13 alimentos mais perigosos para crianças

Os engasgamentos por corpos estranhos geralmente ocorrem em menores de 3 anos e são uma das causas mais frequentes de morte abaixo de 1 ano

Escrito por Tais Romanelli
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Nem todo mundo tem consciência, mas, infelizmente, muitas crianças sofrem em algum momento da infância com engasgamentos – que podem, inclusive, levar à morte. Por isso, toda atenção com o que os pequenos comem e também com os objetos que eles brincam é fundamental!

A médica pediatra Tatiana Miranda, coordenadora do Pronto Socorro Infantil do Hospital Leforte, comenta que os engasgamentos por corpos estranhos (alimentos, leite, objetos) geralmente ocorrem em crianças menores de três anos de idade e são uma das causas mais frequentes de morte abaixo de um ano de idade.

“No Brasil, não temos dados recentes, mas estimativas levam a 100 casos/mês nas grandes cidades”, acrescenta a médica.

Embora o engasgamento possa ocorrer por diversos tipos de alimentos, alguns são mais conhecidos por isso e merecem atenção especial. Abaixo você conhece quais são os principais alimentos que devem ser evitados na alimentação da criança e/ou que devem ser dados com muito cuidado.

13 alimentos que merecem atenção na alimentação da criança

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Evite dar à criança ou atente-se aos seguintes alimentos:

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1. Frutas e vegetais crus

Danielle Lopes, pediatra do Grupo Perinatal, explica que, se oferecidos crus, frutas e vegetais devem ser cortados em pedaços bem pequenos ou no sentido do comprimento (palitos).

2. Balas e chicletes

São itens perigosos e, de acordo com Danielle, simplesmente não devem ser oferecidos às crianças.

3. Frutas secas

“Elas devem ser cortadas em pedaços pequenos para que a criança possa ingerir sem risco”, orienta Danielle.

4. Frutas oleaginosas

“Devem ser trituradas ou quebradas em pedaços menores”, destaca a pediatra.

5. Uvas

“A uva, para ser oferecida à criança, deve ser cortada ao meio e dada sem semente”, explica Danielle.

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6. Pipoca

Tatiana explica que é preciso dar atenção para a pipoca por causa das “sementes”.

De acordo com a médica pediatra, a pipoca deve ser oferecida com supervisão e evitada até os quatro anos da criança.

7. Carne

Tatiana destaca que carnes não devem ser oferecidas em pedaços, somente amassadas ou desfiadas.

Danielle ressalta que é importante oferecer ainda a carne macia à criança.

8. Azeitona

Tatiana lembra que alimentos com caroços (como no caso da azeitona) não devem estar ao alcance de crianças até os 4 anos.

Danielle acrescenta ainda que a azeitona não deve ser oferecida à criança por conter muito sal e conservante.

9. Salsicha

“Salsicha, assim como os legumes crus, deve ser oferecida inteira para a criança ir mordendo aos poucos ou cortadas no sentido do comprimento”, explica Danielle.

10. Leite

“O leite em si não deveria causar engasgos por ser um líquido, porém, acaba sendo um grande causador de engasgos por ser oferecido em abundância e com a criança deitada. Deve-se tentar oferecer o leite em uma posição mais ereta”, orienta Danielle.

11. Peixe

É preciso cuidado pois espinhas de peixe são muito perigosas. “Ofereça filé de peixe sempre. Certifique-se de que não tenha espinhas ou cartilagens. Ao fazer seu pedido ao peixeiro, avise que é para o seu bebê”, destaca Danielle.

12. Frango

O frango merece atenção redobrada. “O maior perigo é sempre o osso de frango, principalmente aqueles pequeninos”, destaca Danielle.

13. Amendoim

O amendoim, de acordo com Tatiana, só pode ser oferecido em pedaços bem pequenos e sem casca.

Objetos que podem causar engasgamento

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Além dos alimentos, a maioria dos objetos pede atenção pois pode representar um grande risco às crianças pequenas.

“Em adultos, a maioria dos casos de impactação na faringe, esôfago ou estômago está relacionada a alimentos; enquanto que em crianças as causas mais comuns não são relacionadas aos alimentos, mas sim corpos estranhos verdadeiros”, destaca Laercio Tenório Ribeiro, endoscopista da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed).

Ribeiro explica que as crianças, por estarem numa fase de aprendizado, estão sempre experimentando os objetos com os quais têm contato. “Esta experimentação, que inclui a introdução de objetos em quaisquer dos seus orifícios, é feita, muitas vezes, avaliando o paladar do objeto e, também, inferindo-o”, diz.

Abaixo ele fala sobre os objetos que oferecem mais riscos às crianças:

Moedas. “Os objetos que são mais frequentemente ingeridos pelas crianças são moedas, de todos os valores. No entanto, qualquer coisa que esteja ao alcance da criança, e que seja possível de deglutir, será sempre um risco para ela”, explica o endoscopista.

Brinquedos. É importante especial atenção aos brinquedos, de acordo Ribeiro. “Se possuem baterias, pilhas, imãs, peças muito pequenas, devem ser evitados. O ideal é que sejam adquiridos apenas aqueles com selo do INMETRO, construídos segundo regras que protegem a saúde das crianças (Portaria n.º 310, de 01 de julho de 2014)”, diz.

Bijuterias ou joias. “Vale lembrar que objetos usados geralmente pela mãe podem ser deglutidos acidentalmente pelas crianças, como brincos, pérolas etc.”, destaca o endoscopista.

O que fazer se a criança engasgar?

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Ribeiro explica que há dois tipos de “engasgos”. O verdadeiro engasgo acontece quando um objeto ou fragmento de alimento penetra na laringe, traqueia ou brônquios, causando sufocação. “Esta é uma situação de emergência, com grande risco de morte da criança. Nesse caso, é necessário que se tente alguma manobra que possa facilitar a expulsão do corpo estranho, salvando a criança. Existe um conjunto de manobras, denominadas Manobras de Heimlich, que podem auxiliar nessas circunstâncias”, diz.

Outra forma de engasgo, de acordo com Ribeiro, é a impactação do alimento na faringe ou esôfago. “Nesses casos não serão necessárias manobras especiais, nem se deve dar mais alimentos (pão seco, banana etc.), como é habitual, na tentativa de empurrar o corpo estranho para o estômago. Quando se faz isto, é pouco provável que seja útil, além de retardar uma avaliação endoscópica, uma vez que será necessário esperar pelo menos seis horas de jejum, devido à sedação. Ou ainda, pode fazer pressão sobre um objeto cortante, que progredirá produzindo lesões no esôfago. A indicação é levar para um serviço de urgência”, diz.

Danielle explica que, no caso da manobra de Heimlich, a orientação é “ficar atrás da pessoa, passar os braços ao redor dela, juntar as mãos, fechando-as e deixando o polegar para dentro, posicioná-las abaixo das costelas, entre o osso esterno e o umbigo, na frente do tronco, e pressionar de forma rápida para cima e para dentro, repetindo até oito vezes; esta é a manobra de Heimlich”.

“Quando há um objeto no nariz, peça para a pessoa respirar pela boca. Se o objeto estiver visível, pressione o nariz na parte superior, próximo aos olhos, empurrando o objeto para baixo. Se não resolver, ou se o objeto estiver no fundo, procure ajuda médica, pra evitar que o objeto entre ainda mais”, destaca Danielle.

“Quando alguém engasga, tem a reação reflexa da tosse. A tosse nada mais é do que um grande fluxo de ar que procura expulsar o corpo estranho das vias aéreas. Se a pessoa não conseguir tossir ou a tosse não for suficiente para expulsar a comida ou o objeto, pode ser necessário aplicar alguma manobra para auxiliar. Você pode dar tapas no alto das costas, com a pessoa curvada para a frente”, acrescenta Danielle.

Ainda de acordo com a pediatra, virar a criança de cabeça para baixo pode resolver em algumas situações. “Porém é uma manobra arriscada. Se a posição causar vômito, este poderá também ser aspirado, piorando a asfixia”, diz.

“Quando nenhuma manobra funciona, e a pessoa tem sinais claros de asfixia, como a pele arroxeada e a diminuição dos movimentos do tórax, pode ser necessário aplicar a respiração boca a boca. Ela pode forçar o objeto a se mover e permitir a passagem do ar. De qualquer forma, o socorro médico deve ser chamado”, orienta Danielle.

De acordo com Tatiana, em maiores de três anos de idade, a orientação é:

  • Colocar a criança de bruços sobre a sua perna, com a cabeça mais baixa que o tronco e dar cinco tapas efetivos no meio das costas.
  • Tentar visualizar na boca o alimento e o retirar delicadamente. Se não for possível visualizar nada, fazer mais cinco compressões no meio do tórax logo abaixo da linha dos mamilos. Manter sempre a cabeça mais baixo do que o tórax.

No vídeo abaixo você também confere algumas orientações de como agir:

De toda forma, a orientação é chamar ou levar a criança para um serviço de urgência o mais rápido possível.

Dicas para alimentar as crianças com segurança

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Abaixo você confere as principais orientações para as crianças comerem com segurança:

  1. De acordo com Tatiana, não se deve oferecer alimentos a crianças até 4 anos sem antes amassar ou desfiar;
  2. “Alimente o bebê somente se ele estiver semi-sentado ou sentado e jamais durante o sono”, destaca a médica pediatra.
  3. “Não ofereça líquidos ou outros alimentos à criança engasgada na tentativa de conter o acidente”, acrescenta Tatiana.
  4. Nunca deve-se deixar uma criança comer sem supervisão.
  5. De acordo com o Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a criança deve ser confortavelmente acomodada à mesa com os outros membros da família. É importante que desde o primeiro ano de vida, na introdução dos alimentos complementares, a criança observe outras pessoas se alimentando. “O ambiente na hora da refeição deve ser calmo, sem a televisão ligada ou quaisquer outras distrações, como brincadeiras e jogos. É importante que a atenção esteja centrada no ato de se alimentar para que o organismo possa desencadear seus mecanismos de saciedade. O ambiente tranquilo facilitará a confiança e o prazer da criança em se alimentar. A criança deve ser encorajada a comer sozinha, mas sempre com supervisão, para evitar engasgos”, consta no manual.
  6. As crianças não devem comer ao caminhar ou andar de carro.
  7. Ainda segundo o Manual da Sociedade Brasileira de Pediatria, alimentos que possam provocar engasgos devem ser evitados, como balas duras, uvas, pedaços grandes de cenoura crua, pipoca, entre outros.

Por fim, vale lembrar que toda atenção é necessária, não só com a alimentação, mas também com os objetos que comumente podem estar por perto da criança. “Ela é absolutamente susceptível à ingestão de corpos estranhos. Se há algo ao alcance da mão, apenas alguns segundos de desatenção dos pais serão necessários para um acidente desse tipo. O importante, assim, é fazer a profilaxia (medidas de prevenção), mantendo o ambiente sem objetos ‘perigosos’”, finaliza Laercio Ribeiro.

Assuntos: Bebês

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