tabagismo, estresse, etilismo e genética podem interferir nos resultados e aumentar o risco de hipertensão”, destaca.

Além do café, a cafeína está presente no chá verde, chá mate, cacau (chocolate), refrigerantes à base de cola ou guaraná.

Quanto de cafeína há em uma xícara de café?

De forma geral, uma xícara (50 ml) de café coado contém de 25 mg a 50 mg de cafeína. Uma xícara (50 ml) de café expresso contém de 50 mg a 80 mg. Vale ressaltar que esses valores podem variar de acordo com a formulação do produto.

Para termos de comparação: uma xícara (80 ml) de capuccino contém de 80 mg a 100 mg de cafeína e uma lata de refrigerante à base de cola, de 30 mg a 60 mg.

Riscos do excesso de cafeína no organismo

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Sabendo que a cafeína não está presente somente no café, mas também em outros alimentos comumente consumidos (como chá, chocolate etc.), vale se atentar ao fato de que o excesso desse composto químico pode oferecer riscos à saúde.

De acordo com Karina, um dos principais sintomas do excesso de cafeína são quadros de insônia e agitação mental. “O indivíduo ainda pode sentir aumento do ritmo cardíaco (batimentos acelerados)”, diz.

O excesso de cafeína pode levar ao aumento da diurese (aumento do volume de urina), náuseas, dores de cabeça, dores estomacais e diminuição da densidade óssea, acrescenta a nutricionista.

Qual a quantidade diária recomendada de café?

Karina destaca que não há uma recomendação de café/cafeína. “O consumo moderado de até 3 xícaras por dia em pessoas saudáveis pode ser benéfico, sendo no máximo 400 mg de cafeína por dia”, explica.

Café: prevenção contra doenças

Pesquisas mostram que o consumo moderado de café por adultos pode ser benéfico e tem sido associado à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. “Vários estudos mostram efeitos positivos da cafeína sobre a redução da tolerância à glicose e do aumento da sensibilidade à insulina devido ao aumento da expressão de GLUT-4 (sinalizador da entrada de glicose na célula)”, destaca Karina.

Consumo de cafeína no Brasil”, “O efeito da cafeína sobre a atividade da creatinaquinase em tecidos de ratos diabéticos” e “Tratamento agudo com cafeína e L-Arginina reduz os níveis glicêmicos em ratos obesos submetidos ao exercício aeróbico” são alguns dos estudos citados pela nutricionista.

Ainda de acordo com Karina, outros estudos (Cafeína protege da amnésia e morte neuronal em um modelo experimental da doença de Alzheimer e Café: uma bebida rica em substâncias com efeitos clínicos importantes, em especial a cafeína) mostram que, em modelos experimentais de doenças neurodegenerativas, incluindo as doenças de Parkinson e Alzheimer, a cafeína apresentaria um efeito neuroprotetor.

Cafeína também para a sua beleza

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Não é só como estimulante que a cafeína atua! O composto químico tem potente poder antioxidante e, assim, ajuda a combater a celulite e a gordura localizada, além de amenizar olheiras. Pois é, os benefícios que a cafeína pode oferecer no que diz respeito à beleza da mulher são muitos, como, por exemplo, a estimulação da regeneração celular, da circulação sanguínea, o rejuvenescimento e a revitalização da pele.

Vale destacar, porém, que a maneira ideal de tirar proveito dos benefícios que a cafeína pode oferecer à beleza é usar produtos prescritos por um dermatologista.

Cafeína x gravidez

Mas será que gestantes também podem consumir café? Ou a cafeína pode oferecer riscos à gravidez?

Karina destaca que o excesso de cafeína na gestação tem mostrado alguns riscos:

  • Redução do crescimento fetal;
  • Prematuridade;
  • Restrição de crescimento intrauterino;
  • Aborto espontâneo;
  • Malformações no período gestacional.

“Por isso, a ingestão de café por gestantes deve ser orientada e acompanhada pelo médico ou nutricionista, acompanhando o histórico de cada gestação”, finaliza a nutricionista Karina.

Agora você já sabe que, embora alguns estudos apontem os benefícios do café (especialmente devido à presença da cafeína), o consumo dele deve ser moderado. Caso contrário, a bebida poderá, sim, oferecer riscos à saúde.

Assuntos: Alimentação

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