Conheça o dossiê da alta costura e saiba como reconhecer uma peça

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Em 30.12.21

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Em 30.12.21

A temporada de desfiles já passou, mas não para os colecionadores da alta costura. A Semana de Alta Costura Primavera/Verão 2022 ocorre entre 24 e 27 de janeiro, data na qual um seleto grupo de costureiros apresentam as tendências para o mercado de luxo. Mas não é qualquer profissional que trabalha no segmento. O título é uma concessão e para tê-lo é preciso estar de acordo com algumas regras.

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Índice do conteúdo:

O que é a alta costura

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Alta costura é a produção artesanal de peças exclusivas feitas sob medida para eventos que exigem trajes de gala ou black tie. O termo é legalmente protegido pelo governo francês desde a Segunda Guerra Mundial, a fim de preservar o conhecimento e a arte das criações francesas das intervenções nazistas. Assim, a alta costura é considerada um patrimônio da França e só existe oficialmente dentro do seu território.

A principal característica do segmento é o viés artístico da moda, tornando as criações verdadeiras obras de arte – únicas e exclusivas. De acordo com a Federação da Alta Costura e da Moda (FHCM), “é o portal entre tradição de excelência em know how e a contemporaneidade na criação”. Por causa disso, os consumidores são chamados de colecionadores.

Os desfiles só ocorrem duas vezes por ano, sempre em janeiro e julho, apresentando as coleções de verão e inverno respectivamente. Cada costureiro – como são chamados os profissionais da alta costura – deve apresentar 35 modelos para dia e noite. O intuito é mostrar criatividade e habilidade como artesão para um seleto grupo de colecionadores e a imprensa.

Marcas de alta costura

Uma comissão do Ministério da Indústria Francesa tem o poder de conceder e retirar o título. As marcas passam a ser conhecidas como maison (casas, em francês). Entretanto, é a FHCM, órgão que rege a moda no país, quem analisa anualmente se as casas permanecem com a nomenclatura. Para isso, a FHCM se baseia nas determinações criadas ainda em 1945 para legitimar o segmento.

Hoje há 16 casas reconhecidas como membros permanentes: Adeline André, Alexandre Vauthier, Alexis Mabille, Bouchra Jarrar, Chanell, Dior, Franck Sorbier, Giambattista Valli, Givenchy, Jean Paul Gaultier, Julien Fournié, Maison Margiela, Maison Rabih Kayrouz, Maurizio Galante, Schiaparelli e Stéphane Rolland – todos franceses.

Também há outras duas categorias, os membros correspondentes e os convidados. O primeiro são marcas consideradas alta costura que representam em Paris a alta costura do seu país de origem. São elas Ateliers Versace, Elie Saab, Fendi Couture, GiorgioArmani Privé, Iris Van Herpen, Miu Miu, Ulyana Sergeenko, Valentino e Viktor&Rolf.

Já os membros convidados são marcas estrangeiras chamadas para participar dos desfiles, pois seus trabalhos são considerados interessantes para a alta costura. Diferente dos outros dois, podem não estar presentes na capital francesa. Atualmente 103 marcas são membros convidados da FHCM.

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Quanto custa a alta costura

O preço do traje costuma ser atribuído após a finalização, pois leva em consideração o tempo gasto com produção, número de provas, se o vestido é para uso noturno ou diurno, uso de pedrarias ou bordados e a mão de obra utilizada. Em média, cerca de 15 a 20 pessoas trabalham em um só vestido, que pode demorar mais de 100 horas para ser finalizado.

Desta forma, um vestido simples para eventos diurnos custa, no mínimo, 10 mil dólares, de acordo com um artigo no “The Telegraph” e o custo aumenta para 30 mil para trajes com pedras. Por causa dos altos custos, a alta costura não é considerada sustentável e a produção artesanal de trajes representa apenas um parte dos ganhos das casas. Assim, é necessário um portfólio que inclua joias, sapatos e perfumes. Estima-se que as colecionadoras sejam apenas cerca de 4 mil mulheres em todo o mundo.

Regras da alta costura

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Mas o que é preciso para pertencer a mais alta classe da capital da moda? Confira abaixo as principais exigências da Federação da Alta Costura e da Moda.

  • Usar materiais de altíssima qualidade;
  • Produção feita à mão, sem nenhum auxílio de máquinas;
  • Ter uma equipe mínima de 15 artesãos em tempo integral e um corpo técnico de 20 pessoas;
  • Criação de modelos exclusivos sob encomenda;
  • Apresentar mais de 1 prova da peça;
  • Ter sede na Triangle D’Or, região entre as avenidas Montaigne, Georges V e Champs-Elysées, em Paris. Ela precisa ter uma arquitetura específica, ter no mínimo 5 andares, sendo 1 para o atendimento de colecionadores e 1 para desfiles da maison;
  • Ter pelo menos 1 rótulo de perfume no prét-á-porter (linha de produtos prontos);
  • Apresentar coleções duas vezes por ano.

O não cumprimento dessas exigências põe em risco o título de “Haute Couture”.

A alta costura no Brasil

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Como o termo é pertence à França, é possível dizer que não existe nenhuma casa da alta cultura no Brasil. Entretanto, o trabalho feito aqui pode vir a ser considerado se passar a obedecer às exigências da FHCM. Dessa forma, a marca é incluída em uma das três categorias: membro permanente, correspondente ou convidado.

Um exemplo desse feito é Gustavo Lins, estilista brasileiro que apresentou coleções entre 2008 e 2015 nas passarelas parisienses. Sua atuação nesse seleto grupo começou como membro convidado, se tornando o primeiro latino-americano a ser membro permanente em 2011. A moda brasileira e japonesa já foram inspirações para seu trabalho.

Para mergulhar de cabeça nesse mercado de luxo, leia mais sobre o slow fashion. Além disso, conheça mais sobre a peça que inspira coleções de Gustavo Lins.