Sangramento na gravidez: quando se preocupar

Nem todo sangramento é motivo de desespero, mas é fundamental que o caso seja investigado

Por Tais Romanelli
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Foto: Thinkstock

Não importa se ocorra no início, meio ou fim da gravidez, tampouco se a mulher é mãe de primeira, segunda ou múltiplas viagens: qualquer pequeno sangramento que apareça na calcinha da gestante é capaz de fazê-la perder o sono. E neste caso, uma certa dose de preocupação é mesmo bem-vinda!

Certamente, nem todo sangramento é motivo de desespero. Em algumas situações, o sangue é até normal e não representa risco para a gestação. Mas é fundamental que o caso seja investigado.

Confira abaixo os possíveis motivos de sangramento em diferentes fases da gravidez:

Primeiro trimestre

De acordo com Janifer Trizi, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Brasil, da rede D’Or São Luiz, o sangramento nesta fase da gestação pode representar ameaça de aborto ou sangramentos do colo uterino. Nos dois casos, é fundamental procurar orientação médica o mais rápido possível.

Segundo e terceiro trimestres

De acordo com a ginecologista e obstetra Janifer Trizi, nos segundo e terceiro trimestres podem ocorrer descolamento de placenta, sendo este um quadro mais grave.

“A presença de placenta prévia – anormalidade na implantação da placenta -, também pode apresentar sangramentos durante toda gestação”, acrescenta a médica. É um caso que pode trazer complicações para a gravidez, por isso, deve ser diagnosticado o quanto antes. Nesta situação, geralmente o sangramento é abundante, de cor vermelho vivo e não vem, necessariamente, acompanhado de cólicas.

No final da gravidez, pode ocorrer ainda o descolamento prematuro da placenta, que tem como sintomas, além do tom de sangue vermelho vivo ou escuro, cólicas fortes e contrações persistentes. A situação é grave e deve ser tratada com urgência.

“Independentemente do tipo de sangramento, é fundamental que a paciente procure o hospital para ser examinada e realizar USG, sendo possível um diagnóstico certeiro, podendo salvar mãe e feto”, destaca a ginecologista e obstetra Janifer Trizi.

É muito importante também que a futura mãe não se desespere nessas situações de sangramento e muito menos tome algum remédio sem orientação médica.

Relações sexuais

São comuns relatos de gestantes que tiveram algum sangramento após a relação sexual. “Neste caso é preciso parar o ato na hora e procurar o hospital mais próximo”, destaca a ginecologista e obstetra Janifer Trizi. É importante ainda evitar uma nova relação sexual até saber a causa do sangramento e ouvir as orientações do médico.

Relatos de mães

Altina Rivoli, 34 anos, dona de casa, conta que, por volta do quarto mês de gestação, teve um sangramento que a assustou bastante. “Não sentia dores, mas achei o sangramento estranho e fui ao pronto socorro pra me certificar de que estava tudo bem. Acabei passando a noite toda internada, pois estava apresentando uma infecção urinária. Foi um tremendo susto, pois cheguei a pensar que poderia estar com descolamento de placenta. O médico, então, me receitou um remédio específico e bastante água pra hidratar. Graças a Deus ficou tudo bem”, relata.

Denise Ferreira, 31 anos, professora, conta que na 11ª semana de gestação, teve um sangramento após a relação sexual. “Procurei meu ginecologista o mais rápido possível, mas ele constatou que estava tudo bem comigo e com o bebê. Depois disso tive outras vezes relação sexual sem problemas”, diz.

Consulta médica

Na consulta com o ginecologista, após o sangramento, é fundamental que você explique a ele, com detalhes, tudo que ocorreu, para que ele possa fazer o diagnóstico do caso.

As características do sangramento podem indicar suas causas: qual foi a duração do sangramento? Foi um sangramento leve ou pesado? Foi acompanhado por dores? Essas e outras questões são muito importantes.

Vale destacar ainda que, como o sangramento na gravidez pode ocorrer por diferentes motivos – podendo ou não ser algo grave -, não é possível falar de um único tratamento. “Existem vários diagnósticos, portanto, para cada caso será indicado um tratamento específico ou passada as orientações corretas”, diz a ginecologista e obstetra Janifer Trizi.

Medidas preventivas

Embora os sangramentos possam ocorrer por diferentes motivos na gravidez e, em alguns casos, sejam inevitáveis, alguns cuidados podem ajudar a evitar um aborto espontâneo ou outros problemas durante a gestação:

  • Não fume e nem use drogas de qualquer tipo, incluindo álcool;
  • Mantenha uma alimentação balanceada;
  • Faça verificações médicas regulares;
  • Siga todas as orientações passadas pelo seu médico desde o início da gravidez;
  • Não hesite em procurar ajuda médica em caso de dúvidas.

Seguindo essas dicas simples, a gravidez, provavelmente, será tranquila, sem oferecer riscos à mãe ou ao bebê.