Apneia do sono da gestante pode prejudicar saúde do bebê

Problema no sono durante a gravidez, se não tratado, pode evoluir para eclâmpsia

Escrito por Giselle Coutinho

Foto: Thinkstock

Que o sono é importantíssimo para nossa saúde, você provavelmente já sabia. Mas, mais do que evitar olheiras, dar disposição, memória e concentração para encarar as atividades do dia com bom humor, um estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology revelou que o sono de qualidade evita um quadro clínico perigoso durante a gestação.

Segundo este estudo, mulheres com apneia do sono são mais propensas a uma gravidez de risco com bebês com problemas de saúde.

O problema respiratório que se manifesta ao dormir, chamado apneia, consiste na suspensão da respiração por alguns instantes durante o sono. Quando a respiração é interrompida, a pessoa desperta – sem necessariamente recuperar a consciência e abrir os olhos.

Uma das causas da apneia é o excesso de gordura corporal, que aumenta os músculos da língua e o volume ao redor da traqueia, comprimindo a garganta e tornando a respiração mais difícil. A doença se manifesta durante o sono, pois é quando o corpo está relaxado e o estímulo do cérebro para respirar diminui.

As pausas respiratórias são consideradas gravíssimas se demorarem mais de 10 segundos e quando ultrapassam a frequência de cinco por hora.

Os casos de manifestação deste distúrbio são mais comuns após o sexto mês de gestação, pois as membranas do nariz incham com a dilatação dos vasos sanguíneos durante os nove meses de gestação, atingindo uma situação mais crítica a partir do sexto mês.

Entre as gestantes com obesidade, o risco de desenvolver a apneia é duas vezes maior, por isso os autores do estudo sugerem que tratar a obesidade antes da mulher engravidar é a melhor medida para evitar uma gravidez frágil.

Pesquisadores da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, estudaram 175 gestantes com sobrepeso. 15% delas tiveram apneia, dentre as quais 42% vieram a ter pré-eclâmpsia. Metade dos filhos das mulheres que tiveram a apneia precisaram de cuidados médicos após o parto.

A apneia durante a gestação deve ser especialmente monitorada, pois se esta ocasionar a pré-eclâmpsia, problema grave marcado pela elevação da pressão arterial, além de afetar vários sistemas do corpo, pode ocasionar a restrição do crescimento do bebê por reduzir o fluxo de sangue para a placenta.

Para avaliar a possibilidade de estar com apneia do sono, o ideal é procurar a ajuda de um médico, porém alguns sintomas são: ronco, sono agitado, aumento da micção de madrugada, sonolência excessiva durante o dia, alterações na memória e no raciocínio. Fique atenta!

Assuntos: Gravidez

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