6 exercícios que você deve evitar ou tomar muito cuidado ao fazer na academia

Alguns exercícios podem oferecer certos riscos, especialmente à coluna do praticante

Escrito por Tais Romanelli

Foto: Thinkstock

Todo mundo sabe, hoje, que praticar atividades físicas com frequência é um hábito totalmente positivo e indicado para todas aquelas pessoas que buscam beleza, saúde e melhor qualidade de vida.

Porém, se exercitar de maneira saudável não significa, necessariamente, passar horas e horas dentro de uma academia, realizando uma quantidade exagerada de exercícios, com o máximo de peso possível.

A regra é: contar sempre com a ajuda de um profissional da área de Educação Física para indicar quais são os melhores tipos de exercício para o seu caso. Mas é verdade que nem todas as pessoas seguem esta orientação básica e, por isso, estão sujeitas a cometer erros na hora de praticar a musculação.

Alguns exercícios comumente realizados em academias – geralmente sem orientação profissional – não são indicados pelos médicos, pois podem oferecer certos riscos ao corpo e à saúde do praticante. Outros ainda, até podem ser executados, desde que com total atenção, para evitar problemas.

Abaixo, Jomar Souza, especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), cita alguns exercícios que devem ser feitos com maior cuidado – para que não sejam executados de forma errada – e outros que devem ser evitados, pelos riscos que podem oferecer àquelas pessoas que os praticam com frequência:

1. Agachamento com barra: essa é uma atividade bastante comum nas academias, tanto para homens, como para mulheres. Porém, de acordo com Jomar Souza, ele pode oferecer resultados negativos. “Os exercícios que geram uma carga vertical sobre a coluna devem ser evitados. Ao longo do tempo, eles podem acelerar o desgaste natural dos discos da coluna, gerando dores e, eventualmente, compressão dos nervos que saem entre as vértebras. E um exemplo clássico desse tipo de exercício é o agachamento com suporte de uma barra sobre os ombros”, destaca.

2. Remada em pé: a possibilidade de realizar o exercício chamado “remada” em pé gera dúvida entre muita gente. De acordo com o especialista Jomar Souza, a remada em pé pode, de fato, sobrecarregar a coluna lombar. “Para evitar este problema, é importante que os músculos abdominais e paravertebrais estejam fortalecidos, ajudando a estabilizar a coluna durante a execução do exercício”, explica.

3. Desenvolvimento por trás da nuca: outra dúvida comum diz respeito à realização do exercício chamado “desenvolvimento” feito por trás da nuca. O médico Jomar Souza ressalta que este é também um tipo de exercício que gera uma carga vertical sobre a coluna. “Isso pode ser resolvido mantendo o tronco um pouco inclinado para trás. Os ombros serão sobrecarregados, sem dúvida, pois a execução do exercício obriga uma elevação dos braços acima de 90°, facilitando a ocorrência de tendinites e bursites. Então, o ideal é utilizar uma carga mais baixa para prevenir este tipo de problema”, explica.

4. Abdominal com giro do tronco: algumas pessoas optam por fazer abdominais girando o tronco, para trabalhar o abdômen e os oblíquos ao mesmo tempo. Porém, explica Jomar Souza, embora a anatomia da coluna permita a rotação do tronco, este movimento pode gerar uma força de cisalhamento sobre o disco intervertebral, rompendo suas fibras externas. “Esta abertura nas fibras pode, ao longo do tempo, permitir o surgimento de uma hérnia de disco”, diz. “Logicamente que tudo dependerá da frequência com que este tipo de movimento é realizado e, se além dele, o praticante também gera uma carga sobre a coluna com outros exercícios”, acrescenta o especialista em Medicina do Exercício e do Esporte.

5. Stiff com as costas arqueadas: o stiff é outro exercício bastante executado nas academias. Porém, algumas pessoas o fazem de forma errada, deixando as costas arqueadas. “Nesse caso, pode ocorrer uma sobrecarga sobre os discos da coluna dorsal e um aumento da cifose, principalmente se a pessoa já apresenta algum desvio postural da coluna”, destaca o médico Jomar Souza.

6. Encolhimento dos ombros com rotação: o encolhimento de ombros visa exercitar os trapézios. “Se fizermos este movimento em frente a um espelho, vamos notar que os ombros não realizam a rotação. Quando isso acontece, significa que a carga está além da suportada pelos trapézios, com necessidade de rotacionar os ombros para concluir o movimento. Esta manobra pode gerar sobrecarga sobre as estruturas tendinosas e ligamentares dos ombros, provocando processos inflamatórios e lesões”, explica o especialista.

Alongar ou não?

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Outro assunto que gera dúvidas entre aqueles que praticam musculação diz respeito ao alongamento. Afinal, é mesmo importante se alongar antes e depois dos exercícios?

O médico Jomar Souza explica que existe, hoje, muita controvérsia em relação a este assunto. “Mas devemos lembrar que o alongamento melhora a flexibilidade, e uma boa flexibilidade nos torna mais independentes para executarmos as tarefas do dia a dia, principalmente quando chegamos na terceira idade. O ideal é que os alongamentos sejam feitos antes e depois”, destaca.

“Os alongamentos devem causar um leve desconforto, mas não a sensação de dor. Se isso ocorrer, significa que o músculo está sendo alongado acima do seu limite, o que pode gerar uma lesão”, acrescenta o especialista.

Com todas essas informações, fica claro que a pessoa que pratica musculação deve contar sempre com a supervisão de um profissional da área de Educação Física para executar os mais variados exercícios.

É importante ainda que, antes de iniciar qualquer atividade física, a pessoa procure um médico, que dirá se ela está mesmo apta a realizar determinado tipo de atividade, bem como indicará os cuidados necessários com a prática.

Assuntos: Boa forma, Fitness

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