Tomar aspirina diariamente pode aumentar em 190% o risco de um ataque cardíaco

Indicada para “afinar o sangue” e evitar derrames, a aspirina pode elevar o risco de ataque cardíaco em pacientes com fibrilação atrial

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

Foto: Pixabay

Além de ser muito consumida para aliviar dores de cabeça, a aspirina (AAS) é conhecida pelo seu efeito de “afinar o sangue” e prevenir o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).

O problema é que, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, e pela Universidade de Maastricht, na Holanda, tomar aspirinas regularmente no intuito de proteger o organismo pode, na verdade, aumentar as chances de um ataque cardíaco.

O estudo, publicado no British Journal of Clinical Pharmacology, foi liderado pelo Dr. Leo Stolk e examinou 30 mil pacientes com fibrilação atrial – uma condição caracterizada por batimentos cardíacos rápidos e irregulares, que aumenta o risco de infarto e morte prematura – que tomam aspirina, varfarina ou uma nova geração de medicamentos para prevenir o infarto.

A conclusão da pesquisa foi que os pacientes que tomam aspirina diariamente são 1,9 vez mais propensos a sofrer um ataque cardíaco em comparação com aqueles que fazem uso de varfarina, um medicamento que bloqueia a ação da vitamina K e impede a formação de coágulos.

“O tratamento com anticoagulantes orais tem sido o pilar da prevenção de derrame em pacientes com fibrilação atrial por décadas. Agora, porém, nós identificamos um risco aumentado de ataques cardíacos em pacientes que fazem ou fizeram uso da aspirina em comparação com aqueles que tomam antagonistas da vitamina K”, declarou o Dr. Stolk.

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Ainda segundo o pesquisador, não está confirmado o efeito benéfico da aspirina em pacientes do fibrilação arterial. Por isso, esse medicamento foi retirado das novas orientações sobre o tratamento dessa condição no Reino Unido.

Outras desvantagens da aspirina

Foto: Getty Images

Além de aumentar as chances da ocorrência de um ataque cardíaco em pacientes com fibrilação atrial, a aspirina ainda pode irritar a mucosa gastrointestinal, causando sangramento no estômago, principalmente quando o tratamento é prolongado.

Alguns estudos também indicam que a aspirina pode ser responsável por sangramentos no cérebro, os quais acabam levando a um derrame. Ou seja: embora a aspirina seja muitas vezes receitada para prevenir a formação de coágulos e consequentes derrames, ela poderia acabar provocando um derrame por outro motivo.

Vale lembrar que, apesar dos resultados deste estudo, você não deve suspender nenhum tipo de tratamento prescrito pelo médico. O aumento nas chances de ataque cardíaco foi pesquisado apenas em pacientes com fibrilação atrial, e não na população. Por isso, não deixe de consultar seu médico antes de fazer qualquer tipo de mudança nos seus medicamentos.

Da mesma forma, é importante se atentar para o fato de que mesmo uma simples aspirina pode trazer riscos à saúde se consumida indevidamente, sendo este um bom exemplo dos perigos da automedicação.

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