Agorafobia: o medo da multidão

Conheça as causas e sintomas desse transtorno de ansiedade caracterizado pelo medo de estar em lugares cheios de pessoas

Escrito por Thalita Vitoreli

Foto: Thinkstock

Estudos recentes indicam que depressão, pânico, ansiedade e fobia social são distúrbios que acometem com mais frequência e maior grau de intensidade o sexo feminino.

Dentre os transtornos de ansiedade mais comuns está a agorafobia, que é o medo excessivo de estar em um ambiente com grande quantidade de pessoas. Conheça a seguir um pouco mais desse transtorno, suas causas e sintomas e como tratá-lo adequadamente.

Saiba o que é a agorafobia

A etimologia da palavra Agorafobia deriva de Ágora, que no grego, refere-se a um espaço, praça ou reunião de pessoas e de Fobia, que significa medo de algo. Agorafobia é portanto o medo de ficar em um ambiente aberto ou fechado com muitas pessoas.

O transtorno caracteriza-se como uma perturbação marcada por um estado de ansiedade exacerbada, que aparece sempre que a pessoa se encontra em locais ou situações dos quais seria difícil sair caso se sentisse mal, como por exemplo: túneis, pontes, grandes avenidas, ônibus lotados, trens, barcos, festas, ajuntamentos de pessoas. O agorafóbico teme não ter a quem recorrer caso se sinta mal.

Segundo a psicóloga Marana Tamie, especialista em Psicologia Hospitalar, tal denominação foi cunhada por Carl Westphal em 1872 e o termo é utilizado pela psiquiatria, por vezes, relacionado à Síndrome do Pânico e para designar um tipo de transtorno de ansiedade.

Conheça as causas da agorafobia

Segundo Marana, vários são os fatores que podem causar a agorafobia. “Entre os pesquisadores encontramos afirmações que o transtorno pode ser iniciado após um período de luto, ou de necessidade de adaptação, ou ainda, em uma fase tranquila da vida”, afirma ela.

Além disso, existem pesquisas ainda não conclusivas, que associam os transtornos de ansiedade à uma vulnerabilidade biológica ou genética. Outra explicação para as causas da agorafobia é que a mesma pode estar associada à uma experiência desagradável, como estar em um elevador lotado que enguiçou e passar mal, por exemplo.

Pais superprotetores cuja educação dos filhos foi voltada aos perigos da vida também podem ser a causa de comportamentos desta natureza. A agorafobia pode se desenvolvida através da observação de pais e outros adultos.

Quais são os sintomas da agorafobia?

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, os sintomas da agorafobia são descritos como: sentimento de ansiedade intensa, aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, respiração agitada, sudorese, tremores, sensação de sufocamento, falta de ar e náuseas.

Sintomas como o medo de frequentar lugares com muitas pessoas, por exemplo: bancos, supermercados, teatros e cinemas também são comuns segundo Marana.

“Alguns pacientes relatam que, além de sentir medo de frequentar lugares movimentados, tem o pensamento de que há possibilidade de passar mal e não ter a quem pedir socorro. Com o sentimento de angústia, tão intenso, evitam até mesmo sair de casa”, afirma a psicóloga.

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Tratamentos indicados e quando procurar ajuda

Como acontece em outros tipos de transtorno de ansiedade, os comportamentos fóbicos podem existir em níveis variáveis de pessoa para pessoa. “Quando esse mal-estar incapacita a pessoa, compromete o convívio social, prejudica suas relações familiares, de estudo e de trabalho, a indicação é que se procure um psicólogo, ou psicanalista e para os casos que necessitem de medicação o psiquiatra é recomendado”, orienta Marana. Não é orientado apenas o uso de medicamentos sem o acompanhamento da terapia.

Agorafobia e Transtornos de pânico

A relação entre a agorafobia e o pânico é muito próxima. Cerca de metade dos pacientes com síndrome do pânico apresentam agorafobia.

O Transtorno do pânico, caracteriza-se pela ocorrência inesperada de ataques de pânico, com duração relativamente breve, mas com intensa ansiedade e medo. Em muitos casos o Transtorno do pânico é acompanhado por agorafobia, o que pode interferir significativamente nas capacidades de uma pessoa em situações sociais e profissionais fora de casa.

Assuntos: Bem-Estar

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