Álcool e gravidez: quais os riscos?

O consumo de álcool na gravidez pode causar sérios problemas de saúde no bebê e na gestante

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

Embora a maioria das gestantes opte por abandonar o consumo de álcool e de cigarros durante a gravidez, algumas mantêm esses hábitos nocivos sem que percebam as inúmeras consequências decorrentes deles.

A ingestão de bebidas alcoólicas pode representar um grande risco para a saúde do bebê, além de não ser recomendável para a saúde da mãe. A ciência ainda não conseguiu determinar a partir de que quantidade o álcool passa a ser prejudicial, de modo que é preferível não arriscar. A placenta humana é completamente permeável à passagem do álcool, de modo que o fígado da criança, ainda em formação, absorve boa parte do álcool que a mãe ingere.

Os danos sofridos pelo feto podem ser irreversíveis, por diversos motivos. Se em um organismo adulto a bebida já causa estragos, para um bebê o efeito pode ser catastrófico. Além disso, o fígado do feto absorve a substância duas vezes mais devagar que o de uma pessoa adulta. Isso significa que o álcool permanece por muito mais tempo no organismo do bebê do que no da mãe.

Esses fatores são responsáveis por inúmeras complicações durante o período de gestação, como as ocorrências de aborto espontâneo e também o preocupante parto prematuro. Segundo especialistas, o risco de aborto espontâneo é quase duas vezes maior em gestantes que cultivam o hábito do consumo de álcool.

Mas os problemas não param por aí. Após o nascimento, a criança pode apresentar diversos tipos de alterações físicas e neurológicas, muitos deles irreversíveis, devido ao consumo de bebidas alcoólicas pela mãe. Os mais frequentes são retardo mental, alterações faciais, comprometimento do crescimento e sérios problemas de comportamento. Essas consequências são maiores ou menores de acordo com a fase da gravidez em que o álcool é ingerido e com a quantidade de álcool ingerido.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12 mil bebês nascem com a chamada Síndrome Fetal do Álcool ou Síndrome do Alcoolismo Fetal (SAF) todos os anos. O número corresponde a 2,2 bebês afetados para cada mil bebês nascidos vivos.

“Síndrome do Alcoolismo Fetal” é o nome dado ao conjunto de alterações no feto causadas pelo consumo de álcool durante a gravidez. Pode acarretar, entre outras coisas, atraso no crescimento intra-uterino, no desenvolvimento neuropsicomotor e intelectual, além de distúrbios comportamentais como a hiperatividade, diminuição do tamanho do crânio (microcefalia), deformações faciais, pés tortos, alterações cardíacas, maior sensibilidade a infecções e maior taxa de mortalidade neonatal.

Em diversos casos, a criança não apresenta deformidades físicas no momento do nascimento, passando a apresentar sintomas de natureza neurológica posteriormente, uma vez que a SAF costuma se manifestar até que a criança complete três ou quatro anos de idade. Por isso é tão importante cortar o consumo de álcool tão logo a gestação seja descoberta. Isso vai garantir uma gravidez mais tranquila e um desenvolvimento mais saudável para essa nova vida.

Assuntos: Gravidez

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