Bons pais x pais brilhantes – conheça os hábitos que os diferenciam

Veja a análise de um especialista e descubra o que é necessário para se tornar brilhante na arte de educar os filhos

Escrito por Daniela Azevedo

Foto: Thinkstock

A correria do dia a dia, a necessidade de ter que se dividir entre o trabalho, a casa e a criação dos filhos coloca em cheque o papel de pais e mães que se questionam se estão sabendo criar e educar corretamente os filhos.

Como enfrentar momentos de crise de rebeldia sem ficar procurando entender qual foi o momento em que errou na criação e principalmente sem se culpar? No livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, o psiquiatra e cientista Augusto Cury analisa o papel de pais e professores na formação de jovens e cita alguns hábitos que diferenciam bons pais dos pais brilhantes. Veja quais são eles e tornem-se pais brilhantes de filhos inteligentes e felizes.

Bons pais dão presentes, pais brilhantes dão seu próprio ser.

Segundo o autor, esse é o primeiro hábito que diferencia bons pais de pais brilhantes. Enquanto os bons se esforçam para encher os filhos de mimos e presentes tentando, na medida do possível, satisfazer todas as suas vontades materiais, os pais brilhantes vão além e presenteiam os filhos com algo que não se perde nem se deteriora com o tempo, que o dinheiro não compra e que em nenhum momento será esquecido em uma caixa no canto do quarto, eles doam a sua história de vida compartilhando experiências boas e ruins, lágrimas e sorrisos que contribuirão com o desenvolvimento da auto-estima, da emoção e da capacidade dos filhos de lidar com perdas e frustrações.

Permitir que os filhos conheçam intimamente os pais, seus medos e até suas fraquezas é uma maneira de trabalhar a emoção dos filhos e se permitir ser visto não como o heroi que eles idealizam e muitas vezes se frustram, mas como um ser humano, um igual. Através do estímulo da intimidade, cria-se entre pais e filhos uma relação de cumplicidade que faz com que um penetre e conheça o mundo do outro fortalecendo vínculos e a admiracão mútua.

Tão importante quanto falar é ser coerente com as atitudes, pois falar para os filhos de compreensão e ter atitudes agressivas, pode gerar uma grande confusão na cabeça deles.

Bons pais nutrem o corpo, pais brilhantes nutrem a personalidade.

De acordo com Cury, os bons pais se preocupam em dar aos filhos uma alimentação saudável, em controlar hábitos de higiene e principalmente com a qualidade dos estudos, como meio para obter bons empregos e condições financeiras, já os pais brilhantes se preocupam com a inteligência, higiene e saúde psicológica dos filhos. Para ele, alimentar a emoção e a inteligência dos filhos é fundamental para desenvolver segurança, coragem, espírito de liderança, otimismo, superar medos e prevenir conflitos.

Os filhos dos pais brilhantes são dotados de postura crítica que os habilita a estarem sempre prontos para enfrentar o mundo e os conflitos por ele impostos com segurança, força e liberdade de escolha.

Bons pai corrigem erros, pais brilhantes ensinam a pensar.

Cury afirma que incentivar os filhos a refletirem sobre os seus erros é muito mais eficiente do que qualquer sermão ou crítica, por mais construtiva que ela seja. Os filhos já conhecem os pais e quando cometem erros, conseguem até imaginar as palavras que serão utilizadas por eles na hora da bronca, o que o faz com que eles se fechem e criam uma capa de resistência para críticas e agressões que, no final das contas, não surtem outro efeito se não a mágoa.

Os pais brilhantes surpreendem os filhos com criatividade e conquistam primeiro o território da emoção, o que os faz conquistarem a atenção, o respeito e a admiração. A cada vez que o erro se repetir, a reação deve ser diferente para que ele possa analisar o próprio erro de uma nova maneira. Quando eles estiverem esperando uma reação agressiva, surpreenda-o com uma atitude totalmente racional, assim eles perceberão os pais de uma maneira totalmente diferente, o que fará com que desenvolvam a consciência crítica, a habilidade de pensar antes de agir, a fidelidade, a honestidade, a responsabilidade e se tornem questionadores.

Em vez de apontar os erros dos seus filhos, questione-os sobre o que acham do próprio comportamento.

Bons pais preparam os filhos para os aplausos, pais brilhantes preparam os filhos para os fracassos.

Educar a sensibilidade preparando os filhos para enfrentarem suas derrotas, para Cury é mais importante que prepará-los para o sucesso.

É óbvio que o bom desempenho nos estudos, o sucesso profissional e ter bons relacionamentos sociais são fatores importantes na vida de qualquer pessoa, mas além disso é importante preparar os filhos para o fracasso que, muitas vezes, é mais fácil de se atingir do que o êxito. Quando os filhos aprendem a enfrentar e superar as condições adversas, aí sim estão preparados para chegar com mérito em seu objetivo. Caso contrário, ele poderá ser vencido pela falta de paciência, falta de persistência, falta de ânimo e até pela falta de humildade para reconhecer as próprias falhas.

Reconhecer as próprias falhas e pedir desculpas aos filhos fazem parte do processo de criação e são gestos tão importantes quanto ensiná-los a seguir em frente como meio para desenvolver a motivação, a ousadia, a paciência, a determinação, a capacidade de enfrentar e superar desafios e o faro para criar e aproveitar novas oportunidades.

Bons pais conversam, pais brilhantes dialogam como amigos.

Para que todos os hábitos citados anteriormente funcionem efetivamente, é necessário que haja o diálogo. Só assim pais e filhos se conhecerão intimimamente, pois o diálogo é a base para qualquer tipo de relação, sobretudo o de amizade. A autoridade o respeito também são conquistadas através do diálogo.

Quanto mais aberto for o diálogo entre pais e filhos, maiores serão os laços de confiança, por isso, dedique menos tempo a TV e a Internet e invista em horas de conversas com os filhos. Falem sobre a vida, sobre problemas, sobre relacionamentos, sobre comportamento, sexo, drogas e rock and roll, mas jamais confunda dialogar com ser condencendente. Exponha sempre o seu ponto de vista, mas deixe espaço para que os seus filhos possam expor o deles sem fazer nenhum tipo de pré-juízo. Fazendo isso, você terá com seu filho uma relação de amizade e estará contribuindo para desenvolver a solidariedade, o otimismo e o companheirismo.

Bons pais dão informações, pais brilhantes contam histórias.

O exemplo dos pais exerce um impressionante efeito na vida dos filhos, mas enquanto os bons dão informações e dados, os pais brilhantes, segundo Cury, envolvem os filhos abusando da criatividade para contar histórias e extrair de coisas simples lições que eles levarão para toda a vida.

Histórias de vida real têm altos e baixos, mas o segredo é colocar encantamento em cada uma dessas passagens, principalmente nas ruins, transformando a dificuldade e a ansiedade em fontes de motivação.

Todos os filhos em algum momento da vida passam por pressões, rejeições e tristezas que os pais, por mais que queiram, não podem evitar, mas compartilhar experiências é a melhor maneira de fazê-los entender que para quase tudo há uma solução.

Seja aberto com os seus filhos, estimule seus sonhos e garanta um amigo para a vida toda contribuindo para o desenvolvimento de sua criatividade, inventivdade, raciocínio e com a habilidade de encontrar soluções para problemas difíceis.

Bons pais dão oportunidades, pais brilhantes nunca desistem.

Tudo aquilo que você ensinou aos seus filhos deve ser primeiramente aprendido por você. A persistência é uma das matérias em que os pais brilhantes são gabaritados. Eles jamais desistem de educar, se esforçam ao máximo para não ceder a chantagens e pressões e são firmes quando precisam definir e impor limites, mas o principal é a habilidade de exercitar a paciência, afinal, ninguém disse que educar seria uma tarefa fácil.

É preciso inteligência e pulso firme para fazer com que os filhos se tornem seres humanos de grande valor e por mais que eles sejam intolerantes e pareçam não ter aprendido nada, se você plantou a semente, cedo ou tarde colherá bons frutos.

A dedicação e a insistência em fazer sempre o melhor para os filhos ajuda a desenvolver neles a motivação, a esperança, a perserverança e a determinação.

Lembre-se sempre que a paciência é uma dávida e que nada deve ser levado ao pé da letra, pois independente do perfil, todos os pais à sua maneira só querem uma coisa: a felicidade dos filhos.

Assuntos: Adolescentes, Família

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