A empatia e seu poder no convívio em sociedade

A psicóloga Regina Altoé responde a algumas perguntas sobre a "capacidade de se colocar no lugar do outro"

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

Mais importante que a simpatia e a antipatia, a empatia é capaz de produzir efeitos maravilhosos na sua vida. Se você não sabe ao certo o que significa desenvolver a habilidade da empatia e como isso pode te ajudar, a psicóloga Regina Altoé responde a algumas perguntas sobre o assunto.

1. Do ponto de vista psicológico, o que é e como funciona a empatia?

Empatia é a capacidade que temos de nos colocar no lugar do outro da forma mais ampla que podemos pensar, imaginar, sentir. Muitas vezes, conseguimos entender o que o outro disse, porém nem sempre conseguimos dar a real dimensão ao que foi dito. A empatia vai além do entendimento.

Nem sempre conseguimos ter empatia para com todas as pessoas, daí conseguir perceber que a empatia vai além do entendimento. Envolve afinidade, envolve conseguir estar por inteiro, ouvir e compreender.

2. Uma pessoa empática pode ser considerada mais sensível que as demais?

Acho particularmente temerário colocar dessa forma. Diria que é uma pessoa que está mais aberta, que consegue ser mais flexível, que consegue sair do seu ponto de vista e isso não quer dizer que concorde com o outro, mas que procura acolher o que acontece, o que é falado. Claro que para isso é necessário sensibilidade, mas acredito que seja um conjunto de caraterísticas e não somente uma específica.

3. Como a empatia pode influenciar (ou facilitar) os relacionamentos interpessoais?

A empatia facilita os relacionamentos interpessoais e aqui é importante destacar: em todos os níveis, porque para que a empatia aconteça é necessário perceber o que é real, o que é importante para o outro, a partir do referencial do outro.

Melhor explicando, se conseguirmos pensar empaticamente, usando o referencial do outro, independente do nosso, tenderemos a não ouvir, julgar ou partir de pré-conceitos quanto a qualquer situação, assunto, acontecimento.

Isso não é fácil, principalmente nos dias de hoje, porque tendemos a ter o EU como centro. A empatia exige sair do EU e abrir para o OUTRO. Percebendo essa diferença, não estamos na situação de certo ou errado, mas sim de perceber e entender a dimensão e importância do que está acontecendo para o outro. Vamos esclarecer que isso não quer dizer que haja concordância.

4. Pessoas com uma grande capacidade de desenvolver empatia por outras pessoas correm o risco de colocar as necessidades alheias antes das próprias necessidades?

Não correm o risco de colocar as necessidades do outros em primeiro lugar, desde que tenha noção de quais são as suas necessidades. Se a pessoa é centrada e tem consciência das suas qualidades, das suas dificuldades e mesmo de quais são suas áreas de risco, digamos assim, ser empática é uma qualidade, e não algo que atrapalhe.

Independente da empatia, colocar o outro em primeiro lugar merece já uma reflexão por parte de quem tem esse comportamento. Isso necessariamente não é empatia, mas pode sinalizar uma dificuldade da pessoa em lidar com as próprias coisas.

5. É possível evitar esse “risco”? Como?

É fundamental que a pessoa tenha noção de si, até mesmo para poder acolher e exercitar a empatia: colocar-se por inteiro no lugar do outro. Isso exige amadurecimento, discernimento, flexibilidade, saber ouvir, entre outras coisas. A empatia pode ser uma habilidade de grande ajuda, se bem utilizada.

Assuntos: Relacionamentos

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