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Alimentação orgânica: guia completo para comer bem sem gastar muito

Atualmente existem feiras de produtos orgânicos onde você pode encontrar alimentos de boa procedência, cultivados de forma sustentável e com opções mais baratas

em 29/11/2014

Foto: Thinkstock

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A maioria das pessoas já ouviu falar sobre alimentação orgânica. Muitas, porém, nunca aderiram a ela por considerar que os alimentos orgânicos são muito mais caros que os demais. Mas, para entender por que existe esta diferença entre os preços, é fundamental saber exatamente o que é a alimentação orgânica.

Sabrina Lopes, nutricionista e personal diet, explica que alimentos orgânicos são aqueles alimentos produzidos respeitando o meio ambiente e com garantia de qualidade. “Ou seja, são alimentos que não recebem agrotóxicos, são produzidos cuidando da fauna e da flora do local e a produção desses alimentos também garante os direitos do trabalhador”, diz.

A nutricionista acrescenta que todos os alimentos orgânicos recebem em sua embalagem um selo “orgânico” do Ministério da Agricultura. “Esse selo garante ao consumidor que aquele produto foi fiscalizado por empresas certificadoras que garantem a qualidade orgânica”, explica.

Os alimentos orgânicos são mesmo mais caros?

Os produtos orgânicos tendem a ser mais caros do que os produtos não orgânicos e, de acordo com Sabrina, essa é a única desvantagem deles. “Eles são mais caros devido à forma de produção, são produzidos em menos escala e por isso o custo de produção acaba ficando mais alto”, diz.

Porém, explica Sabrina, se houver uma conscientização da população sobre a importância do consumo desses alimentos, e a população passar a consumi-los com mais frequência, a tendência é haver uma baixa no preço desses produtos.

11 passos para adotar a alimentação orgânica com economia

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Se você pretende aderir à alimentação orgânica, confira algumas orientações fundamentais para comer bem sem gastar muito.

1. Descubra se o produto está com bom preço

Pesquise os preços. Nunca compre no primeiro lugar que encontrar, ao menos que já tenha alguma noção sobre o preço de determinado alimento. Se necessário, antes de ir às compras, pesquise um pouco na internet sobre o valor aproximado de cada produto orgânico que pretende comprar.

2. Compre no lugar correto

Sabrina explica que os alimentos orgânicos podem ser encontrados em mercados e feiras. “Hoje em dia existem feiras de produtos orgânicos e geralmente nessas feiras os produtos possuem um valor mais baixo, porque são comercializados diretamente do produtor… É garantia de qualidade e preço bom”, diz.

3. Compre na época certa

Compre alimentos da época, com isso, o preço é mais baixo. Além disso, vegetais de estação são mais saborosos e mais nutritivos. Assim você aproveita também para variar bastante sua alimentação.

4. Compre a granel

Esta é uma boa maneira de comprar só o necessário e, assim, economizar. Vale lembrar que, de acordo com a legislação orgânica no Brasil, todos os produtos orgânicos comercializados a granel devem trazer a identificação do seu fornecedor no respectivo espaço de exposição.

5. Privilegie os alimentos mais baratos

A nutricionista Sabrina explica que os preços dos alimentos orgânicos vão variar muito de acordo com o local aonde vão ser comprados e também com a estação devido à produção deles.

Mas, de forma geral, existem alguns vegetais que costumam ter preços acessíveis: abóbora, batata, batata doce, cenoura, chuchu. Além disso, eles rendem bastante. São ótimas opções para quem não quer ou não pode gastar muito.

6. Coma menos carne

Se possível, diminua o consumo de carne. Vegetais custam menos que alimentos de origem animal. Além disso, produtos como feijões e cereais dobram ou até triplicam de volume ao serem cozidos. Logo, os gastos acabam sendo menores, ainda que você aposte nos alimentos orgânicos.

7. Faça planejamento das compras

Nunca vá à feira ou supermercado sem ter a mínima ideia do que vai comprar. Leve uma lista com tudo e com a quantidade do que precisa para aquela semana, por exemplo. Se possível, já vá com uma ideia em mente de quanto pretende gastar mais ou menos (tendo uma noção dos preços dos alimentos não fica tão difícil).

8. Não desperdice

Além de fazer um bom planejamento, para evitar o desperdício de alimentos e economizar na compra, Sabrina Lopes explica que é necessário ter um cuidado na conservação dos produtos, armazenar no local correto para que o alimento dure um tempo mais prolongado até o consumo.

“Na hora da compra observe se o alimento está em boas condições de consumo. Tome cuidado na hora do transporte: não coloque uma sacola em cima da outra amassando os alimentos etc. Não compre alimentos muito maduros caso não for consumir imediatamente”, orienta a nutricionista.

E uma boa dica, de acordo com Sabrina, também é aproveitar todas as partes comestíveis do alimento, como as cascas que muitas vezes são desprezadas. “Existem receitas maravilhosas que podem ser feitas com elas”, explica.

9. Faça você mesma

Planeje a compra, compre os alimentos e, sempre que possível, faça você mesma seus pratos. Esta é uma das maneiras mais eficientes de economizar.

10. Fuja dos vegetais mais contaminados

Se não for possível comprar todos os alimentos orgânicos, opte, pelo menos, por comprar aqueles vegetais que, na versão não orgânica, são mais contaminados.

Segundo Sabrina, os alimentos que lideram o ranking de contaminação por agrotóxicos são o pimentão, o morango e o pepino. “Seguidos pelo a alface e a cenoura e, depois, pela beterraba, couve, mamão, abacaxi e o tomate”, explica. Ou seja, no caso mais específico destes alimentos, opte sempre pela versão orgânica.

11. Tenha uma mini-horta em casa

Sabrina diz que é possível e super-recomendado fazer uma mini-horta em casa, hoje em dia. “Essa tem se tornado uma prática cada vez mais comum”, comenta.

O primeiro passo, de acordo com a nutricionista, é analisar o espaço disponível na sacada do apartamento ou no jardim da casa para dispor os vasos. “Depois analise o clima, o tipo de terra e os alimentos que irá plantar… Cada espécie de planta necessita de uma atenção diferenciada”, explica.

5 benefícios da alimentação orgânica

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Conheça abaixo bons motivos para apostar na alimentação orgânica, de acordo com a nutricionista Sabrina:

  1. São mais saborosos.
  2. Além de serem mais saborosos, concentram uma grande quantidade de nutrientes, ou seja, possuem mais vitaminas e minerais do que os alimentos não orgânicos – o que é excelente para nosso organismo e nossa saúde.
  3. O consumo de alimentos orgânicos pode diminuir infecções, doenças, gripes.
  4. Os alimentos orgânicos podem dar mais disposição.
  5. Para quem quer aliviar o corpo das toxinas – que hoje em dia estamos tão expostos devido à quantidade de produtos industrializados –, os orgânicos são uma ótima pedida para desintoxicação.

Depoimentos de quem segue a alimentação orgânica

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Claudia Vilaça, advogada, tem 52 anos e vive à base de alimentação 100% natural (paleo) e orgânica. Hoje é atleta campeã internacional de fitness, além de representante no Brasil da INBA International Natural Bodybuilding Association e embaixadora mundial do esporte natural (sem drogas).

Mas nem sempre foi assim… Claudia conta que até os 46 anos era completamente sedentária e vivia à base de alimentos altamente processados e suplementos sintéticos de vitaminas, minerais, colágeno e proteínas. “Tudo levava corantes, conservantes, adoçantes e aromatizantes artificiais, gorduras trans, açúcar, sódio, além de diversos ingredientes misteriosos e aditivos de nomes complicados que eu não tinha a menor paciência de verificar nos rótulos. Também consumia grande quantidade de produtos de farinhas refinadas, refrigerantes e álcool”, diz.

Claudia diz ainda que consumia remédios, muitos remédios! “Era remédio para dor de cabeça, que não adiantava nada, pois a enxaqueca era a minha mais fiel companheira de todas as horas do dia e da noite. Remédio para irregularidades menstruais e para a síndrome de ovários policísticos. Remédio para unhas fracas e queda de cabelos. Remédio para dermatites. Remédios para cãibras e para retenção de líquidos. Fórmulas e tratamentos para celulites, flacidez intensa e gordura localizada. Shakes e fitoterápicos para aliviar os sintomas do que eu pensava já ser a chegada da menopausa”, relata.

Mas, de acordo com Claudia, tudo era em vão. “Eu continuava me sentindo péssima, fraca, inchada, sempre cansada e com sono, sempre com fome ou compulsão por massas e doces, sem ânimo nem energia para nada”, comenta.

Claudia Vilaça, 52, atleta e advogada. Foto: Reprodução / Acervo Pessoal

Claudia Vilaça, 52, atleta e advogada. Foto: Reprodução / Acervo Pessoal

Hoje, a atleta diz que se dá conta de que não comia comida de verdade. “Entre uma infinidade de pães, massas, pizzas, bolos, frituras e pratos comprados prontos, molhos, latarias, conservas, salgadinhos e guloseimas, raramente havia espaço para uma salada fresca e um simples pedaço de carne, peixe, frango ou ovos”, diz.

Claudia decidiu então praticar atividades físicas e as coisas foram mudando, aos poucos. “Passei a consumir mais proteínas in natura para suportar os treinos, abandonei a garrafa de vinho que tomava – inteira – toda santa noite e as dezenas de canecas de café com adoçante do resto do dia, e, principalmente, assumi a compra dos ingredientes, o planejamento e o preparo das minhas refeições. Quer dizer, em vez do setor de embutidos e de pratos congelados e das prateleiras repletas de caixas, vidros, latas e embalagens em geral, fui para o outro lado do supermercado, escolher os ovos e o frango sem antibióticos, o peixe selvagem, a carne de animais criados no pasto, os vegetais sem agrotóxicos, o óleo de coco orgânico e o azeite de oliva extravirgem, o sal marinho não refinado, a água mineral alcalina sem adição de cloro e de flúor. Fui para a feira e para a cozinha, para variar”, relata.

À medida que os novos hábitos iam se instalando, a saúde, o humor e o estado geral sofreram uma drástica transformação, uma revolução silenciosa e diária, e Claudia diz ter se tornado “outra pessoa”.

Tornei-me uma mulher mais jovem e mais sadia, uma ‘cinquentona’ corajosa e ávida por planos, aventuras e desafios

A atleta conta que, adotando a alimentação 100% natural e orgânica como estilo de vida (ou seja, para sempre e em todos os momentos, sem fazer uma dieta com prazo determinado ou com meta de quilos a perder ou a ganhar ), ela eliminou os corantes, os conservantes e todo o tipo de aditivos e subprodutos da industrialização. “Também reduzi enormemente a ingestão de toxinas, além de substâncias que prejudicam a absorção dos nutrientes, o bom funcionamento da tireoide e a fixação do cálcio, por exemplo. Sem transgênicos, sem vitaminas sintéticas, sem remédios, sem venenos. Sem pílulas, sem pós, sem shakes, sem suplementos. Absolutamente sem drogas”, destaca.

Apenas com comida natural de qualidade, água e um pouco de sol para os ossos, Claudia relata que adeus às dores, ao cansaço, aos problemas hormonais, ao desânimo e à falta de energia. “Despedi-me dos remédios e dos suplementos. Tornei-me uma mulher mais jovem e mais sadia, uma ‘cinquentona’ corajosa e ávida por planos, aventuras e desafios”, diz.

Vale a pena investir nesse tipo de alimentação?

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Em geral, os orgânicos são mais caros que os produtos não orgânicos. “Porém, quando se compara os preços, a gente percebe que consumir carnes, gorduras e vegetais in natura – orgânicos ou não – sai muito mais barato do que consumir produtos industrializados, como pães, doces, sorvetes, biscoitos e barrinhas, cereais matinais, iogurtes e bebidas lácteas, sopas prontas, sucos, lazanha congelada, nuggets, batata frita e salgadinhos, queijos, salsicha, salame, mortadela, conservas de ervilha, milho, tomate etc.”, comenta Claudia.

Com relação aos alimentos in natura não orgânicos – frutas e legumes, carnes e gorduras – serem mais baratos do que os orgânicos, Claudia acredita que é importante considerar o preço que se paga com a própria saúde e qualidade de vida.

“O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, essas substâncias têm efeito cumulativo e vão minando o organismo. Animais ‘bombados’, confinados e criados à base de ‘aceleradores de crescimento’ e ‘melhoradores de desempenho’, antibióticos e rações não apropriadas à espécie. Peixes de cativeiro que recebem hormônios para mudar de sexo e adquirir mais peso e, assim, maior valor de venda. Sal refinado iodado com adição de alumínio e agentes branqueadores. Soda cáustica, água sanitária, chumbo, mercúrio, arsênico adicionados às rações das aves”, comenta a atleta.

Para Claudia, tudo isso que se anuncia na televisão e nas revistas, que se compra e se consome no dia-a-dia, desencadeia alergias, doenças autoimunes e degenerativas, dependências químicas e compulsões, depressão e síndromes, demência, tumores e o extenso rol de “males da vida moderna”, que podem ser evitados, tratados e superados com a simples adoção de uma dieta natural e sem venenos.

Dicas para adotar uma alimentação mais natural

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Claudia dá algumas sugestões para quem pretende aderir a uma alimentação mais natural e orgânica sem gastar muito.

  • Procure sempre pelos produtos in natura e por prepará-los em casa. Ou seja, evite ao máximo os alimentos processados, mesmo os orgânicos, como pães, biscoitos, doces, molhos, sucos, embutidos e pratos prontos. “Resumindo:alimentos naturais (não processados, não industrializados), sempre. Alimentos naturais e orgânicos, quando possível”, diz.
  • Fora de casa é comum a opção de um restaurante por quilo ou prato feito, com uma fonte de proteínas (carne, peixe, frango, ovo) e salada e vegetais, como mandioca, inhame, cará etc. “Também os itens da culinária local costumam ser mais acessíveis, fora dos grandes centros urbanos”, acrescenta Claudia.
  • Os vegetais orgânicos não são tão mais caros que os não orgânicos e consumi-los é bem mais seguro. “Entre os orgânicos, verduras de folhas, tomate, pimentão, legumes e frutas que tendem a acumular resíduos na casca ou que sabidamente absorvem maior quantidade de agrotóxicos são itens pelos quais vale a pena pagar um pouco mais”, diz.
  • Se o orçamento não permitir a compra de vegetais orgânicos, escolha na feira do bairro a alface, a couve, a escarola mais fresquinha; lave as verduras muito bem e as deixe por uma hora na saladeira de barro antes de consumir. “Aproveite e coloque na sacola chuchu, abobrinha, cenoura e repolho para refogar com a carne moída de segunda, que é saborosa e sacia mais”, acrescenta Claudia.
  • Se não pode ou não quer gastar muito, use carne de segunda ou de terceira em picadinhos ou preparados na panela de pressão. “Músculo, acém, costela são cortes baratos e rendem refeições deliciosas”, comenta a atleta.
  • O mesmo vale para aves, ovos, peixes e outros animais. Se não puder comprar o orgânico, opte pelo caipira. “Use todas as partes da galinha, do porco e do peixe, e não apenas as mais ‘nobres’”, sugere.
  • Quem puder pescar ou tiver a disponibilidade de peixes não criados em cativeiro já faz uma boa economia e se alimenta muito bem, sem recorrer a enlatados e produtos industrializados.
  • Vísceras ou miúdos e órgãos internos, como moela, fígado, língua, bucho e coração contêm proteínas, gorduras, vitaminas e minerais importantes, não são caros e rendem bastante.

Com todas essas dicas fica muito mais fácil aderir à alimentação orgânica sem gastar muito e, com certeza, bons motivos para isso não faltam!

Mas, se não for possível comprar sempre alimentos orgânicos, não se esqueça de optar sempre, pelo menos, pelos alimentos naturais (não processados, não industrializados). Além de mais saudáveis, eles têm a vantagem de oferecer, de forma geral, preços melhores!

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