Bebidas alcoólicas podem ser mais eficazes do que alguns remédios no combate à dor

Um litro de cerveja poderia reduzir a dor em 24%, mas isso não significa que você deva substituir o tratamento por um drink

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

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Sabe quando você acorda depois de uma noitada com uns goles a mais e descobre que seu corpo está cheio de marcas roxas misteriosas que você não sabe de onde vieram? Se você desconfia que nem sentiu as pancadas porque estava um pouco alterada, saiba que você provavelmente tem razão.

Talvez isso não seja novidade para quem está sempre com o copo na mão, mas o fato é que uma pesquisa feita no Reino Unido no ano passado mostrou que realmente existe uma relação entre o consumo de álcool e o alívio da dor.

Porém, desde já avisamos: exagerar nas bebidas no intuito de tratar qualquer tipo de dor vai trazer mais prejuízos do que benefícios, combinado?

Cerveja é melhor do que paracetamol? Não é bem assim

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O estudo liderado pelo Dr. Trevor Thompson analisou 18 pesquisas anteriores que contaram com 404 participantes e chegou à conclusão de que existem fortes indícios de que álcool aumenta o limiar da dor e diminui a percepção de sua intensidade, nos deixando mais tolerantes a essa sensação.

De acordo com as declarações do Dr. Thompson para a Universidade de Greenwich, uma concentração de 0,08% de álcool no sangue – resultado do consumo de cerca de 1 litro de cerveja ou duas taças médias de vinho – levaria a uma redução de 24% da dor.

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Esse efeito parece ser similar ao dos medicamentos opioides (derivados da morfina), como a codeína, e superior ao do paracetamol, conforme o pesquisador comentou ao The Sun. Porém, o próprio Dr. Thomson destaca que ainda não é possível estabelecer uma comparação direta entre o álcool e os medicamentos analgésicos devido às limitações dos estudos disponíveis.

Outro aspecto sobre esse efeito do álcool que ainda não está totalmente esclarecido é o seu mecanismo de ação. Uma das hipóteses é que ele age nos mesmos receptores ativados por substâncias como a cetamina, um medicamento empregado no tratamento de dores crônicas e como anestésico, podendo causar alucinações neste último caso. Outra hipótese é que as bebidas alcoólicas aliviam a dor simplesmente porque reduzem a ansiedade.

Nada de usar a dor para justificar a bebedeira

Como você já sabe muito bem, o álcool oferece uma série de efeitos nocivos para a saúde da pessoa que o consome e o bem-estar da sociedade ao seu redor. Dessa forma, o intuito da pesquisa não é legitimar a ingestão de bebidas alcoólicas como uma forma de tratamento da dor.

Em vez disso, os cientistas esperam que, no futuro, seja possível isolar os componentes-chave com efeito analgésico para produzir novos medicamentos ainda mais potentes no alívio da dor, mas sem causar os efeitos tóxicos e prejudiciais do álcool.

Além disso, conforme o próprio Dr. Thompson explica, o volume de álcool necessário para aliviar essa sensação de forma constante em longo prazo já é suficiente para comprometer a saúde do paciente. Isso acontece porque essa quantidade de bebida alcoólica ultrapassa os valores estabelecidos pela OMS para um consumo considerado moderado (cerca de 660 ml de cerveja ou 200 ml de vinho ao dia, no máximo 5 vezes por semana).

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O estudo também levanta a hipótese de que o efeito analgésico do álcool pode explicar o maior risco de dependência entre pessoas que sofrem com dores crônicas, chamando atenção para a necessidade de oferecer alternativas de tratamento menos prejudiciais à saúde.

Por isso, se a sua ideia era pedir mais uma caipirinha porque está com qualquer tipo de dor, saiba que a melhor opção ainda é buscar auxílio médico para encontrar uma solução para o problema sem tantos efeitos colaterais.

Assuntos: Bem-Estar

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