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Tristeza e o comportamento alimentar

Identificar os gatilhos emocionais que levam ao abuso alimentar é fundamental na perda de peso

em 31/01/2012

Quando falamos em obesidade, são muitos os fatores a serem avaliados, pois sabemos que são múltiplos os fatores que levam uma pessoa a ganhar peso, que podem ser genéticos, ambientais e emocionais. Dentre os fatores emocionais, fica claro o quanto as pessoas se alimentam para aplacar a dor que sente, aumentando assim o consumo da comida.

Sentimentos como tristeza, depressão, tem se revelado como um grande desencadeador do abuso alimentar, como forma de amortecer os sentimentos. Um problema emocional pode provocar um aumento significativo de comida, como chegar a desencadear verdadeiras farras alimentares, onde o sujeito ataca a geladeira e come tudo sem pensar.

Após esse episódio de perda de controle, vem uma culpa muito grande, por não ter sido capaz de se controlar, diminuindo cada vez mais a autoestima, levando a um ciclo compulsivo ainda maior.

Como esses momentos de descontrole começam a se tornar frequentes, não tem como fugir do aumento de peso, e percebemos o quanto nossa autoestima fica fragilizada, o que gera mais tristeza, e consequentemente, uma possibilidade maior de desenvolvermos um quadro depressivo.

O indivíduo com sobrepeso e obesidade sofre muito com a sua imagem, a discriminação, a desmotivação que sente em relação a mudanças, entre diversos fatores que contribuem para o seu isolamento, ou mesmo para os desenvolvimentos de padrões comportamentais que lesam sua autoestima, distorce as relações com as pessoas, e diminuem a qualidade de vida.

A alimentação aparece nesse contexto como forma compensatória de situações não resolvidas, busca de satisfação imediata. As pessoas que se sentem presas a este padrão de beleza, e buscam o emagrecimento, estão sujeitas a crises de compulsão, e consequentemente, a sentimentos de culpa e vergonha.

Os estudos demonstram que a comida acaba tendo à função de combater o estresse, cansaço, ansiedade, depressão, ficando clara a relação da comida com o estado emocional dos indivíduos.

A restrição alimentar acaba sendo a estratégia de perda de peso mais frequente, e em algumas pesquisas realizadas, fica claro a relação dessa prática, ao aumento de peso e queda energética.

Desta forma se instala um ciclo vicioso, onde a pessoa estando triste recorre à comida, que é a forma mais rápida e fácil de sentir-se bem, pelo menos no momento da ingestão.

É fundamental que possamos identificar quais são os gatilhos emocionais que levam a essas orgias alimentares, para que desta forma, aprenda a utilizar de algumas estratégias para se conter, aprendendo a comer somente para nutrir, e não como forma de sentir-se confortado.

Essa forma de lidar com a tristeza não traz nenhum benefício, pelo contrário, a pessoa ganha peso gradativamente, e a tristeza fica cada vez maior. Uma situação leva a outra, e nesse momento as pessoas sentem-se perdidas, sem forças para começar uma mudança comportamental e emocional.

Como essa doença é muito complexa, é fundamental que se procure ajuda profissional, que estará preparado para auxiliar nesse processo doloroso de descontrole. Poder sentir-se acolhido em sua dor, em sua impotência é um passo importante para começar um reencontro consigo mesmo.

Poder se olhar no espelho e reconhecer-se, pode levar o indivíduo a uma maior consciência dos fatores que envolvem sua vida, a reflexão do estilo de vida, dos variados aspectos que fazem parte do processo de alimentação, gerando resultados positivos na busca do peso magro e da autoestima.

Luciana Kotaka

é colunista do Dicas de Mulher e especialista em Psicologia

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