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Pílula do dia seguinte: esclareça todas as dúvidas sobre o método

Ela deve ser usada somente em casos de emergência e no máximo até 72 horas após a relação sexual

em 30/06/2015

Foto: Getty Images

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Métodos anticoncepcionais são técnicas simples utilizadas por quem pretende manter relações sexuais sem correr o risco de engravidar. Entre os principais métodos contraceptivos estão a pílula, o uso de camisinha, o diafragma e o DIU.

Porém, apesar dessas e outras opções, existem casos em que a mulher acaba recorrendo à chamada “pílula do dia seguinte”. E é a partir daí que costumam surgir várias dúvidas, como, por exemplo: este método é realmente eficaz? Quando deve ser utilizado? Pode oferecer problemas à saúde? Como funciona?

Primeiramente, é fundamental lembrar que a pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência, ou seja, a pessoa deve recorrer a ele somente em situações de real emergência. O ideal é se prevenir anteriormente e/ou durante a relação sexual para evitar a gravidez num momento não desejado da vida.

Apesar disso, é fato que o uso da pílula do dia seguinte é mais comum do que deveria. Alfonso Massaguer, ginecologista e obstetra e Diretor Clínico da Clínica Mãe, e Paula Fettback, ginecologista e obstetra da Clínica Mãe, comentam que, no Brasil, estima-se que aproximadamente 20 a 30% das mulheres recorram à pílula do dia seguinte de uma maneira regular.

“Este dado é bastante preocupante, uma vez que a pílula do dia seguinte não serve como método de anticoncepção e, sim, para casos de urgência”, destacam os profissionais.

Neste contexto, abaixo você confere as respostas para as principais dúvidas sobre o uso da pílula do dia seguinte.

1. O que é a pílula do dia seguinte?

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“São hormônios contidos nas pílulas anticoncepcionais de rotina, mas em doses bem maiores. Desta forma, assim como a pílula convencional, a pílula do dia seguinte age evitando que o óvulo seja liberado e retardando a fertilização”, explicam Massaguer e Paula.

“No caso em que a ovulação já tenha ocorrido, ela age descamando o endométrio, ou seja, causando sangramento e fazendo com que o embrião não implante”, acrescentam os profissionais.

2. Até quantas horas depois da relação a mulher pode tomar a pílula do dia seguinte?

O ideal é que a mulher a tome o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida, orientam os médicos. “Sendo o prazo limite de eficácia até 72 horas da relação. Após este período a eficácia é bastante reduzida”, destacam.

“A eficácia é maior que 95% até as primeiras 12 horas; 85% após as primeiras 24 horas; e menor que 55% após 48 horas”, acrescentam Massaguer e Paula.

Geralmente, o uso da pílula do dia seguinte é feito em duas doses, administradas em um intervalo de 12 horas. Ou seja, a primeira dose (ou o primeiro comprimido) deve ser usada, no máximo, 72 horas após a relação sexual desprotegida. E a segunda dose (o segundo comprimido), 12 horas após a administração da primeira dose.

Existe ainda a administração de dose única. Esta deve ser usada no máximo 72 horas após a relação sexual desprotegida.

3. Em que situações esse método de emergência é indicado?

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“Em casos em que o preservativo rompe durante a ejaculação, casos de esquecimento da pílula convencional de mais de 2 dias e em casos de estupro”, orientam os ginecologistas.

Pode ser ainda uma opção em casos de expulsão do DIU e atraso na data do injetável mensal.

Dessa forma, fica claro que a pílula do dia seguinte não deve ser usada de forma planejada ou substituir um método contraceptivo de rotina.

4. Quais são as chances deste método falhar?

“Se a pílula do dia seguinte for usada nas primeiras 12 horas, as chances são menores que 5%”, explicam Massaguer e Paula.

5. Após tomar a pílula, a menstruação desce?

Sim. “Como ocorre uma elevação brusca do nível hormonal, a camada do útero chamada endométrio descama, levando à menstruação em até 72 horas do uso, aproximadamente”, destacam os ginecologistas.

6. Existe um número máximo de vezes que se pode usar a pílula do dia seguinte?

Massaguer e Paula ressaltam que a pílula do dia seguinte deve ser utilizada somente em situações de emergência, sendo o mínimo possível indicado.

7. Quais são os efeitos do uso frequente desse método?

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Os ginecologistas destacam os principais problemas decorrentes do uso exagerado da pílula do dia seguinte:

  • Irregularidades menstruais;
  • Falhas do método, ou seja, gravidez;
  • Eventos tromboembólicos pelo excesso de hormônios contidos, entre outros.

8. Pílula do dia seguinte é abortiva?

Não. “Após a implantação do embrião, ela não pode ser usada como método abortivo”, informam os ginecologistas.

9. A mulher pode tomar a pílula do dia seguinte se estiver amamentando?

Não. “Pois a pílula do dia seguinte contém uma quantidade bastante elevada do hormônio chamado estradiol – que não deve ser usado durante a amamentação”, destacam Paula e Massaguer.

10. E se a pessoa vomitar após tomar a pílula do dia seguinte?

“O ideal é que ela repita a dose, principalmente se os vômitos ocorrerem nas primeiras horas do uso”, orientam os médicos.

11. Antibiótico corta a ação da pílula do dia seguinte?

Não. Mas como a maioria dos antibióticos tem metabolização hepática, ou seja, no fígado, “o uso concomitante (conjunto) destas duas medicações pode sobrecarregar o metabolismo da mulher e causar efeitos colaterais, como náuseas, vômitos ou até uma alteração hepática aguda”, alertam os ginecologistas.

12. Existe contraindicação para o uso da pílula do dia seguinte?

“Mulheres com risco elevado de tromboembolismo, doenças hepáticas ou insuficiência renal devem evitar o uso”, destacam Paula e Massaguer.

13. A pílula do dia seguinte protege contra AIDS e DSTs?

Não. “Ela não protege contra nenhuma doença sexualmente transmissível”, ressaltam os ginecologistas.

Então, vale lembrar: a melhor maneira de preveni-las é usando corretamente o preservativo em toda relação sexual.

14. É necessária receita médica para comprar a pílula do dia seguinte?

Esta é uma dúvida comum. Mas esse tipo de medicamento não exige receita médica. Pode ser comprado sem prescrição médica em praticamente toda farmácia.

Mas, vale ressaltar: não é por isso que deve ser comprado/usado em excesso.

15. Quanto custa aproximadamente a pílula do dia seguinte?

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A pílula do dia seguinte custa em torno de 10 a 20 reais. Abaixo você confere alguns exemplos:

Lembre-se: embora a compra não exija receita médica, a pílula do dia seguinte deve ser usada somente em situações emergenciais e, claro, eventualmente. Não vale “se esquecer sempre de usar camisinha e depois recorrer a esse tipo de pílula”, pensando que não há risco nenhum nisso.

Inclusive, vale ressaltar: o uso frequente deste método pode diminuir a eficácia dele, além de poder causar outros efeitos negativos de saúde.

Outra recomendação superimportante é usar sempre camisinha, pois, além de evitar uma gravidez indesejada, essa é a melhor maneira de se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis.

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