Bronquiolite: como identificar, prevenir e tratar esse mal que atinge as crianças

Escrito por Lia Nara Bau

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Especialmente quando chega o inverno, as mamães redobram a atenção com a saúde dos pequenos, que, por não terem a imunidade tão reforçada, acabam se contaminando com os mais diversos vírus. A bronquiolite é uma das doenças que acometem as crianças nessa época do ano.

O pediatra Sylvio Renan Monteiro de Barros explica que a doença é uma infecção respiratória causada pelo vírus sincicial que se caracteriza pelo acúmulo de muco (secreção) nas pequenas cavidades do pulmão, os bronquíolos, dificultando a respiração, com evolução para tosse e falta de ar.

Tipos de bronquiolite

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Há dois tipos de bronquiolite, um mais raro e que atinge apenas adultos, a bronquiolite obligerante. O outro, a bronquiolite viral, essa sim, ataca principalmente crianças.

“A bronquiolite viral interfere com mais intensidade a saúde respiratória de bebês até os 2 anos de idade e, devido ao vírus presente nos bronquíolos, o quadro pode evoluir rapidamente para uma infecção mais grave”, alerta Barros.

  • Bronquiolite Obligerante: é um tipo de bronquiolite mais raro e perigoso, que acomete adultos. O bloqueio das vias aéreas inferiores é causado pela presença de cicatrizes nos bronquíolos, e não por inchaço ou acúmulo de muco.
  • Bronquiolite Viral: é o principal tipo de bronquiolite e é mais comum em crianças menores de 2 anos de idade. É causada por vírus no trato respiratório inferior.
  • Causas

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    A bronquiolite é causada, normalmente, por infecções virais no trato respiratório. A maior parte dos casos é causada pelo VSR, vírus sincicial respiratório, presente em abundância no mundo inteiro e responsável pelos resfriados comuns.

    A presença do vírus nos bronquíolos causa infecção e inchaço nos mesmos, dificultando a passagem de ar, e o acúmulo de muco nas vias respiratórias agrava a situação.

    A bronquiolite é contagiosa?

    Sim, é contagiosa. “O contágio ocorre através do contato com pessoas infectadas, através da tosse, do espirro e até da fala, ou ainda na permanência em ambientes pouco higienizados.”

    Sintomas

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    Os sintomas da bronquiolite podem ser facilmente confundidos com uma gripe ou até com um resfriado e é por isso que devemos ficar atentos.

    “É muito comum que a doença seja interpretada por pais e cuidadores como um simples resfriado, porque os sintomas iniciais de mal-estar e espirros estão em ambos, mas a bronquiolite é um quadro mais complexo”, salienta Barros.

    Alguns sintomas da doença são:

    • Respiração rápida e superficial
    • Intensificação dos sintomas do resfriado
    • Febre
    • Tosse
    • Congestão nasal
    • Fadiga
    • Diminuição do apetite
    • Dificuldade para dormir

    Fatores de risco

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    Alguns fatores podem ser de risco para que a criança contraia a bronquiolite. O principal deles é a baixa idade, pois, quanto menor a criança, maior a chance de contrair a doença pelo seu sistema imunológico ainda estar em desenvolvimento.

    Segundo Barros, a exposição e contágio descritos acima (ambiente seco, poluído, pouco arejado, aglomerado de pessoas, somado a baixas temperaturas e afins) estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da bronquiolite, considerando especialmente a fragilidade do sistema imunológico de bebês e crianças.

    • Nascimento prematuro
    • Fumo passivo
    • Frequentar outros ambientes fora de casa, como a creche
    • Irmãos que frequentam outros espaços e podem trazer o vírus para casa
    • Morar com muitas pessoas
    • Ambientes frios, pois costumam ser pouco arejados, o que ajuda a propagar o vírus

    Diagnóstico

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    Para diagnosticar a bronquiolite, os pais devem levar a criança ao médico pediatra, pois os sintomas podem mascarar a doença. “Apenas o pediatra poderá atestar se a criança está num quadro de resfriado ou se trata de uma bronquiolite”, afirma Barros.

    As condições que costumam indicar bronquiolite são:

  • Idade entre 0 e 2 anos
  • Início agudo dos sintomas do resfriado, como febre, tosse e espirros
  • Aceleração da respiração
  • Sinais clínicos de obstrução das vias respiratórias, como chiado e expiração prolongada
  • Tratamento

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    A doença e os sintomas tendem a ceder em até uma semana após o início da infecção, mas caso os pais notem piora no quadro da criança, devem levá-lo ao pediatra assim que possível.

    Barros explica que a monitoria do quadro acompanhará a evolução da independência da criança em respirar, além da administração de anti-inflamatórios e antitérmicos para controlar a febre e diminuir a inflamação geral.

    “O médico somente recomendará a hospitalização da criança se verificar risco para a vida do pequeno por conta da possibilidade da criança desenvolver insuficiência respiratória”, diz o pediatra.

    Complicações

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    Quando diagnosticada e tratada, a bronquiolite não apresenta complicações. Porém, casos não tratados contribuem para o desenvolvimento de pneumonia, que deve ser tratada separadamente. Além disso, a bronquiolite pode levar à insuficiência respiratória, quando ela só conseguirá respirar com a ajuda de aparelhos.

    Prevenção

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    A melhor forma de se prevenir a bronquiolite é através da vacinação do bebê. Assim que ele atinge a idade necessária para cada vacina, leve-o até o médico.

    De acordo com Barros, a vacinação continua sendo a mais eficaz forma de prevenção de doenças virais. “Estar em dia com a carteira de vacinação, especialmente contra o vírus da gripe (influenza, vírus multigripal), é importante.”

    Somado a isso, é essencial a adoção de hábitos saudáveis de alimentação e higienização – da criança e adultos em contato. “Manter a casa e o quarto da criança higienizados e ventilados, além de restringir a estada com o bebê ou a criança em ambientes com aglomerações, bem como de fumaça de cigarro”, complementa Barros.

    A bronquiolite pode acometer qualquer bebê ou criança, por isso a importância dos pais estarem atentos aos cuidados e aos sintomas, para que ela tenha a assistência médica precoce.

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