Saiba quando medicar a febre infantil

Conheça perigo do exagero no uso de antitérmicos em crianças e saiba interpretar o termômetro para o combate correto da febre nos pequenos

Por Giselle Coutinho
Atualizado em 05/09/2013 9:25
febre infantil e excesso de cuidado Saiba quando medicar a febre infantil

Foto: Thinkstock

Muitos pais por inexperiência ou excesso de zelo buscam imediatamente o uso de antitérmicos quando o termômetro indica mais de 37°C em seus filhos. Porém estes remédios ao eliminar este sintoma costuma deixar os pais despreocupados e fazer com que negligenciem a causa desta reação física.

Segundo publicação da Academia Americana de Pediatria na revista científica de pediatria Pediatrics, o uso indiscriminado de antitérmicos em crianças é comum e indevido, já que o aumento de temperatura em mais de 60% dos casos é sinal de combate a alterações no organismo como a presença de microrganismos, sendo, portanto, natural e benéfico.

Pais que se preocupam com decorrências graves atreladas ao estado febril, como as convulsões, devem saber estas ocorrem em apenas 2% dos casos e não tem correlação com o aumento da temperatura corporal, mas sim com a rapidez que ocorre este aumento.

A crise convulsiva febril ocorre em crianças de até dois anos de idade que têm predisposição familiar. Quando ocorre, a criança cai, faz movimentos bruscos de braços e pernas, saliva, desvia os olhos e boca e às vezes urina e defeca. Nestes casos, a busca por atendimento médico deve ser imediata.

Como ocorre a febre

Quando uma bactéria ou um vírus entra no corpo e é reconhecido como invasor, leva à produção de substâncias conhecidas como mediadores inflamatórios, que provocam vasodilatação local, constrição dos vasos periféricos, fechamento dos poros e micro contrações musculares elevando a temperatura, estimulando da atividade imunológica e reduzindo a reprodução do microrganismo invasor.

Quando ficar alerta com o aumento da temperatura corporal em crianças

Como o corpo tem atividade intensa na infância para promover o crescimento, é natural que a temperatura das crianças seja maior que a dos adultos. Apenas pais de recém-nascidos, de crianças com problemas cardíacos ou pulmonares, ou de crianças em que o sintoma persista por dois dias devem buscar auxílio imediato em caso de aumento de temperatura.

Como interpretar o termômetro e identificar a febre infantil

  • Até 37,2 graus: Temperatura normal para criança;
  • Entre 37,2 e 37,8 graus: Estado febril. Deve-se apenas verificar de tempos em tempos se não há o aumento desta temperatura;
  • Acima de 37,8 graus: Febre. Não dê antitérmicos de imediata. Siga receitas caseiras e verifique constantemente a temperatura. Se o sintoma acompanhar algum mal estar, medique a criança. Em caso de persistência da febre, procure um médico.

Receitas caseiras sem contraindicações aliadas do combate à febre infantil

  • Faça compressas com água mornas na testa da criança;
  • Dê bastante água, suco, chás ou leite;
  • Vista a criança com roupas leves;
  • Dê um banho morno com água com temperatura abaixo da temperatura febril da criança.

Quando medicar a criança febril

Especialistas recomendam que os pais deem um antitérmico em caso de necessidade de alívio de algum desconforto da criança, como tremedeiras intensas, por exemplo, e, mesmo que a febre ceda, procurem o auxílio de um médico. “Não é apropriado o médico examinar uma pessoa com febre alta, pois dificulta a avaliação. Dar o remédio e achar que está tudo certo também não é indicado. Medicar não significa tratar”, alerta Cid Pinheiro, responsável pelo setor de pediatria do Hospital São Luiz em São Paulo.

Caso a criança vomite a medicação, não se deve repetir a dose imediatamente e sim esperar pelo ou menos uma hora para avaliar se algum resíduo do remédio agiu na redução da temperatura.

É importante entender que dar remédios para crianças é uma responsabilidade muito grande, por isso os responsáveis devem ser cuidadosos e não hesitar em contar com a ajuda de um médico, pois a febre em si não é uma doença, mas os problemas que a causam devem ser observados e tratados por um profissional da saúde.