Os prós e contras de suspender a menstruação

Incômodos característicos levam mulheres a cessarem definitivamente o ciclo menstrual

Por Gisele Macedo Sá
Atualizado em 14/08/2012 10:53

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A menstruação significa para algumas mulheres o ápice da sua feminilidade e fertilidade. Para outras, ela representa somente incômodos como dores, inchaços, cólicas e a temida tensão pré-menstrual (TPM). Porém, atualmente, as mulheres do segundo grupo têm ao seu alcance a escolha de cessar a menstruação e por consequência, diminuir e até eliminar os sintomas que ela traz. Em alguns casos, a suspensão da menstruação é indicada pelo próprio médico a fim de tratar algumas doenças como mioma, endometriose (inflamação da camada que reveste o útero) e anemia.

O primeiro passo de quem deseja parar de menstruar é procurar um profissional para auxiliá-la. “É importante avaliar se a mulher possui indicação formal para suspender a menstruação ou se ela apresenta fortes sintomas de TPM, que prejudiquem seu dia a dia. Em casos de mulheres com pequenos sangramentos, não vale a pena o tratamento, pois ele envolve grandes alterações hormonais”, explica o médico ginecologista obstetra Domingos Mantelli Borges Filho.

Métodos

A ginecologista obstetra Denise Gomes, diretora médica da Plena Clínica, explica que existem quatro métodos mais utilizados na interrupção da menstruação. O mais comum é o uso contínuo da pílula anticoncepcional por via oral. Neste caso a paciente toma o medicamento, que pode ser uma combinação dos hormônios estrógeno e progesterona, sem interrupções.

O outro método é a administração da injeção de progestogênio trimestral.

O DIU com progesterona é um dispositivo em forma de T que é colocado pelo médico no útero da mulher e que pode durar cinco anos. E por fim, há o implante subcutâneo, um pequeno bastão é inserido, geralmente no braço da mulher, e libera diariamente o hormônio para inibir a menstruação e pode ser usado por até três anos.

Vantagens e desvantagens

As vantagens em interromper os ciclos menstruais mensais é que os anticoncepcionais hormonais reduzem o risco de surgimento de endometriose, miomas uterinos, câncer no endométrio. Além disso, combatem cólicas menstruais e auxiliam no combate à anemia e à tensão pré-menstrual.

Para as mulheres que querem inibir a menstruação, mas têm medo da infertilidade, a médica desmistifica o tema. “Os métodos hormonais não causam infertilidade permanente. Alguns meses após a interrupção do tratamento as mulheres estão aptas para a fecundação, mas é imprescindível visitar o ginecologista regularmente para verificar alterações indesejadas e controlar as taxas hormonais”, conta Denise.

Outra preocupação constante é sobre onde vai parar o sangue que não é liberado pelo corpo da mulher. “Quase todos os métodos inibem a ovulação. Com isso, o endométrio (camada que reveste o útero que se prepara para a chegada do óvulo) não se forma e logo não há o que sangrar ou eliminar do corpo”, explica Mantelli.

Como o tratamento é todo baseado na administração de hormônios, as fumantes, mulheres que têm problemas na tireoide ou que já tiveram trombose, não são aconselhadas a interromper o ciclo menstrual.

A possibilidade de iniciar um tratamento deste tipo inclui alguns problemas. “O fim da menstruação pode acarretar em aumento da oleosidade da pele e de acne ou reduzir a libido de algumas mulheres”, afirma. Denise.

Uma decisão

A massoterapeuta Rosângela Souza Barbieri, de 33 anos, decidiu parar de menstruar há três. “Tinha muitos sintomas por causa da menstruação. Dor nas costas, compulsão por doces e retenção de líquidos. E os sintomas chegavam a durar duas semanas. Com o fim do ciclo, fiquei mais disposta e não tenho mais problemas com os treinos de corrida”, conta.

Os dois profissionais ainda sugerem que a mulher deve ter acesso às informações para poder decidir, junto com um médico, se pode aumentar sua qualidade de vida cessando sua menstruação com um tratamento adequado e supervisionado.